por Israel Kirzner

[ The Meaning of Market Process – Tradução de Giácomo de Pellegrini ]

Prefácio

Esta coleção de ensaios é oferecida como uma contribuição para a história moderna das doutrinas econômicas e para o renascimento contemporâneo do interesse na Escola Austríaca de Economia. Como o pensamento econômico dominante durante a maior parte deste século se afastou da linha de investigação iniciada pelos fundadores da Escola Austríaca, a redescoberta contemporânea dos insights dessa escola inspirou o reexame dos insights doutrinários pioneiros da tradição austríaca e sua sobrevivência, no “submundo” das ideias econômicas do século XX, até seu ressurgimento em nosso próprio tempo. Não por acaso, essas explorações dogmengeschichtliche (história dogmática) levaram a uma compreensão aprofundada da natureza do processo de mercado austríaco e do papel das ideias subjetivistas na explicação desse processo. Esse entendimento aprofundado informou nossa reafirmação da perspectiva austríaca básica, de um século atrás, sobre o processo de mercado, encarando-o como uma sequência sistemática e coordenada de revisões de planos. Essa reafirmação foi solicitada por tentativas, feitas em certas contribuições radicalmente subjetivistas, de declarar o subjetivismo austríaco minuciosamente e fundamentalmente inconsistente com a apreciação das tendências de equilíbrio do mercado. O autor acredita firmemente que essas tentativas, embora feitas no decorrer de valiosos esforços para promover a abordagem austríaca, ainda assim são profundamente infelizes e equivocadas. De fato, insistiria que o aprofundamento consistente do entendimento austríaco deve nos levar a não negar o impulso central da economia mainstream (isto é, seu entendimento dos resultados do mercado tende a refletir as preferências relativas dos consumidores à luz das restrições de recursos), mas argumentar que essas conclusões da economia dominante só podem ser coerentemente defendidas através da introdução das ideias subjetivistas da tradição austríaca. O autor espera que esses ensaios possam contribuir para essa maneira de ver as coisas.

Grande parte do trabalho que levou a esses ensaios foi possível graças à generosidade da Fundação Sarah Scaife e da Fundação John M. Olin. A essas duas fundações (e a James Piereson e, principalmente, a Richard M. Larry), o autor é profundamente grato. Vários desses ensaios foram discutidos, durante um período de anos, no colóquio semanal de economia austríaca da Universidade de Nova York. O autor aprecia profundamente o estímulo e a assistência oferecida pelos membros do colóquio, e menciona particularmente o falecido Ludwig M. Lachmann, Mario J. Rizzo, Lawrence J. White, Peter J. Boettke, Stephan Boehm, Sanford Ikeda e Esteban Thomsen. Evidentemente, nenhum deles é responsável pelas deficiências desses ensaios.

Sumário

Parte I – A abordagem do processo de mercado

Capítulo 1: Teoria do processo de mercado: em defesa do meio-termo austríaco

Capítulo 2: O significado do processo de mercado

Parte II – O surgimento da visão austríaca

Capítulo 3: A Escola Austríaca de Economia

Capítulo 4: Carl Menger e a tradição subjetivista na economia

Capítulo 5: Menger, Liberalismo Clássico e a Escola Austríaca de Economia

Capítulo 6: O debate sobre o cálculo econômico: lições para os austríacos

Capítulo 7: Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek: A moderna extensão do subjetivismo austríaco

Parte III – Algumas novas explorações da abordagem austríaca

Capítulo 8: Preços, a comunicação do conhecimento e o processo de descoberta

Capítulo 9: Planejamento econômico e o problema do conhecimento

Capítulo 10: Problemas do conhecimento e suas soluções: algumas distinções relevantes

Capítulo 11: Economia do bem-estar social: uma perspectiva austríaca moderna

Parte IV – Surgimento de algumas controvérsias relativas à abordagem austríaca

Capítulo 12: Auto-interesse e a nova crise econômica: uma nova oportunidade no debate perene?

Capítulo 13: Descoberta, propriedade privada e a teoria da justiça na sociedade capitalista

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Zuckerkandl, R. (1889) Zur Theorie des Preises, Leipzig: Stein.

Zweig, M. (1970) ‘A New Left critique of economics’, in D. Mermelstein (ed.) Economics: Mainstream Readings and Radical Critiques, New York: Random House.

Leia também

por Israel Kirzner

[ Chapter 2: The meaning of market process do livro The Meaning of Market Process – Tradução de Giácomo de Pellegrini ]

Capítulo 2: O significado do processo de mercado

Há um duplo sentido ligado à palavra “significado” no título deste capítulo.[1] O título indica que, como um objetivo, temos que distinguir dois significados distintos que foram concebidos pela noção de processo de mercado (e, em fazendo isso, para deixar bem claro qual desses significados é preferido pelo escritor). Como segundo objetivo, tentaremos responder à pergunta: “O que o processo de mercado significa para a liberdade humana?”; em outras palavras, tentaremos avaliar o significado da visão do processo de mercado para uma compreensão da sociedade livre.

Essas duas tarefas que nos propusemos não são de forma alguma totalmente separadas. Como veremos, a avaliação das prováveis ​​conquistas econômicas de uma sociedade livre depende bastante do modo como se enxerga o mercado e, em particular, do caráter do processo de mercado que se está preparado para reconhecer. Pode ser útil ajudar o leitor a percorrer as páginas a seguir, para apresentar brevemente a posição do próprio escritor antecipadamente. Essa posição pode ser expressa na forma de uma série de afirmações: (a) sob um sistema no qual os direitos de propriedade privada são respeitados, uma sociedade livre é aquela em que o empreendimento econômico flui predominantemente pelo mercado; (b) o mercado está em um estado contínuo de fluxo e nunca está em ou perto de um estado de equilíbrio; (c) este fluxo contínuo compreende duas camadas distintas de fenômenos mutáveis; (d) uma dessas duas camadas de fenômenos mutáveis ​​é composta de mudanças exógenas, mudanças nas preferências, população, disponibilidades de recursos e possibilidades técnicas; (e) a segunda camada de mudança é endógena – mudanças sistematicamente induzidas à medida que as forças do mercado se movem constantemente para equilibrar as constelações de forças que operam a qualquer momento; (f) a última camada de mudança, consistindo de tendências equilibradas sistemáticas (que nunca conseguem se tornar completamente finalizadas antes de serem rompidas por novas mudanças) é responsável pelo grau de eficiência alocativa e de potencial de crescimento que as economias de mercado exibem; (g) é para a última camada de mudança de equilíbrio que o termo “processo de mercado” refere-se adequadamente; (h) para que os processos de mercado funcionem, o requisito essencial é a liberdade de entrada empresarial competitiva; (i) assim, a completa liberdade econômica do indivíduo é necessária para que a economia de mercado faça seu trabalho; (j) além disso, o ponto a ser enfatizado não é meramente que uma sociedade de indivíduos livres pode (contraintuitivamente) alcançar uma certa coordenação, mas que – ainda mais contraintuitivamente – apenas uma sociedade de indivíduos livres é capaz de dominar as forças da competição empresarial para fazer e disseminar aquelas descobertas das quais depende eficiência e crescimento alocativo; (k) isso leva diretamente à proposição misesiana de que somente em uma sociedade de mercado é possível resolver o problema do cálculo econômico; Uma sociedade socialista, se fosse isolada do contato com as economias de mercado, tenderia à ineficiência e ao fracasso econômico.

Como indicado, essas afirmações não são universalmente aceitas, mesmo entre o pequeno subconjunto de economistas que professam uma visão de processo de mercado. Mas, para desenvolver a posição que esboçamos aqui e considerar o significado alternativo para a ideia de processo de mercado, devemos primeiro contrastar brevemente a visão de processo de mercado (não importa qual variante deseje adotar) com a abordagem dominante na microeconomia moderna – a teoria do equilíbrio do mercado.

A VISÃO DE EQUILÍBRIO DO MERCADO

Durante a maior parte da história da microeconomia do século XX, os economistas compreenderam, com raras exceções, fenômenos de mercado em termos de modelos de equilíbrio. Em outras palavras, os economistas viram as explicações a serem fornecidas para os dados de mercado – preços, métodos de produção, tamanhos das indústrias – tão capazes de ser encontrados nos valores dessas variáveis ​​que seriam consistentes com o equilíbrio de mercado. Tomemos o exemplo mais simples (e mais amplamente utilizado) de análise microeconômica, o mercado perfeitamente competitivo para uma única mercadoria. Ao aplicar essa análise ao preço de mercado para qualquer produto, os economistas partem do pressuposto de que esse preço é, na verdade, o preço pelo qual a quantidade fornecida é igual à quantidade demandada. Subjacente a essa abordagem está a aparente convicção de que forças de equilíbrio são tão poderosas que é uma primeira aproximação aceitável à verdade assumir que os mercados já atingiram, em determinado momento, a vizinhança do equilíbrio. As mudanças observadas nos dados de mercado devem, nesta abordagem, ser explicadas como refletindo mudanças correspondentes nos dados subjacentes. As discrepâncias observadas entre os dados de um mercado e os valores esperados com base em um modelo de equilíbrio adotado são levados a sugerir, não qualquer inadequação na suposição de equilíbrio atingido, mas sim a possível relevância de algum outro modelo de equilíbrio possivelmente mais complicado.[2]

Este não é o lugar para desenvolver uma crítica completa desta abordagem de equilíbrio dominante à microeconomia. No entanto, mencionamos uma das principais objeções levantadas contra ela. Essa objeção fundamental é que, ao se concentrar exclusivamente nos estados de equilíbrio, a teoria não oferece nenhuma explicação do próprio processo de equilíbrio. Como dito anteriormente, a premissa não declarada da abordagem de equilíbrio é que os processos de equilíbrio são poderosos e rápidos – mas isso parece supor a tarefa de explicar a natureza de tais processos. Economistas insatisfeitos com a abordagem dominante tornaram-se cada vez mais conscientes do formidável desafio à ciência econômica que o fenômeno do equilíbrio representa.[3] Como os economistas se tornaram sensíveis a problemas de conhecimento e aprendizado, e de como eles se relacionam com a possibilidade de equilíbrio, esses economistas tornaram-se cada vez mais céticos em relação a abordagens que simplesmente presumem que o equilíbrio ocorre – e ocorre instantaneamente.

Deve-se reconhecer que a abordagem dominante não foi totalmente incapaz de resolver algumas dessas dificuldades. Mas parece justo afirmar que ele abordou essas dificuldades não modificando sua adesão à suposição de equilíbrio completa, mas incorporando novas variáveis ​​em seus modelos de equilíbrio – na verdade, estendendo o escopo declarado para o princípio de equilíbrio. Por exemplo, o aumento da conscientização de alguns dos problemas levantados para a economia de equilíbrio pelo fenômeno da ignorância levou os economistas a incluir o custo da remoção da ignorância (ou seja, o custo da aprendizagem) em seus modelos. Assim, como se constata, a atenção aos problemas de ignorância não apenas não enfraqueceu o controle da suposição de equilíbrio; pelo contrário, ampliou o escopo dessa suposição. Os economistas não precisam mais supor que algum processo necessário de equilíbrio tenha sido, de algum modo, rapidamente completado antes de começarmos nosso trabalho; eles podem alegar que, a cada instante no tempo, levando em conta todos os custos de transação relevantes (incluindo os custos de aprendizagem), cada situação de mercado deve necessariamente estar sempre em equilíbrio.[4] Assumir o contrário seria assumir que alguns participantes do mercado não conseguiram aproveitar as oportunidades de ganho mútuo através da troca – mesmo quando os custos necessários para superar a ignorância são tão baixos que tornam tal falha ineficiente. Para a abordagem dominante, admitir tais possibilidades é admitir o impensável – comportamento irracional.

Em suma, a posição dominante na economia tendeu a manter os modelos de equilíbrio no centro da teoria de mercado; isso foi feito traduzindo cada aparente discrepância (entre a teoria e a realidade) em uma teoria de equilíbrio mais complicada, baseada nos custos necessários da remoção da ignorância.

OS TEORISTAS DO PROCESSO DE MERCADO

Os teóricos do processo de mercado de todas as variedades compartilham uma profunda insatisfação com a forma como a economia de equilíbrio olha o mundo. Enquanto, como vimos, os últimos vêem os fenômenos de mercado, a cada momento no tempo, expressando com precisão o equilíbrio de forças relevantes para os dados subjacentes daquele momento, os teóricos do processo de mercado vêem as coisas de maneira bem diferente. As constelações de preços, qualidades de produtos, métodos de produção e rendimentos observados em qualquer instante dado não são de modo algum consideradas os valores de equilíbrio relevantes. (Alguns teóricos do processo questionam a própria significação da noção de “valores de equilíbrio”). Antes, essas variáveis ​​são vistas, em qualquer momento, sujeitas a mudanças que as forças de mercado provavelmente gerarão – mesmo que isolemos, para fins analíticos, do impacto exercido por mudanças exógenas nas variáveis ​​subjacentes.

Tampouco são essas mudanças que as forças de mercado endógenas tendem a gerar vistas como determinadas mecanicamente pelas forças e velocidades relativas dessas forças. Os teóricos do processo de mercado não concebem essas forças como operando de maneira determinista. Eles os veem, antes, compreensíveis apenas em termos sutis, aos quais a análise microeconômica dominante é singularmente irrelevante. Por exemplo, os teóricos do equilíbrio abordariam um fenômeno de diferença de preço (para o que são de fato amostras diferentes da mesma mercadoria) em diferentes partes do mesmo mercado, concentrando-se nos custos de aprender sobre a disponibilidade de outros preços. Uma vez que esses custos estejam conectados, a suposição é que em todas as diferentes partes do mercado estão em equilíbrio umas com as outras. Se encontrarmos uma tendência para tais diferenciais de preço desaparecerem, a economia padrão explicaria a taxa de desaparecimento como refletindo rigidamente as mudanças subjacentes nos custos de aprendizagem (sobre os diferenciais de preço remanescentes). Os teóricos do processo de mercado, por outro lado, veriam o processo durante o qual os diferenciais de preço gradualmente desaparecem em termos muito menos deterministas. Como elaboraremos mais detalhadamente mais adiante, eles se concentrariam na possibilidade de a aprendizagem ocorrer não através da absorção deliberada dos custos percebidos da aprendizagem, mas através dos fenômenos da surpresa e da descoberta. Esses fenômenos, centrais para a teoria do processo de mercado, simplesmente não são redutíveis aos tipos de problemas com os quais a economia de equilíbrio, baseada sólida e exclusivamente na análise da tomada de decisão racional em um mundo livre de surpresas, está preparada para lidar.

Nesse estágio, talvez estejamos prontos para identificar as versões alternativas da teoria do processo de mercado. Vamos nos dividir em termos de (a) variáveis ​​subjacentes (VSs), identificadas convencionalmente como preferências, disponibilidades de recursos e possibilidades tecnológicas, e (b) as variáveis ​​induzidas (VIs), consistindo de preços, métodos de produção e quantidades. e qualidades de produtos que o mercado em determinado momento gera sob o impacto dos VSs. Como vimos, a economia de equilíbrio postula que, a cada instante, os valores reais de mercado dos VIs são aqueles valores de equilíbrio predeterminados pelos valores relevantes dos VSs. Qualquer discrepância aparente é explicada pela postulação de que alguma VS relevante foi de alguma forma negligenciada (como, por exemplo, os custos de superação da ignorância foram negligenciados em modelos anteriores de equilíbrio). Os teóricos do processo de mercado, no entanto, afirmam que os movimentos dos VIs no mercado não são totalmente determinados pelos valores dos VSs. Os primeiros mantêm um grau de liberdade em relação aos últimos. Podemos agora identificar as variantes alternativas da teoria do processo de mercado a que nos referimos.

Uma variante identifica o processo de mercado como a sequência real de valores dos VIs ao longo do tempo (Lachmann, 1986a). Agora esta sequência, claramente, reflete o efeito conjunto de vários possíveis conjuntos de forças para mudança: (a) as mudanças nos VSs durante este período de tempo podem ser entendidas, mesmo na visão de processo de mercado, como é claro, ter um impacto contínuo na sequência dos valores VI; (b) independentemente das alterações nos VSs, podemos ver como quaisquer processos de ajuste (equilibrados ou não) através dos quais Os valores de UV tendem a tornar-se gradualmente refletidos nos valores de IV podem contribuir para a sequência de mudança dos valores VI durante o período em discussão. Concentrando-se no efeito conjunto desses conjuntos de forças para mudança, essa primeira possibilidade de definir “o processo de mercado” recusa-se, assim, a atribuir qualquer significado analítico real à distinção entre esses dois conjuntos de forças (a) e (b). Na terminologia do professor Lachmann, o primeiro conjunto de forças é descrito como desequilibrando as mudanças, o segundo como mudanças de equilíbrio; mas os dois conjuntos são considerados tão interligados que desafiam o tratamento analítico separado. Isso é reforçado pela circunstância de que, na opinião do professor Lachmann, a inevitável presença de mudanças desequilibradoras enfraquece radicalmente a determinação de quaisquer mudanças equilibradas que possam, na sua ausência, ter sido imaginadas. Isto é assim, em sua opinião, porque a presença das mudanças desequilibradoras torna impossível para os participantes do mercado identificar com clareza os passos que precisam ser tomados para alcançar o equilíbrio.

A segunda variante da teoria do processo de mercado, e a que este escritor acredita que deve ser enfatizada, define o processo de mercado exclusivamente em termos do segundo dos dois conjuntos de forças de mudança identificadas no parágrafo anterior. O conceito de processo de mercado, neste entendimento, é analítico. Distinguimos, entre as forças causadoras de alterações nos VIs, um conjunto distinto de forças desatreladas, a cada momento, pela ausência de equilíbrio. As mudanças induzidas por essas forças constituem o processo de mercado. Essas mudanças continuariam a ocorrer, constituindo o processo de mercado em sua forma analítica mais pura, mesmo que, a partir de um determinado tempo, todas as alterações nos VSs fossem suspensas. Se quisermos analisar o processo de mercado, é mais útil conduzir experimentos mentais contra o pano de fundo imaginado de VSs imutáveis. Na realidade plena, é claro, o processo de mercado nunca prossegue em forma pura. Em vez disso, o que encontramos ao longo do tempo é uma massa de mudanças nos VIs que refletem, além disso, as contínuas mudanças nos VSs. Assim, essas mudanças nos VIs expressam não apenas o processo de mercado, mas o impacto total de inúmeros processos de mercado separados (e possivelmente colidindo) postos em movimento, em diferentes pontos no tempo, pelas discrepâncias existentes nesses respectivos momentos no tempo, entre VIs reais e os relevantes valores de equilíbrio respectivos para os VIs. Esses processos de mercado separados entram em conflito uns com os outros, colidindo ou reforçando um ao outro, de modo que as sequências reais de valores de IV são vistas como resultados altamente complexos de numerosos conjuntos de forças interagentes. É o princípio central da teoria do processo de mercado, sob esta variante, que apesar das complexidades assim introduzidas pela mudança contínua de VSs, mantém o caráter essencial do processo de mercado como uma questão de experiência histórica praticamente intacto. De fato, será nossa reivindicação, que é esse caráter do processo de mercado a característica dominante das economias de mercado do mundo real; É através da nossa compreensão deste processo de mercado que podemos entender como funcionam as economias de mercado.

Para o restante deste capítulo, usaremos o termo “processo de mercado” para conotar esse significado do termo, a menos que especifiquemos de outra forma. Pode ser útil, antes de continuarmos a desenvolver um esboço da teoria dos processos de mercado (e seu significado para a possibilidade de uma sociedade livre próspera), enfatizar novamente, à luz de nossa identificação adotada da noção de processo de mercado, quão nitidamente diferente a visão de processo de mercado da economia de mercado é aquela que vimos anteriormente como sendo a visão de teoria de equilíbrio dela.

Para os teóricos de processos de mercado, o fio central de mudança que nos permite compreender o mercado é o do processo de mercado. Se quisermos entender os valores VI em um dado momento, podemos fazê-lo referindo-se ao curso do processo de mercado até aquele momento. Se quisermos fundamentar nossa compreensão do mercado na teoria básica, essa teoria básica deve ser a teoria do que é que molda o curso do processo de mercado. Se quisermos avaliar a importância do mercado para o bem-estar humano, devemos fazê-lo avaliando o impacto sobre esse bem-estar do processo de mercado. Os modelos de equilíbrio resultam, para a visão de processo de mercado, em imagens das quais as características mais importantes do mercado foram excluídas. Tais modelos começam assumindo que não há espaço para os processos de mercado.

O CARÁTER DO PROCESSO DE MERCADO

A característica central do processo de mercado, para o qual queremos chamar a atenção, diz respeito ao papel desempenhado pela ignorância e pela descoberta. A percepção básica é que o desequilíbrio consiste na ignorância mútua por parte dos participantes potenciais do mercado. Nós tomamos como certo que tal ignorância não pode persistir indefinidamente. Mais cedo ou mais tarde, oportunidades inexploradas de ganho mútuo devem ser descobertas. É por cauda da existência de tais oportunidades inexploradas – devido inteiramente à ignorância mútua – ser provável que acabe sendo descoberto que essa situação inicial é descrita como um estado de desequilíbrio.

O processo de mercado, então, consiste naquelas mudanças que expressam a sequência de descobertas que seguem a ignorância inicial que constituía o estado de desequilíbrio. Descrevemos essa sequência de descobertas como constituindo um processo de equilíbrio, mas devemos circunscrever essa descrição por uma série de qualificações e observações cautelosas. O caráter de equilíbrio do processo decorre naturalmente da circunstância de que ele é composto, presumivelmente, de descobertas corretivas relativas à ignorância anterior. Tais descobertas levam à eliminação de oportunidades inexploradas de ganho mútuo. No final, quando não restarem bolsões de ignorância, ficaremos com um mercado em pleno equilíbrio. Enquanto os VSs permanecerem inalterados, a ausência de ignorância alcançada assegurará que todas as trocas completadas em qualquer período serão repetidas sem mudança em cada período similar sucessivo. Mas o caráter de equilíbrio do processo de mercado, como descrevemos, não deve ser mal interpretado.

Em primeiro lugar, enfatizamos que o fato de o processo de mercado ser equilibrante não implica, evidentemente, que o equilíbrio seja, de fato, alcançado. Em qualquer mundo real, com mudanças frequentes nos VSs, os processos de equilíbrio são continuamente interrompidos por mudanças de VS que iniciam processos frescos e equilibrantes. Não se espera que algum desses processos seja concluído. Tudo o que afirmamos é que as forças para a descoberta mútua e para a eliminação da ignorância estão constantemente em ação.

Em segundo lugar, não afirmamos que toda e qualquer “descoberta” seja, de fato, corretiva. Muitas “descobertas” acabam se equivocando; a ignorância anterior pode ser aumentada em vez de mitigada. Alguns segmentos do processo de mercado podem, assim, estar desequilibrados. Se, no entanto, mantivermos que o processo de mercado pode ser razoavelmente descrito, em termos gerais, como equilibrantes, isto é devido a uma convicção de que, em face da ignorância inicial, existe uma tendência sistemática para descobertas genuínas, em vez de espúrias, serem feitas.

Em terceiro lugar, a possibilidade do erro aumentando, e não de descoberta corretiva genuína, deve certamente ganhar plausibilidade como resultado da circunstância universal da mudança contínua nos VSs. A descoberta genuína da ignorância anterior não aponta de forma inequívoca para uma melhor tomada de decisão para o futuro – uma vez que o descobridor deve agora especular sobre a probabilidade de novas mudanças.

Enfatizar a centralidade do equilíbrio no processo de mercado não é, evidentemente, admitir a adequação da economia de equilíbrio. Por razões que já foram ditas, os teóricos do processo de mercado argumentam que as principais características do mercado que exigem uma explicação exigem uma análise do processo em vez da teoria do equilíbrio. Uma imagem do mundo como estando todos os momentos em equilíbrio, ou na vizinhança do equilíbrio, prescinde de muitas características importantes da realidade para ser útil para a compreensão econômica. Por outro lado, insistir que o mundo real  improvavelmente esteja próximo do equilíbrio não é, de modo algum, admitir que os mercados não sejam poderosamente equilibradores. A visão do processo de mercado vê o mercado como exibindo, em todos os momentos, os efeitos de forças poderosas que encorajam descobertas genuínas e valiosas. Essa visão argumenta que, para entender como os mercados funcionam, é necessário seguir a linha tênue que rejeita tanto a suposição de equilíbrio constante e instantâneo quanto a suposição oposta de que a sequência de valores do que chamamos de IVs é essencialmente desligada da sequência de VSs.

A NATUREZA DA DESCOBERTA

Ao descrever o processo de mercado como uma série de etapas que corrigem a ignorância anterior, não queremos que seja entendido que esse processo consiste em uma série de atos deliberados de aprendizado. Pode-se, de fato, descrever uma série sequenciada de atos deliberados de aprendizagem como um processo de adaptação que transforma a ignorância em conhecimento. Mas o processo de mercado não deve ser entendido nesse padrão. Devemos distinguir nitidamente entre aqueles atos de descoberta dos quais o processo de mercado consiste, e os atos de aprendizagem deliberada que, a menos que acidentalmente, não fazem parte do processo de mercado.

Um ato deliberado de aprendizagem ocorre quando se reconhece a falta de conhecimento, se está ciente da maneira pela qual essa falta pode ser retificada e a que custo, e acredita que o valor a ser ganho pela aprendizagem mais do que justifica os custos do aprendizado. O ponto de partida é a consciência da ignorância – na verdade, uma consciência suficientemente detalhada para permitir identificar os itens específicos do conhecimento que faltam. O ponto final do processo de aprendizagem é a posse do conhecimento procurado; mas tal posse não envolve elementos essenciais de surpresa. Quando alguém pesquisa um fato numa enciclopédia, procura o significado e a ortografia de uma palavra estranha em um dicionário ou examina um mapa de ruas de uma cidade estranha, não encontrará nada de surpreendente. Conhecia-se a ignorância; Ninguém se surpreenderá ao descobrir que alguém, sem saber, estava trabalhando sob um equívoco, e que o mundo acaba por ser bastante diferente do que se esperava. O tipo de degraus de descoberta que descrevemos como sendo o processo de mercado, por outro lado, caracteriza-se precisamente pela surpresa envolvida pela descoberta e pelo desconhecimento anterior correspondente da natureza da ignorância. Um exemplo simples ilustrará o ponto.

Considere um mercado em que dois preços prevalecem para a mesma mercadoria em diferentes partes do mesmo mercado. A teoria do equilíbrio, é claro, negaria completamente tal possibilidade e afirmaria que isso pode ser resolvido apenas postulando diferentes qualidades de mercadoria (mais cuidadosamente definidas) ou a existência de barreiras que separam o mercado em mercados separados. Para a teoria do equilíbrio, tal barreira pode ser a presença de ignorância que é dispendiosa para remover. A teoria dos processos de mercado insiste que a possibilidade da mesma mercadoria vender a preços diferentes dentro do mesmo mercado pode ser inteiramente explicada pelo fenômeno da ignorância desconhecida, facilmente removível. Ignorância desconhecida é a ignorância sobre o que não se sabe. Suponha que alguém compre frutas por $ 2, quando a mesma fruta estiver abertamente disponível por $ 1 em uma loja vizinha, a qual acabou de passar, mas passou despercebido. Então fica claro que alguém poderia facilmente saber onde comprar a fruta por $ 1, e de fato pagou $ 2 por ela apenas porque não se conhecia a possibilidade de obter sem custo as informações necessárias – em outras palavras, sofria por não ter conhecimento da ignorância sem custo. Quando alguém descobre que a fruta pela qual está pagando $ 2 está de fato disponível por $ 1, isso é uma surpresa. A descoberta em si não pode, dadas as circunstâncias, ter sido realizada deliberadamente; afinal, ninguém sabia que existia alguma coisa para ser descoberta.

Quando se teoriza que, de acordo com a lei da indiferença de Jevons, tais diferenças de preço tendem a desaparecer sob o impacto das forças de mercado competitivas, postulamos, uma série de descobertas espontâneas que tendem a eliminar as diferenças de preço. Assumimos que a existência de um diferencial de preço atrairá a atenção. As pessoas que pagaram $ 2 perceberão que outras pessoas pagaram $ 1; as pessoas que aceitaram $ 1 perceberão que outras pessoas receberam $ 2. Outros podem notar a possibilidade de ganhar lucro puro comprando a $ 1 e vendendo a $ 2; O resultado dessas descobertas – nenhuma das quais foi deliberadamente buscada – é o aumento de compras tentadas em $ 1 e o aumento de vendas tentadas em $ 2. Isso leva à eliminação de diferenciais de preço. Não é possível em geral, argumentaremos, imaginar a eliminação de tais diferenciais de preço na ausência de descoberta espontânea. Se, por exemplo, imaginarmos etapas dispendiosas deliberadamente tomadas para procurar preços melhores, então enfrentamos o problema de explicar por que tais medidas não foram tomadas antes. (Poder-se-ia, é claro, postular que a sequência de eventos de mercado reduz sistematicamente os custos de tal busca deliberada. Mas isso deixa o domínio da teoria geral para o de suposições ad hoc.) Mais cedo ou mais tarde, é preciso recorrer à descoberta espontânea, mesmo que seja apenas a descoberta da possibilidade de pesquisa rentável em si.

A ênfase que atribuímos ao caráter de descoberta (em vez de busca deliberada) do processo de mercado é de considerável importância. Processos de busca deliberada são, em um sentido definido, totalmente determinados. Em cada ponto do processo de busca, sabemos exatamente como foi escolhido. A quantidade que se escolheu é completamente determinada pelo valor do que se pode procurar e pelos custos da pesquisa. Em cada ponto do tempo, um indivíduo possui o grau ótimo de conhecimento (e, portanto, também o grau ótimo de ignorância). Se o processo de mercado fosse desse caráter, seria um processo completamente determinado – totalmente explicável em termos de teorização de equilíbrio. Ou seja, não descreveríamos o processo de mercado seguindo um curso de desequilíbrio para o equilíbrio, mas seguindo um curso de equilíbrio com uma grande quantidade de ignorância (ideal) para o equilíbrio com um nível menor (mas, é claro, ainda ótimo) de grau de ignorância.

O que temos sublinhado, por outro lado, é que, na visão de processo de mercado, a passagem que leva de muitos preços predominantes a um único preço não é de todo determinada, mas, mesmo assim, sistemática e expressiva de uma tendência poderosa. Nunca pode haver uma garantia de que alguém notará aquilo de que ele é totalmente ignorante; a racionalidade mais completa da tomada de decisões no mundo não pode garantir a busca daquilo cuja existência é totalmente insuspeita. No entanto, afirmamos que poucos irão sustentar que a ignorância inicial sobre as oportunidades desejáveis ​​disponíveis sem custo pode durar indefinidamente. Reconhecemos, com certeza, que os seres humanos são motivados a perceber aquilo que é para seu benefício notar. Identificamos essa motivação geral com o estado de alerta que todo ser humano possui, em maior ou menor grau. Esse alerta humano onipresente torna inconcebível que os participantes do mercado possam esperar indefinidamente que continuem pagando mais por um item do que realmente precisam; ou que podem esperar indefinidamente que continuem aceitando menos em pagamento por um item do que eles são de fato capazes de obter. Estamos convencidos de que atos de descoberta especificamente imprevisíveis se somarão a uma mitigação sistemática de diferenciais de preço injustificados. Por causa de seu caráter não-determinístico e não-mecânico, esse processo de descoberta de mercado não se presta ao tipo de modelagem central para a economia de equilíbrio. No entanto, a natureza sistemática do processo requer que não permitamos quaisquer predileções metodológicas em favor de técnicas de modelagem formais para obscurecer características de vital importância da economia de mercado.

ENTENDENDO MERCADOS

Tudo isso nos proporciona, na visão de processo de mercado, uma compreensão sensível dos fenômenos de mercado que vai significativamente além do escopo da economia de equilíbrio. A visão do processo de mercado concentra-se nos incentivos oferecidos pelas condições de mercado de desequilíbrio para aquelas descobertas que se somam a tendências sistemáticas de equilíbrio. Considera que esses incentivos atraem continuamente a atenção de concorrentes potencialmente novos; reconhece que a atenção de tais novos concorrentes deve assumir a forma de percepção empreendedora de oportunidades de lucro exploráveis.

Essa compreensão dos mercados, então, se recusa a ver a constante agitação de mercado iniciada por competidores em disputa e inovações empreendedoras inovadoras como elementos perturbadores a serem filtrados a fim de perceber os elementos estáveis ​​subjacentes correspondentes às posições de equilíbrio de mercado. Ao contrário, a visão do processo de mercado vê nessa constante agitação de mercado os conjuntos essenciais de forças de mercado que nos permitem compreender o que está acontecendo nos mercados. Essa visão vê o aparente caos da agitação do mercado como não-caótico; pelo contrário, é nessa sequência aparentemente caótica de eventos de mercado que a ordem do mercado reside. O significado central dos movimentos que observamos continuamente nos mercados é que descobertas estão sendo feitas a respeito de lacunas de mercado negligenciadas. Cada oportunidade negligenciada constitui, ao mesmo tempo, (a) uma característica de desequilíbrio no mercado, e (b) uma oportunidade explorável de lucro puro. É o incentivo oferecido sob a forma de lucro puro que inspira e motiva aquelas descobertas empreendedoras que tendem a corrigir características anteriores de desequilíbrio.

Certamente, a visão do processo de mercado reconhece enfaticamente que, a qualquer momento, o mercado ainda não eliminou todas as características de desequilíbrio – se não por outra razão que não a circunstância de mudar continuamente os VSs. Mas essa visão também insiste que reconheçamos o caráter das forças em todos os momentos impingindo-se ao mercado – forças inspiradas pelo alerta empreendedor em relação a oportunidades de lucros puros.

Esta forma de entender o mercado aplica-se, mutatis mutandis, tanto a curto como a longo prazo. Oportunidades de lucro puro podem se oferecer em três formas distintas, que compartilham em comum a aplicabilidade dos insights dos parágrafos anteriores. Lucro puro pode ocorrer (a) como resultado de arbitragem pura, comprando e vendendo simultaneamente a preços diferentes; b) como resultado da “arbitragem intertemporal”, comprar um item a um preço baixo e vendê-lo mais tarde a um preço mais alto; e (c) como resultado de um ato criativo de produção, comprando recursos a preços baixos e vendendo um produto criado de forma inovadora a partir deles a um preço alto. Em cada um desses casos, o lucro puro ocorre porque o mercado não estava totalmente ajustado às possibilidades que ele próprio continha (ou oportunidades imediatamente atingíveis ou possibilidades passíveis de serem atingidas). A possibilidade de ganhar lucro puro motiva o alerta dos empreendedores e inspira decisões criteriosas e criativas para superar a ignorância inicial de que essas possibilidades são a contrapartida do mercado. A prontidão empreendedora que percebe possibilidades de arbitragem pura hoje é fundamentalmente similar àquela que prescientemente prevê as possibilidades de lucro a serem obtidos através da arbitragem intertemporal. E é analiticamente paralelo, pelo menos, àquele estado de alerta para as possibilidades que podem ser abertas por meio da inovação que inspira a criatividade e inventividade dos produtores empreendedores. A agitação do mercado que expressa esse tipo de alerta empreendedor é de um único padrão. Os tipos de processos de equilíbrio que esses respectivos tipos de agitação de mercado iniciam alcançam ajustes correspondentes na alocação de recursos e de produtos. A arbitragem pura tende a garantir a exploração de todas as oportunidades disponíveis para troca mutuamente lucrativa; a arbitragem intertemporal tende a evitar a alocação intertemporal “perdulária” (e, portanto, quando justificado, construir a estrutura ótima de capital); o empreendedorismo exercido na produção inovadora tende a gerar progresso tecnológico. Entender as conquistas do processo de mercado dessa forma não deve, mais uma vez, nos cegar para as possibilidades de fracassos empresariais. Perdas puras, em vez de lucros puros, podem surgir e surgem. O processo de mercado que delineamos oferece uma tendência sistemática, em vez de uma trajetória semelhante a uma máquina infalível. Além disso, a certeza que sentimos em relação à tendência geral do processo de mercado é claramente dependente da taxa em que as mudanças imprevistas nos VSs atingem o mercado. Se essas mudanças fossem tão drásticas em sua volatilidade e taxa de ocorrência que inundassem o potencial de descoberta inerente ao alerta empreendedor, dificilmente poderíamos esperar que o processo de mercado se manifestasse, no mundo real, de uma maneira capaz de gerar ordem nele em face do aparente caos. A agitação do mercado, assim gerada pela mudança caótica nos VSs, poderia, assim, deixar de mostrar as tendências subjacentes à ordem que os processos empreendedores, sob condições menos extremas, colocam em movimento.

Mas a ciência econômica, desde seus primórdios, foi atracada na circunstância empírica de mercados que exibem uma certa ordem. O desafio científico tem sido, não prever uma ordem que ainda não foi observada, mas explicar a circunstância contraintuitiva da ordem de mercado observada, na ausência de controle centralizado. É ao enfrentar esse desafio que a teoria do mercado, desde Adam Smith, lutou para alcançar uma compreensão dos mercados. A abordagem do processo de mercado, totalmente alinhada a essa tradição científica, vê um avanço significativo na compreensão dos mercados como obtida a partir de insights sobre o processo de descoberta competitivo-empreendedora que constitui, nessa abordagem, o núcleo essencial dos fenômenos de mercado ao longo do tempo.

PROCESSO DE MERCADO E LIBERDADE INDIVIDUAL

A abordagem do processo de mercado permite, de fato, reconhecer que o caráter contraintuitivo dos teoremas das mãos invisíveis dos economistas sobre os mercados oculta uma descoberta ainda mais surpreendente. Não só é o caso, como a economia tradicional tem demonstrado desde Adam Smith, que a eficiência do mercado pode prevalecer apesar da ausência de direção centralizada. Acontece que a abordagem do processo de mercado mostra que tal ausência de direção centralizada é de fato necessária, se o tipo de coordenação (temos visto ser alcançável através do processo de mercado) é para ser atingido. É essa percepção que Mises e Hayek tentaram enunciar em suas exposições dos problemas de cálculo econômico ao enfrentarem os planejadores socialistas. Como foi mostrado recentemente (Lavoie 1985a), o fracasso dos economistas do pós-Segunda Guerra Mundial em apreciar a força, e até mesmo o conteúdo da posição de Mises-Hayek, tem muito a ver com o desconhecimento da visão de mercado desses economistas austríacos – talvez inconscientemente – possuíam. De uma abordagem de equilíbrio, o problema do cálculo socialista parece longe de ser insolúvel; uma vez que a visão de processo de mercado é compreendida, o problema de cálculo assume proporções muito mais formidáveis.

O problema do cálculo começa, agora entendemos, da inevitável circunstância da ignorância insuspeita. Essa ignorância, como Hayek explicou há mais de quarenta anos (Hayek, 1949b), assume a forma de informações dispersas. A questão é que, em qualquer momento, existem oportunidades para atividades de intercâmbio e produção socialmente significativas. Os ingredientes para tais oportunidades consistem em informações sobre recursos e produtos que, reunidos em uma única mente, podem apresentar oportunidades claramente identificáveis. O problema é que estes ingredientes não estão, no momento em questão, presentes a uma única mente. A principal função do sistema econômico, argumentou Hayek, não é “alocar recursos eficientemente”, mas, antes de tudo, superar o problema do conhecimento criado pela informação dispersa. A natureza desse problema de conhecimento deve, no entanto, ser claramente entendida. Nossa discussão sobre a natureza da descoberta pode ser útil nesse sentido.

O problema criado pela informação dispersa consiste, devemos manter (ver também os Capítulos 8 e 9), não na circunstância de que aqueles que possuem alguns itens relevantes de informação ignorem os itens complementares de informação, mas ignorem sua ignorância. Os membros de uma economia possuem itens de informação cujo valor potencial é bastante desconhecido para eles, porque eles não têm nenhuma pista sobre a disponibilidade de insumos complementares ou de informações complementares. Essa ignorância significa que, mesmo que os custos da pesquisa (que podem gerar as informações que faltam) sejam muito baixos, nenhuma pesquisa será realizada. Esse tipo de ignorância desconhecida, quando confrontado por planejadores centrais, não pode ser abordada sistematicamente ou deliberadamente. Os planejadores simplesmente não sabem o que procurar, não sabem onde ou de que tipo são as lacunas de conhecimento.

E é precisamente esse problema de conhecimento que a economia de mercado descentralizada aborda. A existência de ignorância desconhecida manifesta-se em mercados como oportunidades despercebidas para lucros puros. Tais oportunidades atraem a atenção dos empreendedores. É a série de descobertas estimuladas por tal alerta que constitui o processo de mercado. O que o processo de mercado alcança, então, é a coordenação sistemática de partes dispersas de informações disponíveis – mas sumindo sem se imaginar – em toda a economia.

Acontece, então, que a liberdade individual não é apenas um elemento na definição de uma economia de mercado. Acontece que a liberdade individual é aquele ingrediente nessa definição da qual depende o sucesso do processo de mercado. A liberdade individual não é uma circunstância, apesar de quais mercados funcionam; é a circunstância crucial que permite que o processo de mercado funcione. Tudo isso leva a acrescentar várias observações sobre o significado da liberdade individual.

O SIGNIFICADO DA LIBERDADE INDIVIDUAL

O processo de mercado que descrevemos depende, como vimos, do estado de alerta individual. Tal alerta, como vimos, manifesta-se principalmente através do exercício do empreendedorismo, mas de fato está presente, até certo ponto, em toda atividade individual. Nós enfatizamos a importância da entrada do empreendedorismo como força motriz no processo de mercado. Mas, de forma mais geral, esse processo depende da liberdade individual para buscar oportunidades percebidas, dentro dos limites dos direitos de propriedade, sem que obstáculos arbitrários sejam colocados em seu caminho. A ideia central, para uma compreensão da liberdade individual, está na liberdade do indivíduo de identificar por si mesmo quais são as oportunidades que ele pode se esforçar para compreender. Embora isso possa parecer óbvio e até mesmo banal, devemos notar que é apenas dentro do sistema de processo de mercado de pensar nos mercados que esse aspecto da liberdade individual se torna claramente aparente (Kirzner, 1979a: cap. 13).

Dentro de uma visão de equilíbrio da atividade econômica, realmente não há espaço para esse aspecto da liberdade. Para a visão de equilíbrio, nunca há qualquer questão de perceber oportunidades. Para essa visão, cada indivíduo é assumido, desde o início, sendo confrontado por uma série de recursos dados e uma série ordenada de objetivos dados. Sua tarefa de decisão é meramente a de calcular a disposição de seus recursos de modo a maximizar o valor dos objetivos alcançados. (É claro que esta declaração da decisão sobre a visão de equilíbrio reconhece que um desses objetivos pode ser o objetivo intermediário de obtenção de informações necessárias por meio de pesquisa. Mas nós lembramos de que, sob esse ponto de vista, não há espaço para surpresa ou descoberta.) A liberdade, sob essa concepção da decisão individual, não pode significar mais do que a própria função de preferência do tomador de decisão, e de ninguém mais, que determina a classificação relevante de objetivos. Mas a visão do processo de mercado que articulamos aponta para uma característica muito mais fundamental da liberdade, uma característica que os filósofos sempre entenderam, mas que os economistas, sob a cegueira imposta pela teoria do equilíbrio, parecem ter perdido de vista. Esta característica é que o indivíduo livre tem a liberdade de decidir o que é que ele vê. Ele é livre para fazer suas próprias descobertas (e, claro, para cometer seus próprios erros empresariais). O significado dessa característica da liberdade, para uma discussão do significado da liberdade do processo de mercado, não é difícil de discernir. O que um mercado livre faz é oferecer aos seus participantes incentivos para fazer descobertas lucrativas. Esta característica central do livre mercado tem duas implicações para a liberdade individual. Primeiro, como já foi observado, é capaz de aproveitar a liberdade individual para gerar o processo de descoberta sistemática que é a base para as propriedades de coordenação do mercado. Segundo, ao oferecer o incentivo de oportunidades de lucro puro para alertar os participantes do mercado,[5] o mercado está proporcionando uma saída através da qual um elemento essencial da liberdade individual pode ser expresso e exercido. Se a liberdade inclui, em um sentido importante, a liberdade de reconhecer oportunidades até então despercebidas, e se, como argumentado, a capacidade de reconhecer oportunidades depende vitalmente da capacidade de obter benefícios para si de tais oportunidades, então apenas um sistema que permita agarrar as oportunidades de ganho é capaz de fornecer espaço para liberdade (exceto o tipo de liberdade desfrutado por Robinson Crusoé).

Não só é, então, o caso de que o funcionamento dos mercados depende da liberdade humana: acontece que apenas no contexto dos mercados livres existe um espaço genuíno para a liberdade humana na sociedade. Para a elucidação de ambas as conclusões, vimos, uma compreensão dos mercados em termos da visão de processo de mercado tem sido o indispensável degrau intelectual.

Notas

[1] Este capítulo baseia-se livremente em ideias desenvolvidas em trabalhos anteriores do autor. Veja especialmente Kirzner (1973, 1978, 1979a, 1985a). Essas ideias têm suas raízes na escrita de Ludwig von Mises e Friedrich A. Hayek.

[2] Para uma discussão do trabalho de E.H. Chamberlin a este respeito, ver Kirzner (1973: 114).

[3] Para um exemplo inicial dessa preocupação, ver Hayek (1949c). Para um exemplo mais recente, veja Fisher (1983).

[4] Para uma versão extrema deste ponto de vista, ver Stigler (1982).

[5] Deve-se notar que tais oportunidades estão amplamente disponíveis como parte do ambiente econômico relevante não apenas para os empresários puros, mas para todos os participantes do mercado.