Competição como processo de descoberta

Também vale a pena mencionar, a esse respeito, que quanto mais as oportunidades disponíveis de um país permanecem inexploradas, maiores são suas oportunidades de crescimento; isso geralmente significa que uma alta taxa de crescimento é mais um sinal de más políticas no passado do que de boas políticas no presente. Parece também que, em geral, não se pode esperar que um país já altamente desenvolvido tenha uma taxa de crescimento tão alta quanto um país cujo uso total de seus recursos há muito tempo se tornou impossível por barreiras legais e institucionais.

Economia e Conhecimento

A ambiguidade do título deste artigo não é acidental. Seu tema principal é, obviamente, o papel que os pressupostos e as proposições acerca do conhecimento, possuídos pelos diferentes membros da sociedade, desempenham na análise econômica. Mas isto não está, de forma alguma, desconectado da outra questão que poderia ser discutida sob o mesmo título – a questão de em que medida a análise econômica formal transmite qualquer conhecimento a respeito do que ocorre no mundo real.

O significado da competição

A lição prática de tudo isso, penso eu, é que devemos nos preocupar muito menos com a questão de saber se a competição em um determinado caso é perfeita e se preocupar muito mais com a existência de concorrência. O que nossos modelos teóricos de indústrias separadas ocultam é que, na prática, um abismo muito maior divide a competição da falta dela do que a competição imperfeita. Ainda a tendência atual na discussão é ser intolerante sobre as imperfeições e ficar em silêncio sobre o impedimento da concorrência.

O uso do conhecimento na sociedade

O problema de que estamos tratando aqui de forma alguma diz respeito exclusivamente à economia, pois ele surge junto com quase todos os outros verdadeiros fenômenos sociais, com a linguagem e boa parte da nossa herança cultural, constituindo de fato o problema central de toda ciência social. Como Alfred Whitehead disse, em relação a outra coisa, "Um truísmo profundamente falso, repetido por todos os manuais e nos discursos das pessoas eminentes, diz que devemos cultivar o hábito de pensar sobre o que estamos fazendo. O oposto é que é verdadeiro. A civilização progride quando aumentamos o número de trabalhos importantes que podemos realizar sem pensar neles".

Os intelectuais e o socialismo

Em todos os países que adotaram o socialismo, a fase do desenvolvimento em que o socialismo se torna uma influência determinante na política foi precedida por muitos anos por um período durante o qual os ideais socialistas governavam o pensamento dos intelectuais mais ativos. Na Alemanha, esse estágio havia sido alcançado no final do século passado; na Inglaterra e na França, na época da Primeira Guerra Mundial. Para o observador casual, pareceria que os Estados Unidos haviam chegado a essa fase após a Segunda Guerra Mundial e que a atração de um sistema econômico planejado e dirigido é hoje tão forte entre os intelectuais americanos quanto entre os seus colegas alemães ou ingleses. A experiência sugere que, uma vez que esta fase tenha sido alcançada, é apenas uma questão de tempo até que as visões agora mantidas pelos intelectuais se tornem a força governante da política.

A pretensão do conhecimento

Os fenômenos essencialmente complexos — como são as estruturas sociais — apresentam, porém, problemas específicos que me levam a reformular em termos mais gerais não só as razões pelas quais é maior, para esses campos, o número de obstáculos intransponíveis quando se deseja prever determinados acontecimentos, mas também os motivos que nos levam a agir como se tivéssemos conhecimento científico suficiente para superar tais obstáculos, atitude que dificulta em muito o avanço do intelecto humano.