por Roderick Long

[ Anarchism and LibertarianismBrill’s Companion to Anarchism and Philosophy – Tradução de Giácomo de Pellegrini ]

Introdução

“Libertarianismo” é entendido como um termo para uma ideologia política específica, descrito como sinônimo de anarquismo e, mais precisamente, o anarquismo comunista de Joseph Dejacque (1821-1864), cujo uso de “libertaire” nesse sentido data de 1857[1] – embora os anarquistas individualistas também tenham adotado o termo.[2] Atualmente, no entanto, o termo “libertarianismo” é frequentemente associado, principalmente nos países de língua inglesa, a um movimento que defende mercados livres, propriedade privada e laissez-faire econômico, geralmente repousando ou na eficiência do sistema de preços como coordenando planos individuais[3] ou então, sobre um princípio ético de autopropriedade ou não-agressão[4], que é levado a definir direito individuais contra interferência externa forçada nas pessoas e propriedade (justamente adquirida). É nesse sentido que o termo “libertário” será empregado aqui. (Atualmente, o francês, na verdade, tem duas palavras correspondentes ao libertário inglês: “libertaire“, que significa anarquista, particularmente um anarquista de esquerda e “libertarien“, para o defensor do livre mercado.) É com a relação do libertarianismo (no sentido de livre mercado) ao anarquismo que esse capítulo diz respeito.

Embora às vezes considerado uma forma de conservadorismo, o libertarianismo difere das versões típicas do conservadorismo ao endossar uma ampla gama de liberdades sociais e, assim, opõe-se, por exemplo, a leis sobre drogas, leis de censura, leis que restringem a atividade sexual consensual e similares. (Libertários, geralmente, embora nem sempre, diferem dos conservadores típicos sendo também opositores ao intervencionismo militar.)

Os libertários veem seu apoio à liberdade social e seu apoio ao livre mercado como dois lados do mesmo princípio: a liberdade do indivíduo de fazer o que escolher com sua própria vida e propriedade, desde que respeite o direito de outros de fazer o mesmo do seu jeito.

A maioria dos libertários defende um estado mínimo ou “vigia noturno”, com funções limitadas à proteção dos direitos negativos dos indivíduos contra interferências e, consequentemente, são conhecidos como “minarquistas”. Mas uma minoria grande e cada vez mais proeminente de libertários prefere dispensar totalmente o Estado, deixando a função de proteção de direitos ao mercado competitivo. Esses libertários normalmente reivindicam o título de anarquista, especificamente “anarcocapitalista”(às vezes “ancap” para abreviar)[5]. Sua relação com o movimento anarquista mais amplo é repleta de controvérsia, uma vez que esse movimento tradicionalmente se opunha ao capitalismo, e às vezes até via a oposição ao capitalismo como um componente essencial do anarquismo. Anarquistas sociais, em particular, estão fortemente inclinados a negar o status do anarcocapitalismo como uma forma de anarquismo: os libertários frequentemente desejam retribuir o favor, negando o termo “libertário” a quem rejeitar o livre mercado.

Os libertários podem ser anarquistas?

Muitos dos principais motivos pelos quais os anarquistas sociais questionam os anarquistas do anarcocapitalismo bona fides (na boa fé) estão disponíveis na internet em An Anarchist FAQ, editado por Iain McKay.[6] As acusações principais são duas. A primeira é que os anarcocapitalistas são apenas pseudo-anarquistas porque eles não rejeitam verdadeiramente o Estado – uma vez que as agências de proteção concorrentes que geralmente defendem são como mini-Estados. Os anarcocapitalistas negariam isso com o argumento de que um Estado deve ser um monopólio territorial; mas muitos anarquistas sociais responderia que uma agência de proteção não territorial ainda seria basicamente um Estado sendo condenável pelos mesmos motivos.

A segunda acusação é que, mesmo que os anarcocapitalistas sejam considerados antigoverno, o anarquismo é “mais do que apenas oposição ao governo”, mas também envolve “oposição ao capitalismo”.[7] Mais amplamente, John Clark descreve a “essência do anarquismo” como “não a oposição teórica ao Estado, mas a luta prática e teórica contra a dominação”, que “não para com uma crítica à organização política”, mas condena ainda “a natureza autoritária da desigualdade econômica e da propriedade privada, estruturas econômicas hierárquicas, educação tradicional, família patriarcal, discriminação racial e de classe e papeis rígidos de sexo e idade”.[8] Embora os anarcocapitalistas também tipicamente se oponham a algo mais do que o Estado (uma vez que se opõem a todas as violações do princípio de não-agressão, seja por agentes estatais ou particulares), normalmente tomam as formas de dominação na lista de Clark como legítimas, embora não sem exceção, ou num sentido mais fraco de violações de direitos e, portanto, alvos não permitidos de interferência forçada, ou num sentido mais forte de não ser problemático, mesmo em termos de moralidade privada.

No entanto, a estratégia de exclusão por definição enfrenta um problema. Muitas das características do anarcocapitalismo para as quais os anarquistas sociais apontam como motivos de exclusão das fileiras anarquistas parecem ser compartilhadas por anarquistas individualistas em geral – incluindo Benjamin Tucker (1854-1939) e Lysander Spooner (1808-1887), decanos do movimento anarquista individualista americano do século XIX. Embora os anarquistas sociais tenham muitas discordâncias com a tradição anarquista individualista, geralmente não desejam ler anarquistas individualistas como fora do movimento, e geralmente consideram Tucker e Spooner, em particular, como anarquistas genuínos. E a maioria dos anarquistas individualistas se assemelha aos libertários em seu entusiasmo pela propriedade privada e pelo livre mercado. (Max Stirner, o exemplo supostamente paradigmático, mas na verdade razoavelmente periférico do anarquismo individualista, é uma exceção.)[9] De fato, o anarquismo individualista é uma das duas principais influências no anarcocapitalismo (o outro sendo o liberalismo clássico); e muitos anarcocapitalistas se consideram parte da tradição anarquista individualista.

Embora os anarquistas sociais sejam rápidos em distinguir entre anarcocapitalistas e anarquistas individualistas, seus motivos para excluir o primeiro parecem frequentemente se aplicar ao segundo. Assim, no que diz respeito à acusação de que agências de proteção concorrentes são como Estados, muitos dos anarquistas individualistas a quem os anarquistas sociais concedem o título de “anarquista”, incluindo Tucker e Spooner, também defenderam alguma forma de agências de proteção concorrentes[10] e até Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), inspiração para anarquistas sociais e anarquistas individualistas, defendeu a provisão privada de serviços policiais.[11] Se tais posições não desqualificam o anarquismo desses pensadores, pode-se perguntar por que posições semelhantes devem desqualificar o anarquismo dos anarcocapitalistas.

A resposta dos anarquistas sociais, tipicamente, é que se essas instituições são consistentes com o anarquismo ou não, depende se elas são concebidas como implementadas em um contexto capitalista ou anticapitalista.[12] A primeira acusação (anarcocapitalistas não rejeitam o Estado) acaba assim repousando na segunda acusação (anarcocapitalistas não rejeitam o capitalismo, enquanto os anarquistas individualistas o fazem); e então a questão do que conta como anarquista é adicionada a questão do que conta como capitalista.

O que é, então, o capitalismo? Muitos anarcocapitalistas consideram o termo “capitalismo” intercambiável com “livre mercado”[13]; por outro lado, os anarquistas individualistas (aqueles reconhecidos como anarquistas pelos anarquistas sociais) geralmente defendem o que chamam de “livre mercado” enquanto se opõem ao que chamam de “capitalismo”[14]. Até que ponto, então, o “capitalismo” defendido pelo primeiro é o mesmo que o “capitalismo” oposto pelo último? Presumivelmente, nenhuma tradição deve ser excluída do anarquismo meramente por diferença terminológica. Consequentemente é vital determinar quais diferenças entre os grupos são terminológicas e quais são substantivas – reconhecendo que deva existir um pouco de cada (já que disputas puramente terminológicas e puramente substanciais são raras em disputas ideológicas), e que a combinação exata entre as duas pode variar de um indivíduo pensador para outro.

A seção sobre anarcocapitalismo do Anarquist FAQ define “capitalismo” em um ponto como “exploração e propriedade privada”; em outro como “juros, aluguéis e lucros” e outro como uma “economia marcada pelo trabalho assalariado, proprietários, bancos e bolsas de valores e, portanto, hierarquia, opressão e exploração”. Essas definições não são por nenhum meio equivalentes; além disso, nenhuma delas traça uma linha clara entre os dois grupos de maneira desejada. Os anarquistas individualistas anticapitalistas também defenderam a propriedade privada de alguma forma; alguns deles, como Tucker, adotaram um padrão de ocupação e uso da propriedade da terra e se opunham aos juros e aluguel[15], mas outros, como Spooner, adotaram uma visão mais lockeana da propriedade fundiária e defenderam o juros e o aluguel.[16] Os individualistas anticapitalistas defendiam o setor bancário, também – não em sua forma atual, com certeza, mas os anarcocapitalistas geralmente também se opõem aos bancos em sua forma atual. Os individualistas anticapitalistas se opunham ao sistema assalariado (isto é, uma ordem social em que uma classe não tem escolha senão servir como trabalho contratado para outra classe), mas não necessariamente o trabalho assalariado per se;[17] e há anarcocapitalistas que também se opuseram ao sistema assalariado.[18] Nem todos os anarcocapitalistas defendem agências de proteção ou algo do tipo, já que alguns são pacifistas e rejeitam inclusive a força defensiva.[19] Anarcocapitalistas de vários tipos podem ser vistos defendendo a propriedade comum[20], o reconhecimento de reivindicações de terras indígenas[21] e os trabalhadores controlando empresas privilegiadas.[22] É difícil encontrar qualquer critério que classifique inequivocamente anarquistas pró-mercado em ovelhas e cabras da maneira que os anarquistas sociais buscam.

Isso não é para negar que, no geral, aqueles que se denominam anarcocapitalistas ou que estão inseridos nessa tradição são mais propensos a endossar características hierárquicas das economias existentes, incluindo mercados de trabalho oligopolistas, do que os anarquistas individualistas, os quais os anarquistas sociais consideram como anarquistas genuínos. De fato, se os anarquistas sociais tendem a exagerar a distância entre anarcocapitalistas e individualistas anticapitalistas, os anarcocapitalistas, por sua vez, tendem a subestimá-la. Lembre-se da lista de John Clark das formas de dominação as quais os verdadeiros anarquistas se opõem: “a natureza autoritária da desigualdade econômica e da propriedade privada, estruturas econômicas hierárquicas, educação tradicional, família patriarcal, discriminação de classe e raça e papeis rígidos de sexo e idade”. Enquanto os anarquistas individualistas anticapitalistas geralmente discordam da inclusão da propriedade privada nessa lista[23], a maioria deles concorda em se opor aos outros fenômenos listados, enquanto a maioria dos anarcocapitalistas autodescritos não concorda.

Mesmo assim, a discordância entre anarcocapitalistas e individualistas anticapitalistas parece ser mais profunda para os anarquistas sociais do que para os próprios individualistas anticapitalistas. Em um trabalho inicial de Voltairine de Cleyre (1866-1912) e Rachelle Yarros (1869-1946), ambas na época identificando-se como anarquistas individualistas, as autoras reconhecem que sua posição, apesar de sua oposição ao monopólio da classe capitalista dos meios de produção, ainda parecerá aos anarcocomunistas como “anarquismo capitalista” (provavelmente a ocorrência mais antiga de tal frase), e elas respondem que não têm objeção de serem rotuladas assim por sua posição, considerando a mera terminologia como “indiferente”.[24] Benjamin Tucker, por sua vez, previu que o anarquismo minaria a exploração capitalista, mas ele viu a conexão entre os dois como causal em vez de definitiva, e deixa claro que se tivesse que escolher entre liberdade individual e uma distribuição mais equitativa da riqueza, ele escolheria a liberdade – desde que o que o anarquismo faça pela liberdade seja suficiente para justificar, apesar dos efeitos econômicos, embora este último seja necessário para torná-lo totalmente inspirador.[25] Ou, em sua frase mais sucinta em outro lugar: “Igualdade, se pudermos obtê-la, mas liberdade de qualquer forma!”[26] Ao se opor aos juros, Tucker notou que “não tinha nada contra os juros além do que os juros não podem surgir (exceto esporadicamente) sob condições livres”, e que deixaria de se opor aos juros se pudesse estar convencido “de que os juros podem persistir onde prevalece a livre concorrência”.[27]

E, como Tucker esperava e previa, os mercados genuinamente livres minariam as instituições capitalistas, mas não condicionou seu apoio ao laissez-faire à precisão dessa previsão, de modo que a maioria dos anarcocapitalistas espera e prevê que as instituições capitalistas persistirão em mercados genuinamente livres, mas da mesma forma não condicionam seu apoio ao laissez-faire à precisão dessa previsão. Por exemplo, o anarcocapitalista Stephan Kinsella escreve: “se estabelecermos uma ordem de propriedade privada, e uma sociedade de ajuda mútua, cooperação ou qualquer coisa prevalecer – por mim tudo bem. Eu simplesmente não acredito que isso vá acontecer”.[28]

Quando duas escolas de pensamento concordam em abolir o Estado e em consagrar a liberdade individual, sendo que uma delas espera que algo aconteça abolindo as instituições capitalistas, mas está disposta a aceitar o resultado, mesmo esse algo não acontecendo, e a outra espera que a abolição mantenha e amplie as instituições capitalistas, mas está igualmente disposta a aceitar se isso não acontecer, é difícil de interpretar suas discordâncias entre uma ser anarquista e outra ser não-anarquista, ao invés de uma discordância entre uma escola anarquista e outra.

Reconhecendo a continuidade do anarquismo individualista com o liberalismo clássico, Tucker chamou ele mesmo e seus colegas como “destemidos democratas jeffersonianos” e seu programa “a execução lógica da doutrina de Manchester” – embora acusando os liberais de Manchester de serem “inconsistentes” em defender “a liberdade de competir com o trabalhador para reduzir seus salários”, mas não a “liberdade de competir com o capitalista, a fim de reduzir sua usura”.[29] Tucker também saudou pensadores liberais clássicos antiestatistas como Auberon Herbert (1838 a 1906), Wordsworth Donisthorpe (1847-1914) e Gustave de Molinari (1819 a 1912) – os precursores dos anarcocapitalistas de hoje – como colegas anarquistas, apesar de sua visão capitalista sobre aluguel, lucro, juros e o sistema assalariado.[30] De fato, os únicos pensadores antiestatistas que Tucker se recusou a reconhecer como companheiros anarquistas eram os anarcocomunistas[31], embora a maioria dos anarquistas individualistas não o tenha seguido, felizmente, nessa exclusão inversa.

Pelo contrário, anarquistas individualistas anticapitalistas contemporâneos como Kevin Carson recorrem prontamente a pensadores libertários do livre mercado, como o anarcocapitalista Murray Rothbard (1926-1995) e o minarquista Chris Matthew Sciabarra, e pensadores anarquistas sociais anti-mercado como Peter Kropotkin (1842-1921) e David Graeber. Embora concordando com Iain McKay que “o anarcocapitalismo mainstream é um afastamento bastante radical do anarquismo clássico”, Carson se opõe a ir “até o ponto em que se diz que os ancaps não são anarquistas”, já que “o anarcocapitalismo não é uma categoria fechada” os “limites entre os ancaps e outros anarquistas são bastante embaçados” e existem “limites ancaps inclinados à esquerda influenciados por linhas anticapitalistas do liberalismo clássico”.[32] Ao defender um padrão de ocupação e uso da terra, Carson acredita que uma abordagem mais lockeana, mesmo o lockeanismo incondicional defendido pelos anarcocapitalistas rothbardianos, se aplicado de maneira consistente, ainda produziria uma redução drástica no poder dos proprietários.[33]

Outra anarquista individualista anticapitalista contemporânea, Anna Morgenstern, sustenta que a visão de que “os anarcocapitalistas não são realmente anarquistas porque o anarquismo implica o anticapitalismo” é “realmente ao contrário”, uma vez que “desejam genuinamente eliminar o Estado, ‘anarcocapitalistas’ são anarquistas, mas não são realmente capitalistas, por mais que queiram reivindicar que são”- porque sem o Estado, “a massa […] a concentração de capital é impossível” e, portanto, consequentemente é uma “escravidão assalariada”, sem a qual “não há nada que a maioria das pessoas reconheça como ‘capitalismo'”.[34] Por conseguinte, contrariamente à prática social anarquista de colocar o “anarco” no “anarcocapitalismo” entre aspas temerosas, Morgenstern coloca o “capitalismo” nessas aspas.

Se alguém considera um determinado pensador um mero herege ou um verdadeiro infiel – i.e, um dissidente dentro da caixa ou alguém de fora da caixa – geralmente depende do grau de distância ou desvio desse pensador em relação à própria posição. Como os individualistas anticapitalistas se enquadram entre anarquistas sociais e anarcocapitalistas em termos de similaridade doutrinária, não é de surpreender que (a) os anarquistas sociais devem estar inclinados a tratar os individualistas anticapitalistas como camaradas errantes e os anarcocapitalistas como estranhos; (b) os anarcocapitalistas também devem estar inclinados a tratar os individualistas anticapitalistas como camaradas errantes e os anarquistas sociais como estranhos; e (c) os anarquistas individualistas anticapitalistas devem estar inclinados a tratar tanto os anarquistas sociais quanto os anarcocapitalistas apenas como camaradas errantes, não como estranhos. Dadas minhas próprias simpatias pela posição anarquista individualista anticapitalista, minha preferência por (c) não é surpreendente.

Mas mesmo os anarquistas sociais nem sempre foram tão hostis ao libertarianismo de livre mercado quanto McKay e seu Anarchist FAQ. Murray Bookchin (1921-2006), por exemplo, declarou em 1979 que todos os que “resistem à autoridade” e “defendem os direitos do indivíduo” sejam “anarcocomunistas, anarcossindicalistas ou libertários que acreditam em livre iniciativa”,  representam a “verdadeira esquerda”, a quem ele se sentiu “muito mais próximo ideologicamente” do que “esquerdistas totalitários e marxistas-leninistas”, acrescentando que o que os anarcocapitalistas advogam é de fato “não o capitalismo”.[35] (A atitude de Bookchin em relação aos anarcocapitalistas foi um pouco menos amigável mais tarde em sua vida; mas isso porque sua atitude em relação aos anarquistas de praticamente todas as variedades era um pouco menos amigável mais tarde em sua vida.)

A atitude de Noam Chomsky em relação ao anarcocapitalismo está em algum lugar entre McKay e Bookchin. Chomsky considera impossível o “contrato livre” sob condições de poder corporativo e extrema desigualdade socioeconômica, e, portanto, considera que o anarcocapitalismo, “se alguma vez implementado, levaria a formas de tirania e opressão que têm poucas contrapartidas na história humana”; no entanto, observa que “ninguém é dono do termo ‘anarquismo'”, reconhece que ele “está de acordo substancial com pessoas que se consideram anarcocapitalistas em toda uma gama de questões” e “admira seus compromissos com a racionalidade”.[36] (É claro que um anarquista individualista anticapitalista argumentaria que a desigualdade socioeconômica e o poder corporativo para os quais Chomsky aponta são em grande parte o produto da intervenção do Estado, em vez de mercados livres, e, portanto, não se deve esperar que isso implique em qualquer implementação realista dos ideais dos anarcocapitalistas, o que os próprios anarcocapitalistas esperam).[37] E David Graeber, que é extremamente desdenhoso do libertarianismo, e convencido de que uma sociedade anarquista não teria trabalho assalariado e não se pareceria muito com um mercado, mesmo assim notou, num espírito um tanto parecido com Tucker: “Mas quem sabe, talvez eu esteja errado. Estou menos interessado em elaborar a arquitetura detalhada de como seria uma sociedade livre do que em criar as condições que nos permitiriam a descobrir.”[38]

Se a posição anarquista individualista anticapitalista estiver correta, a tendência dos anarcocapitalistas de assumir que o livre mercado genuíno seria dominado por instituições capitalistas conhecidas, como o poder corporativo e o sistema assalariado (uma tendência, deve-se notar, geralmente compartilhada com os anarquistas sociais) é um fracasso, então sua tendência à complacência com esse suposto resultado (uma tendência não compartilhada com os anarquistas sociais) também é um fracasso. Mas essas falhas são tão maiores do que, por exemplo, a misoginia, o antissemitismo e a homofobia de Proudhon, que eles licenciam ao desconsiderar os anarcocapitalistas, mas não Proudhon, do movimento anarquista? Todas as complicações e nuances das teorias relevantes devem ser achatadas em um muro de separação entre duas caricaturas? E os anarquistas sociais, ao invés dos anarquistas individualistas, reivindicam a autoridade para decidir o que é ou não uma variedade de anarquismo individualista – como um muçulmano tentando convencer os episcopais a não reconhecer os mórmons como verdadeiros cristãos?

John Clark escreveu (em outro contexto, mas acho que suas palavras se aplicam aqui, independente se o próprio Clark concordaria ou não):[39]

A ideia de que existe um “abismo intransponível” entre dois pontos de vista que compartilham certos pressupostos e objetivos comuns e cujas práticas estão, de certa forma, inter-relacionadas, é um pouco suspeita desde o início. Enquanto o pensamento não dialético apenas opõe uma realidade a outra de uma maneira abstrata, ou as coloca inerte uma ao lado da outra, uma análise dialética examina as maneiras pelas quais várias realidades se implicam, se constituem, se desafiam a identidade uma da outra, e empurram um ao outro para os limites de seu desenvolvimento. Consequentemente, uma qualidade importante dessa análise é que ela ajuda as pessoas com pontos de vista divergentes a ver as maneiras pelas quais suas posições não são mutuamente exclusivas, mas podem ser mutuamente realizadas em um desenvolvimento adicional de cada uma.[40]

Na minha opinião, o anarcocapitalismo é melhor compreendido como um subconjunto do anarquismo individualista, que por sua vez é um subconjunto do libertarianismo (no sentido de livre mercado) e do anarquismo.[41]

Anarquismo libertário no século XIX

A viabilidade de uma sociedade apátrida surge como um tema no liberalismo clássico pelo menos desde o Second Treatise of Government de John Locke (1632-1704), em 1689.[42] Os defensores da monarquia absoluta, como Thomas Hobbes (1588-1679), sustentavam que uma sociedade sem um Estado seria tão caótica que virtualmente qualquer Estado, por pior que seja, é melhor que nenhum, com o remate de que rebeliões contra a autoridade estabelecida, dado o perigo que representam de desencadear o colapso do Estado, devem ser rigorosamente evitadas.[43] Locke, defensor e participante parcial de uma rebelião desse tipo (a Revolução Inglesa de 1688), argumentou em resposta que uma sociedade sem Estado, embora severamente abaixo do ideal, poderia exibir segurança suficiente e ordem para ser preferível ao absolutismo, considerando a revolta contra um governo absoluto menos arriscada do que Hobbes supunha. Um século depois, em Wealth of Nations de 1776, a descrição da “mão invisível” de Adam Smith (1723-1790) sobre o surgimento e manutenção da ordem social por meio de incentivos de mercado sem orientação de cima para baixo ajudou a sustentar a hipótese da viabilidade de uma sociedade sem Estado.[44] Assim, Locke e Smith, principais precursores do movimento libertário de hoje, ajudaram a abrir a porta para uma versão de anarquismo de propriedade privada, mesmo que nenhum deles estivesse preparado para atravessá-la.

Nós também encontramos especulações de Thomas Jefferson (1743-1826), de 1787, de que uma sociedade “sem governo” poderia muito bem ser a “melhor solução” se não fosse “inconsistente com um grande grau da população”[45]; aqui a influência do Second Discourse[46] de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) também pode ser o motivo, embora sua atitude em relação ao comércio fosse mais alinhada a Locke e Smith do que a Rousseau (demonstrado pelo entusiamo de Jefferson pelo economista a favor do laissez-faire Desttut de Tracy (1754-1836), recentemente descrito como “o primeiro libertarian“[47], dois de seus trabalhos foram traduzidos pessoalmente por Jefferson).[48]

Em 1792, a porta do mercado anarquista foi ainda mais aberta por Thomas Paine (1737-1809) na Parte 2 de seu Rights of Man; Com base em Locke e Smith, Paine desenvolveu uma imagem mais otimista de uma sociedade sem Estado do que qualquer outro. A maior parte da “ordem que reina entre a humanidade”, sustentava Paine, “não é efeito do governo”, em vez disso surge dos “princípios da sociedade e constituição natural do homem “, mantida por uma combinação de “interesses recíprocos” e “afeições sociais”. A “segurança dos indivíduos e do todo” depende muito mais da “circulação incessante
de interesses” do que em “qualquer coisa que até o melhor governo instituído possa realizar”, uma vez que “a sociedade realiza por si mesma quase tudo o que é atribuído ao governo”. Assim, “o governo faz apenas uma pequena parte da vida civilizada” e “quanto mais perfeita a civilização, menor a ocasião para um governo”; de fato, a ordem social “existia antes do governo e existiria se a formalidade do governo fosse abolida”[49] – em apoio ao que afirma, Paine aponta para a manutenção bem-sucedida de ordem nas colônias americanas durante a Revolução, quando os governos britânicos foram suspensos e os novos governos ainda não estavam bem estabelecidos.[50] Paine não passou por essa porta, considerando o governo necessário para “fornecer os poucos casos em que sociedade e civilização não são convenientemente competentes”; mas certamente fez com que as perspectivas de uma ordem social sem Estado e baseada no mercado parecessem atraentes e práticas, e de fato exerceu uma grande influência sobre William Godwin (1756- 1836), frequentemente descrito como o primeiro anarquista moderno – mesmo Godwin não compartilhando com a ênfase de Paine nos incentivos do mercado.[51] (Godwin, de fato, ajudou a publicar Rights of Man.)

Na mesma época, outro liberal clássico, David Hume (1711-1776), estava da mesma maneira fazendo argumentos a partir dos quais uma moral anarquista poderia ser considerada, mesmo que ele não tivesse interesse em desenhar alguma. Em Of the Original Contract[52],Hume argumenta que nenhum governo real jamais repousou em um contrato social. Seu objetivo era depreciar a teoria dos contratos sociais, mas suas conclusões resultaram em dúvidas sobre a legitimidade de todos os governos existentes. Da mesma forma, em Of the First Principles of Government[53], Hume revive (talvez sem saber) o argumento do radical renascentista Etienne de la Boetie (1530-1563)[54] que, na medida em que os governantes de qualquer sociedade são amplamente superados por aqueles que governam, todo o poder político repousa, em última análise, na aquiescência popular, e não na força. Ao contrário de La Boetie, Hume procura mostrar a não necessidade de revolução e não a facilidade; mas seus argumentos poderiam ser facilmente revertidos (como de fato foram por Godwin, que cita explicitamente Hume sobre esse ponto)[55] para estabelecer que, uma vez que a opinião popular e não a força governamental é o que mantém a ordem social, a instituição do governo é dispensável.

É no século XIX que a radicalização das ideias liberais clássicas em uma direção anarquista de mercado se manifesta. Jean-Baptiste Say (1767-1832), o principal economista do laissez-faire da França, especulou que os mecanismos de mercado poderiam um dia substituir totalmente o Estado, apesar de oferecer poucos detalhes.[56] Três dos adeptos de Say – Charles Comte (1782-1837), Charles Dunoyer (1786-1862) e Augustin Thierry (1795-1856), editores do jornal liberal radical Le Censeur (1814-1815) e seu sucessor Le Censeur Europeen (1817-1820)[57] – lideraram a ala libertária do chamado movimento “industrialista”, que esperava o estabelecimento de uma sociedade baseada no que eles chamavam de relações industriais, isto é, produção e comércio, em vez de parasitismo e força.[58] O grupo Censeur desenvolveu uma teoria da luta de classes conforme o acesso diferenciado ao poder estatal, ao contrário do acesso diferenciado aos meios de produção, essa era a chave do domínio de classe, de modo que é o próprio poder estatal que se deve opor principalmente para que a dominação de classe seja superada. (Karl Marx aponta para o trabalho de Thierry, em particular, como um precursor de sua própria teoria de classes.)[59] Embora esses autores nunca tenham pedido explicitamente a abolição do aparato estatal, sua linguagem contornava os limites de tal posição; Thierry, por exemplo, aguardava ansiosamente o dia em que “as federações substituirão os Estados” e a “tendência ao governo cederá à comunidade livre”[60], e Dunoyer se referiu aos Estados-nação de seus dias como “agregações monstruosas, formadas e tornadas necessárias pelo espírito de dominação”, profetizando que o “espírito da indústria os dissolverá” e, assim, “municipalizarão o mundo” como “centros de ação multiplicados” até que toda a humanidade constitua “um único povo unidos sem confusão e sem violência pelos mais pacíficos e mais proveitosos relacionamentos.”[61]

O primeiro pensador a usar “anarquismo” como rótulo para sua própria visão ao invés de um insulto foi Pierre-Joseph Proudhon. Proudhon argumentou a favor de associações voluntárias de trabalhadores como substitutas das empresas capitalistas e do Estado e vislumbrou um banco virtual pelo qual os trabalhadores pudessem conceder crédito um ao outro ao preço de custo, em vez de depender de bancos privilegiados. Enquanto ele cruzava espadas dialéticas com o grupo Censeur, sua possível dívida com o grupo pode ser vista em seu apelo à “dissolução do governo no organismo econômico”[62], ecoando o apelo da substituição das relações governamentais pelas industriais.

Proudhon conta como um anarquista individualista? Uma inspiração para anarquistas sociais e individualistas, Proudhon se encaixa confortavelmente em nenhuma categoria.[63] Ao contrário da maioria dos anarquistas sociais, Proudhon defende a competição do mercado. Certamente, ele se opõe à propriedade privada; mas Proudhon distingue duas formas de propriedade privada, uma forma mais absoluta que opunha (“propriedade”) e uma forma menos absoluta que defendia (“posse”)[64]; portanto, ao rotular a propriedade é um roubo, ele não está chamando de roubo as posses pessoais. Por outro lado, pelo menos nos escritos iniciais de Proudhon, a posse é ainda menos absoluta do que as ocupações de uso defendidas por proudhonianos autodefinidos como Tucker (por exemplo, sujeitas à redistribuição com mudanças na população). Mas embora inicialmente defenda a posse como uma síntese dialética dos conceitos mutualmente opostos de propriedade e comunismo, Proudhon nos anos posteriores se convence de que os opostos devem ser equilibrados um contra o outro, em vez de sintetizados, e assim abriu espaço em sua teoria para a “propriedade” no sentido anteriormente rejeitado, como contrapeso ao poder organizado da sociedade.[65]

Mais diretamente na linha de descendência intelectual de Say e do grupo Censeur era o economista belga Gustave de Molinari (1819-1912)[66]. Molinari é o primeiro pensador a descrever, em 1849, como empresas de segurança privada competindo num mercado livre poderiam substituir as funções de segurança do Estado, tornando desnecessário um Estado de monopólio territorial[67] – um modelo posteriormente desenvolvido em mais detalhes por anarcocapitalistas e individualistas anticapitalistas. Molinari concebeu a capacidade dos consumidores de mudar de provedor de segurança sem realocação geográfica como um mecanismo mais eficiente contra o crescimento do poder do que a votação sob um Estado democrático. Embora se recusasse a se chamar de anarquista, Molinari descreveu o processo pelo qual o Estado poderia ser substituído por mecanismos de mercado como “a difusão do estado dentro da sociedade”[68], um eco claro de Proudhon. Enquanto não fosse um oponente do sistema assalariado. Molinari considerava os trabalhadores sujeitos a uma desvantagem injusta no poder de barganha com os capitalistas e defendia um sistema de trocas voluntárias de trabalho para corrigir o desequilíbrio, promovendo maior mobilidade do trabalho.[69]

Um pensador possivelmente influenciado por Molinari é seu colega belga Paul-Emile de Puydt (1810-1891), que cunhou o termo “panarquia” para seu sistema proposto de regimes políticos concorrentes em um único território.[70] Outro é Anselme Bellegarrigue (1839-1869)[71], cujas ideias se assemelham a uma fusão de Proudhon, Molinari e Stirner, e cuja publicação em 1850 do Anarchy: A journal of Order aparentemente resultou na primeira vez que a palavra anarquia aparece em um título.[72] Bellegarrigue era mais hostil ao sistema assalariado do que Molinari, mas compartilhava seu entusiasmo pelo fornecimento de segurança no mercado, embora fosse mais vago quanto aos detalhes.

Do outro lado do Canal, um dos pioneiros mais importantes do anarquismo individualista anticapitalista é Thomas Hodgskin[73], que já pedia a substituição de governos por empresas privadas desde 1820.[74] Aceitando a teoria de Locke dos direitos da propriedade natural, Hodgskin argumentou que a propriedade das classes fundiária e capitalista se originou não nos métodos legítimos de Locke de homesteading (apropriação original) e comércio voluntário, mas em concessões governamentais de privilégios. A teoria de classes de Hodgskin (que, como a do grupo Censeur, influenciou Marx sem ser adotado por ele) atribui a responsabilidade pelo domínio de classe não simplesmente, como para Marx, ao acesso diferenciado aos meios de produção, também não simplesmente, como para o grupo Censeur, ao acesso diferenciado ao poder estatal, mas sim ao acesso diferenciado aos meios de produção originado pelo acesso diferenciado ao poder estatal. Abolir o Estado e deixar o laissez-faire econômico reinar fará o poder dos proprietários e capitalistas murchar.[75] Como a distribuição de propriedades que violam os direitos de propriedade lockeanos é a principal causa do crime, uma sociedade pós-governamental teria pouca necessidade de serviços de controle.[76]

O protégé de Hodgskin, Herbert Spencer, contribuiu para a tradição pró-mercado e antiestatal com seu livro Social Statics, de 1850,[77] um trabalho que influenciou tanto os anarcocapitalistas quanto os individualistas anticapitalistas, sem ser exatamente o gosto de ambos. Defendendo uma “lei da igual liberdade” (explicitamente estendida a mulheres, crianças e não brancos) como necessária para o pleno desenvolvimento das faculdades de cada indivíduo, Spencer sustentou que o governo pertence a “uma fase específica do desenvolvimento humano” e provavelmente será sucedido por “aquela em que ele será extinto”.[78] Argumentou ainda que, na medida em que apenas associações voluntárias são legítimas, qualquer indivíduo tem o direito de retirar toda sua conexão e apoio ao Estado.[79] Ao contrário de seu contemporâneo Molinari, no entanto, Spencer não previa a possibilidade de dissidentes transferirem sua afiliação para uma agência de segurança rival; No geral, Spencer esperava que a ordem em uma sociedade sem Estado fosse mantida não pelos tipos de incentivos econômicos que Molinari apelava, mas pela tendência geral da natureza humana a evoluir em direção a uma condição cada vez melhor e de mais altruísmo. De qualquer forma, a dimensão anarquista do pensamento de Spencer em Social Statics torna-se consideravelmente moderada em seus trabalhos subsequentes, e edições posteriores até excluíram o capítulo The Right to Ignore the State (O direito de ignorar o Estado).

É difícil de dizer em quê extensão Spencer se enquadra como um pensador “capitalista”. Ele rejeitou a propriedade privada da terra,[80] e insistiu na continuidade e dependência mútua entre as formas de opressão governamentais e privadas. Por outro lado, a maioria de seus pontos de vista sobre direitos de propriedade (sem contar terras) são indistinguíveis dos anarcocapitalistas. Atitudes simpáticas e antipáticas em relação aos pobres coexistem ao longo da sua obra; e enquanto Spencer nunca sustentou a visão do “darwinismo social” frequentemente é atribuído a ele, que o fraco e o menos adaptado deve se deixado para morrer para o aprimoramento da espécie, as atitudes antipáticas tendem a predominar em seus trabalhos posteriores, a tal ponto que Benjamin Tucker o acusou de “ter se tornado um campeão da classe capitalista”[81]. Por outro lado, mesmo no final de sua vida, Spencer continuou a considerar o sistema assalariado como um vestígio de escravidão e a aguardar sua substituição pelas cooperativas de trabalhadores.[82] Embora Spencer possa ter se retirado das implicações antiestatistas de seus princípios, essas implicações foram desenvolvidas ainda mais por spencerianos como Auberon Herbert e Wordsworth Donisthorpe, cujo trabalho Tucker simultaneamente saudou como anarquista e criticou (às vezes) como muito capitalista.

Do outro lado do Atlântico, Josiah Warren (1798-1874), um desertor individualista de uma das comunidades experimentais coletivistas de Robert Owen, estava estabelecendo suas próprias comunidades individualistas (Utopia, Ohio e Modern Times, Nova York) com a ajuda de seu discípulo-chefe, Stephen Pearl Andrews (1812-1886)[83]; O Peaceful Revolutionist de Warren em 1833 é frequentemente descrito como o primeiro periódico anarquista. Warren e Andrews defendiam a teoria do valor trabalho como um princípio moral (ao mesmo tempo em que propõem garantir a aderência a essa regra pela educação e pelo exemplo, e não pela força da lei), e sustentavam os princípios do “comércio equitativo” e “da soberania do indivíduo, a ser exercida às suas próprias custas.” Ambos os pensadores (mas Andrews em particular) também defendiam a igualdade racial e de gênero.

Anarquistas individualistas que seguiram seus passos, desenvolveram uma fusão de antiestatismo, abolicionismo, feminismo, amor livre, antimilitarismo e capacitação trabalhista, incluindo William Batchelder Greene (1819-1878); Ezra H. Heywood (1829-1893)[84] e sua esposa Angela (1840-1935); Moses Harman (1830-1910) e sua filha Lillian (1869-1929); Dyer D. Lum (1839-1893); Francis Dashwood Tandy (1867-1913); Clara Dixon Davidson (1851-1916); Sarah E. Holmes (1847-1929); Joseph Labadie (1850-1933)[85]; Gertrude B. Kelly (1862-1934); e, é claro, os mencionados Spooner, Tucker e De Cleyre. Muitos desses pensadores estavam associados ao diário de Tucker, Liberty (1881-1908);[86] alguns incorporavam ideias de pensadores europeus como Proudhon, Stirner e Spencer (com a “lei da igual liberdade” de Spencer e sua teoria do progresso histórico da sociedade “militar” para a sociedade “industrial” sendo especialmente popular), enquanto outros não. Esses pensadores eram, e frequentemente se chamavam “socialistas”, no sentido de exigir o controle operário da indústria; vários deles (Warren, Andrews, Greene e Spooner, por um tempo) foram até membros do ramo americano da Primeira Internacional. Mas sua concepção do que significava implementar o socialismo envolvia não a supressão, mas a emancipação dos mercados e da propriedade privada. Em contraste com Warren e Andrews, pensadores posteriores como Tucker consideraram a teoria do valor trabalho como um princípio preditivo e não normativo; em um mercado livre e competitivo, sustentavam, o custo tenderia a determinar o preço e, portanto, exigir que os vendedores cobrassem não mais do que o custo seria supérfluo. Os individualistas americanos do século XIX são abordados com mais detalhes em outras partes deste volume,[87] de modo que passarei adiante para o século seguinte.

Anarquismo libertário no século XX

O libertarianismo contemporâneo de livre mercado surgiu do renascimento do liberalismo clássico no início e meados do século XX,[88] através de pensadores como Ludwig von Mises (1881-1973), Isabel Paterson (1866-1961), Friedrich A. Hayek (1889-1992), Ayn Rand (1905-1982) e Milton Friedman (1912-2006) – pensadores que, em grande parte, não desafiavam a legitimidade do capital monopolista e do Estado.[89] Mas, assim como Locke, Smith e Paine, esses fundadores do libertarianismo moderno abriram portas pelas quais outros entrariam. A pressão colocada por economistas como Mises, Hayek e Friedman sobre a capacidade dos mercados autônomos de produzir e manter a coordenação social sem direção central ajudou a tornar uma sociedade sem Estado a parecer viável, enquanto a insistência de Rand em um princípio moral que proíbe a iniciação de força fez com que a reivindicação do Estado a um monopólio territorial coercitivo parecesse dúbia. A partir da década de 1960, um número crescente de libertários que apreciavam Mises e os escritos de Rand, como Morris e Linda Tannehill,[90] Roy A. Childs[91, David Friedman (filho mais radical de Milton Friedman)[92], Randy Barnett[93] e, mais importante, o protégé de Mises, Murray N. Rothbard[94], começaram a reviver e desenvolver a ideia de substituir o Estado por agências de proteção concorrentes.

Agências que são ineficientes, ou abusam do poder, ou que resolvem suas disputas entre agências pelo método caro de guerra, e não pelo método mais barato de arbitragem, irão se verem perdendo clientes para competidores mais civilizados; e a demanda dos clientes por políticas intrusivas ou preconceituosas diminuiria uma vez confrontada com a necessidade de pagar o custo total dessas políticas em vez de socializá-los através das urnas. Nem todos esses escritores estavam familiarizados com a história anterior de tais ideias; mas Rothbard e seus aliados estavam e tiveram um papel importante em divulgar e reavivar o interesse em pensadores como Molinari, Spooner e Tucker. Eles também apontaram exemplos históricos de sistemas jurídicos não estatais, desde a Islândia medieval até a fronteira americana, demonstrando a eficácia de um fornecimento competitivo de segurança.[95]

Na década de 1960, Rothbard e vários de seus aliados, incluindo Leonard Liggio e o ex-escritor de discursos de Goldwater, Karl Hess,[96] saudaram a Nova Esquerda emergente como uma força libertadora positiva[97] e uma alternativa bem-vinda ao militarismo liberal e conservador mainstream, e o autoritarismo burocrático da velha esquerda. Os rothbardianos traçaram uma moral de livre mercado das obras de Gabriel Kolko e de outros historiadores revisionistas da Nova Esquerda que descartaram a leitura tradicional do movimento Progressista e o sucessor New Deal como um ataque aos grandes negócios em favor dos oprimidos.[98] (Kolko argumenta que a elite corporativa são os líderes beneficiários, e são os lobistas, das legislações supostamente anti-negócios); Rothbardianos também buscaram alianças com grupos como os “Estudantes por uma Sociedade Democrática” e os “Panteras Negras”. Mas o colapso da Nova Esquerda logo mandaria Rothbard e muitos (não todos) de seus aliados a se recuperarem em uma direção severamente à direita – embora Samuel E. Konkin III e seu “Movimento da Esquerda Libertária”, com sua hostilidade ao sistema assalariado e sua estratégia anti-eleitoral e “agorista” de construir redes de iniciativas no mercado negro para substituir o Estado, manteve vivo um aspecto do período de reaproximação de esquerda/libertária.[99] Na década de 1970, o debate entre as versões minarquistas e anarquistas do libertarianismo ganhou destaque acadêmico com a publicação da obra Anarchy, State, and Utopia[100], de Robert Nozick. Nozick, um ex-membro do círculo de Rothbard, dedicou os capítulos iniciais de seu livro a uma crítica ao anarquismo ao estilo de Rothbard (embora muitos leitores, não familiarizados com a tradição libertária na qual Nozick estava trabalhando, considerou o sistema das agências de proteção concorrentes uma invenção de Nozick). Nozick argumentou que o anarquismo de livre mercado se tornaria um Estado, e poderia se tornar de forma permissível. Em nome da reivindicação preditiva, Nozick sugeriu que as agências resolveriam suas disputas através de conflitos violentos ou por arbitragem; conflitos violentos levariam as agências mais poderosas a conquistar as mais fracas, ou (se as agências fossem iguais) a dividir território entre elas e, portanto, em ambos os casos, a um ou mais Estados – enquanto a arbitragem levaria ao longo do tempo a um único sistema legal que une todas as agências e, portanto, novamente a um Estado. Em nome da alegação de permissibilidade, Nozick sustentou que uma agência de proteção dominante teria o direito de proibir concorrentes para proteger seus próprios clientes de seus procedimentos possivelmente arriscados, desde que compensasse os antigos clientes de seus concorrentes estendendo sua proteção para eles. Os anarquistas de livre mercado contestaram tanto a alegação preditiva (negando, por exemplo, que um sistema de contratos de arbitragem entre agências de proteção constitua um Estado, desde que a entrada livre seja permitida) quanto a normativa (insistindo que a mera possibilidade de procedimentos arriscados é um fundamento insuficiente para uma licença que proíba concorrentes)[101]. O debate sobreviveu a seus participantes originais e, mais recentemente, abordou a questão para saber se uma rede de agências de proteção estaria em posição de formar um cartel estável para excluir novos participantes.[102]

Nas últimas duas décadas, houve um renascimento da versão anticapitalista de um anarquismo de livre mercado, primeiramente via associações como o Center for a Stateless Society e a Alliance of the Libertarian Left – incluindo Gary Chartier, Charles W. Johnson, Sheldon Richman e, o mais influente de todos, Kevin Carson[103]. Dentro do movimento libertário, esses pensadores são geralmente chamados de “libertários de esquerda” (left-libertarians) – um dos muitos significados dessa frase.[104] A abordagem de Carson, que ele chama de “anticapitalismo de livre mercado”, representa em grande parte uma atualização da abordagem de Tucker (porém, sem a orientação ética egoísta de Tucker); em particular, Carson defende a teoria do valor trabalho (em uma versão subjetiva) e uma abordagem de uso e ocupação da propriedade da terra. Sua análise geral tem sido enormemente influente mesmo entre os individualistas anticapitalistas contemporâneos que discordam dele na teoria do valor trabalho e sobre a terra, mas concordam em considerar que a concentração dos meios de produção nas mãos da classe capitalista é um produto da intervenção do governo no mercado, e uma questão que seria dissolvida pela livre concorrência.

Grande parte do trabalho de Carson concentra-se no desenvolvimento de que as empresas grandes e hierárquica que dominam a cena econômica contemporânea são produtos da intervenção estatal. Carson observa que, embora as economias de escala recompensem aumentar o tamanho da empresa até certo ponto, os problemas do fluxo de informações em organizações grandes e hierárquicas isoladas do feedback de preços mostram que deseconomias de escala eventualmente superam as economias de escala; caso contrário, uma única empresa centralmente planejando toda a economia seria o zênite da eficiência. Em muitos casos, no entanto, a intervenção estatal permite as empresas a crescerem além do ponto externalizando os custos do aumento da escala enquanto os lucros continuam privados. Por exemplo, quando a larga escala faz uma empresa mais produtiva, isso, em geral, faz com que ela enfrente custos de distribuição mais altos, uma vez que a área sobre a qual precisa vender seus produtos se expandiu; mas subsídios de transporte (originalmente ferrovias e depois rodovias), no qual essas empresas não pagam seus impostos proporcionalmente a seu uso, permite elas a colher os benefícios da larga escala enquanto enfrenta apenas os custos associados a uma escala menor. Sem essa intervenção, empresas seriam menores, horizontais e mais numerosas e as cooperativas e as empresas individuais se tornariam alternativas viáveis ​​ao trabalho assalariado tradicional.[105] Além disso, a “abolição de patentes e marcas” significaria “o fim de todas as restrições à produção e venda de versões concorrentes de medicamentos sob patente, geralmente por apenas 5% do preço”, bem como um “fim a todas as barreiras legais que impedem os contratados da Nike na Ásia de imediatamente produzir tênis idênticos e propagandeá-los para a população local por uma pequena fração do preço.”[106]

Enquanto firmemente na tradição individualista anticapitalista do anarquismo, Carson se baseia livremente, embora não de forma não crítica, nas influências anarcocapitalistas e anarquistas sociais. Carson cunhou e popularizou a frase “libertarianismo vulgar” para se referir à tendência dentro do movimento libertário mainstream de tratar as virtudes do livre mercado como justificativa dos males do capitalismo existente. (O termo análogo “liberalismo vulgar” é aplicado à tendência da esquerda de tratar os males do capitalismo existente como fundamento para condenar o livre mercado.) Carson também abraça essas preocupações “esquerdistas”, como o feminismo interseccional e a preocupação quanto a sustentabilidade ambiental muitas vezes estranhas ao movimento libertário mainstream.

No entanto, embora seja amplamente conhecido como um crítico severo do libertarianismo contemporâneo, Carson também se considera parte dele: “como um individualista na tradição de Tucker”, escreve ele, “abraço tanto os campos libertários de livre mercado quanto os socialistas libertários”[107]. Muitos outros pensadores dessa retomada anticapitalista de livre mercado expressaram atitudes semelhantes. A recepção desse retomada entre libertários mainstream tem sido mista. Em uma edição do simpósio de 2006 da revista Libertarian Studies devotada ao primeiro livro de Carson, houve uma gama de reações desde um escritor elogiando o “impressionante trabalho” de Carson e “forte argumento de que a defesa libertária típica da moderna relação empregador/empregado pode ser bastante ingênua”[108] devido à “ignorância do desenvolvimento histórico do capitalismo” à rejeição furiosa de outro escritor como “ignorante marxista diatribe contra o capitalismo”[109]. Qualquer que seja o futuro, o renascimento do anticapitalismo de livre mercado provavelmente terá um papel importante nas relações entre os movimentos libertário e anarquista.

Notas

[1] Joseph Dejacque, De l’etre-humain male et femelle: Lettre a P.j. Proudhon (Nova Orleans: Lamarre, 1857). Dejacque começou a publicar seu próprio jornal Le Libertaire em 1858.

[2] O uso individualista do termo era comum entre os escritores do diário de Benjamin R. Tucker, Liberty (1881-1908); ver, por exemplo, “A Want Supplied“, de Tucker, Liberty 3, n. 13 (15 de agosto de 1885): 4.

[3] Ver, por exemplo, F.A. Hayek, “O uso do conhecimento na sociedade“, American Economic Review 35, n. 4 (setembro de 1945): 519-530.

[4] R.T. Long, “Nonaggression Axiom“, em The Encyclopedia of Libertarianism, ed. R. Hamowy (Thousand Oaks, Califórnia: Publications, 2008), 357-360.

[5] Muitos anarquistas de livre mercado, embora não todos, repudiam a política eleitoral em favor da educação, ação direta e construção de instituições alternativas. Os candidatos presidenciais do Partido Libertário incluíram anarquistas e minarquistas (além de indivíduos que provavelmente não eram nenhum dos dois). Ideias anarquistas de livre mercado, de variedades capitalistas e anticapitalistas, foram dramatizadas (contra e favoravelmente) em histórias e romances de ficção científica, por Eric Frank Russell, Robert A. Heinlein, C.M. Kornbluth, James Hogan, L. Neil Smith, J. Neil Schulman, Vernor Vinge, Neal Stephenson, Ken MacLeod e Naomi Kritzer, entre outros.

[6] I. McKay, ed., An Anarchist FAQ, Versão 13.4 (2010). Veja em particular a “Seção F: O “anarco”-capitalismo é um tipo de anarquismo?” e a “Seção G: O anarquismo individualista é capitalista?” Uma cópia impressa de uma versão anterior do FAQ foi publicado como I. McKay, ed., An Anarchist FAQ, 2 vols. (Oakland, Califórnia: Press, 2008-2012).

[7] Ibid., “Seção F: O ” anarco”-capitalismo é um tipo de anarquismo?”.

[8] J. Clark, The Anarchist Moment: Reflections on Culture, Nature and Power (Montreal: Black Rose Books, 1983), 70, 128.

[9] Max Stirner (1806-1856) defende a “propriedade” apenas como uma espécie de direito hobbesiano que não gera deveres correlatos nos outros. Apesar da reputação de Stirner em alguns círculos como “advogado exemplar do anarquismo individualista” S. Sheehan, Anarchism (London: Reaktion Books, 2003), p. 40], sua influência no movimento anarquista individualista é exagerada; na América do Norte, por exemplo, a maioria dos principais pensadores anarquistas individualistas não lhe devia nada, enquanto até mesmo o mais proeminente stirnerista americano, Benjamin Tucker, já havia desenvolvido amplamente seu sistema anarquista individualista antes de descobrir Stirner.

[10] Ver, por exemplo, Benjamin R. Tucker, Instead of a Book, By a Man Too Busy to Write One: A Fragmentary Exposition of Philosophical Anarchism (Nova York: B. R. Tucker, 1897); Francis D. Tandy, Voluntary Socialism: A Sketch (Denver, Colo .: F.D. Tandy, 1896); e Lysander Spooner, An Essay on the Trial by Jury (Boston: Hobart & Robbins, 1852).

[11] Pierre-Joseph Proudhon, Idee generale de la revolution au XIX siecle: choix d’etudes sur la pratique revolutionnaire et industrielle (Paris: Garnier, 1851).

[12] McKay, An Anarchist FAQ, “Seção F: O “anarco”-capitalismo é um tipo de anarquismo?”.

[13] “Capitalismo, na tradição liberal clássica, significa um mercado livre baseado em pessoas livres, isto é, trocas voluntárias de valor entre indivíduos livres”. Por Bylund, “The Trouble With Socialist Anarchism“, Mises Daily (30 de março de 2006).

[14] “Se um homem tem trabalho para vender, ele tem direito a um mercado livre para vendê-lo. […] Agora, esse mercado tem sido constantemente negado […] aos trabalhadores de todo o mundo civilizado. E os homens que têm negado são os Andrew Carnegies e os capitalistas. […] Digam aos capitalistas que o trabalhador tem direito a um mercado livre e que, negando-o a ele, são culpados de invasão criminal.” Benjamin R. Tucker, “The Lesson of Homestead“, Liberty 8, n. 48 (23 de julho de 1892): 2.

[15] Tucker, Instead of a Book.

[16] Lysander Spooner, Poverty: Its Illegal Causes and Legal Cure (Boston: Bela Marsh, 1846); Lysander Spooner, The Law of Intellectual Property (Boston: Bela Marsh, 1855).

[17] “Se os homens que se opõem aos salários – isto é, a compra e venda de trabalho – fossem capazes de analisar seus pensamentos e sentimentos, veriam que o que realmente excita sua raiva não é o fato de o trabalho ser comprado e vendido, mas o fato de que uma classe de homens depende da venda de seu trabalho, enquanto outra classe de homens é dispensada da necessidade. Não abolir os salários, mas tornar cada homem dependente de salários e garantir a cada homem todo o seu devido salário é o objetivo do socialismo anarquista”. Benjamin R. Tucker, “Should Labor be Paid or Not?” Liberty 5, no. 19 (28 de abril de 1888): 4.

[18] Ver, por exemplo, S.E. Konkin III, New Libertarian Manifesto (Long Beach, Califórnia: Anarchosamisdat Press, 1980), capítulo 3, n. 8; D. Friedman, The Machinery of Freedom: Guide to a Radical Capitalism, 2ª edição (Chicago: Open Court Press, 1989), 144-145. Friedman é um anarcocapitalista autodefinido; Konkin não usou o termo, mas dadas suas influências intelectuais – Ludwig von Mises, Ayn Rand, Murray Rothbard etc. -, sem dúvida ele seria considerado um pelos anarquistas sociais.

[19] Ver, por exemplo, R. LeFevre, The Nature of Man and His Government (Caldwell, Id .: Caxton Printers, 1959); R.P. Murphy, On Pacifism (parte III de III), Free Advice (6 de maio de 2011), Murphy é um anarcocapitalista autodefinido; LeFevre não usou o termo, mas geralmente é considerado um.

[20] R.G. Holcombe, “Common Property in Anarcho-Capitalism“, Journal of Libertarian Studies 19, n. 2 (2005): 3-29.

[21] M.N. Rothbard, The Ethics of Liberty (Atlantic Highlands, NJ: Humanities Press, 1982), capítulos 10-11.

[22] M.N. Rothbard, Confiscation and the Homestead Principle, Libertarian Forum 1, no.6 (15 de junho de 1969): 3-4.

[23] Pode-se objetar que uma teoria da ocupação e uso da posse da terra não considera “propriedade privada” no sentido relevante. Talvez não, mas nem todos os individualistas anticapitalistas foram teóricos da ocupação e uso; de fato, as opiniões de Spooner sobre propriedade da terra não difere significativamente daquelas da maioria dos anarcocapitalistas. (E na questão da propriedade intelectual, Spooner é algo mais “capitalista” do que muitos anarcocapitalistas.).

[24] Rosa Slobodinsky e Voltairine de Cleyre, The Individualist and the Communist: A Dialogue, The Twentieth Century 6, n. 25 (18 de junho de 1891): 3-6. “Rosa Slobodinsky” era o pseudônimo de Rachelle Yarros, cujo marido Victor S. Yarros (1865-1956) era um colaborador frequente da Liberty.

[25] Benjamin R. Tucker, Why I Am An Anarchist, The Twentieth Century 4, no. 22 (29 de maio de 1890): 5-6.

[26] Benjamin R. Tucker, Neglected Factors in the Rent Problem, Liberty 10, n. 16 (15. Dez. 1894), p. 4.

[27] Benjamin R. Tucker, Editorial, Liberty 10, n. 16 (15. dez. 1894): 4.

[28] S. Kinsella, Left-Libertarians Admit Opposition to ‘Capitalism’ is Substantive, Libertarian Standard (22 de abril de 2010).

[29] Benjamin R. Tucker, State Socialism and Anarchism: How Far They Agree, and Where in They Differ, Liberty 5, no.16 (10 de março de 1888): 2-3, 6.

[30] Benjamin R. Tucker, Auberon Herbert and His Work, Liberty 3, n. 10 (23 de maio de 1885): 4; Benjamin R. Tucker, A Prophecy in Course of Fullfillment, Liberty 5, no.18 (14 de abril de 1888): 7; S.R. [S.H. Randall], An Economist on the Future Society, Liberty 14, no. 23 (setembro de 1904), 2. O artigo de Randall sobre Molinari apareceu em uma seção do periódico Liberty de Tucker que Tucker reservou explicitamente para artigos com cujo “objetivo central e teor geral” ele concordava pessoalmente.

[31] Tucker, “State Socialism and Anarchism“.

[32] K.A. Carson. You Will Be Assimilated: Resistance is Futile, Blog Mutualist (9 de agosto de 2006).

[33] K.A. Carson, In Defense-Such As It Is-of Usufructory Land Ownership, Bleeding Heart Libertarians (26 de abril de 2012).

[34] A. Morgenstern, Anarcho-‘Capitalism’ is Impossible, Center for a Stateless Society (19 de setembro de 2010); cf. A. Morgenstern, Anarchism And Capitalism – A Revisitation, Center for a Stateless Society (3 de fevereiro de 2014).

[35] L.J. Newman, Entrevista com Murray Bookchin, Reason (outubro de 1979), 34-39.

[36] T. Lane, On Anarchism: Noam Chomsky Interviewed, ZNet (23 de dezembro de 1996).

[37] R.T. Long, “Anarquismo Agostiniano de Chomsky”, Art of the Possible (4 de setembro de 2008)

[38] D. Graeber, The Democracy Project: A History, a Crisis, a Movement (Nova York: Spiegel & Grau, 2013), 193.

[39] As palavras de Clark citadas acima sobre a essência do anarquismo sugerem que ele não poderia.

[40] J. Clark, Bridging the Unbridgeable Chasm: On Bookchin’s Critique of the Anarchist Tradition (Washington DC.: Institute for Anarchist Studies, 2008).

[41] Mais plenamente, o libertarianismo se divide em minarquismo e anarquismo individualista; o anarquismo individualista se divide em anarcocapitalismo e em várias formas anticapitalistas de anarquismo individualista; e o anarquismo se divide em anarquismo individualista e anarquismo social. Assim, o anarquismo individualista (pelo menos em sua forma usual favorável ao mercado) representa a interseção do libertarianismo de livre mercado com o anarquismo.

[42] John Locke, Two Treatises of Government [1689], ed. P. Laslett (Cambridge: Cambridge University Press, 1988).

[43] Thomas Hobbes, Leviathan [1651], ed. R. Tuck (Cambridge: Cambridge University Press, 1996).

[44] Adam Smith, An Inquiry Into the Nature and Causes of the Wealth of Nations [1776], 2 vols., ed. R.H. Campbell and A.S. Skinner (Indianapolis, In.: Liberty Fund, 1982).

[45] Thomas Jeffeson, Letter to James Madison (30 de janeiro de 1787).

[46] Jean-Jacques Rousseau, Discours sur l’origine et les fondemens de l’inegalite parmi les hom- mes (Amsterdam: Marc Michel Rey, 1755).

[47] J.T. Levy, The Continuing History of Bleeding-Heart Libertarianism, Bleeding Heart Libertarians (23  May  2012).

[48] Antoine Louis Claude Destutt de Tracy, A Commentary and Review of Montesquieu’s Spirit of Laws, trans. Thomas Jefferson (Philadelphia: W. Duane, 1811); Antoine Louis Claude Destutt de Tracy, A Treatise on Political Economy, trans. Thomas Jefferson (Washington, DC.: Joseph Milligan, 1817).

[49] Thomas Paine, The Rights of Man [1791-1792], ed. H. Collins (New York: Penguin, 1984), 163-165.

[50] Ironicamente, o inimigo de Paine, Edmund Burke (1729-1797), fez o mesmo ponto em seu discurso de 1775 em Conciliation with the Colonies: “A anarquia é considerada tolerável”, pois Massachusetts “subsistiu em um considerável grau de saúde e vigor, por quase um ano, sem governador, sem conselho público, sem juízes, sem magistrados executivos”. Edmund Burke, Speech of Edmund Burke, Esq., on Moving His Resolutions for Conciliation with the Colonies (Londres: J. Dodsley, 1775), 36. Burke escreveu uma defesa jovem do anarquismo, embora supostamente com intenção satírica: A Vindication of Natural Society: Or, a View of the Miseries and Evils Arising to Mankind from Every Species of  Artificial Society, (Londres: M. Cooper, 1756). Sobre as prováveis ​​motivações de Burke ao escrever Vindication, ver I. Kramnick, The Rage of Edmund Burke: Portrait of an Ambivalent Conservative (Nova York: Basic Books, 1977).

[51] William Godwin, An Enquiry Concerning Political Justice, and Its Influence on General Virtue and Happiness, 2 vols. (Londres: G.G.J. e J. Robinson, 1793). O anarquismo de Godwin é difícil de categorizar; em sua condenação moral da propriedade privada soa como um anarco-comunista, enquanto insistia que a propriedade privada não fosse interferida à força, ele soa como um individualista.

[52] David Hume, Of the Original Contract [1758], em Essays Moral, Political, Literary, ed. E.F. Miller (Indianápolis, In .: Liberty Fund, 1987), 465-487.

[53] David Hume, Of the First Principles of Government [1758], em Essays Moral, Political, Literary, 32-36.

[54] Etienne de la Boetie, Le Discours de la servitude volntaire ou Le Contr’un [1574], ed. C. Ovtcharenko (Chicoutimi, Que: Bibliotheque Paul-Emile-Boulet, 2009).

[55] Godwin, Enquiry Concerning Political Justice, I, 98.

[56] A. Gabriel, Was Jean-Baptiste Say a Market Anarchist?, Mises Daily (28 Mar. 2007).

[57] O estudo essencial do grupo Censeur é de David M. Hart, Class Analysis, Slavery and the Industrialist Theory of History in French Liberal Thought, 1814-1830: The Radical Liberalism of Charles Comte and Charles Dunoyer (dissertação de doutorado, King’s College Cambridge, 1994).

[58] A ala mais autoritária do movimento foi liderada por Henri de Saint-Simon (1760-1825) e Auguste Comte (1798-1857) – este último sem relação com Charles. Ambas as alas viam os Estados existentes como sistemas de desapropriação injusta de uma classe industrial (um grupo incluindo tanto capitalistas quando trabalhadores) para o benefício de uma classe parasitária. Mas apesar da colaboração inicial, os grupos logo divergiram, pois a ala autoritária defendeu a substituição do governo parasitário por representantes da classe industrial, enquanto do lado Censeur o problema não era o pessoal no poder, mas a própria hierarquia de poder, e uma ordem social verdadeiramente “industrial” exigia uma forma de organização social mais plana, mais descentralizada e mais voluntarista.

[59] Karl Marx, Letter to Joseph Weydemeyer (5 de março de 1852) e Letter to Friedrich Engels (27 de julho de 1854), em Karl Marx and Friedrich Engels, Collected Works: 1852-1855, vol. 39 (New York: International Publishers, 1983), 58, 472.

[60] Augustin Thierry, resenha de Destutt de Tracy, Commentaire sur l’Esprit des lois de Montesquieu; suivi dObservations inedites de Condorcet, sur le vingt-neuvieme livre du meme ouvrage (Liege: J.F. Desoer, 1817), em Censeur Europeen vII (27 Mar. 1818): 191-260. Translation mine.

[61] Charles-Barthelemy Dunoyer, L‘Industrie et la Morale considerees dans leurs rapports avec la liberte (Paris: Sautlet, 1825), 366-367. Translation mine.

[62] Proudhon, Idee generale de la revolution, 277.

[63] R.T. Long, Anarchism, em Routledge Companion to Social and Political Philosophy, eds. F. D’Agostino and G. Gaus (London: Routledge, 2012), 220. De longe a melhor coleção dos escritos de Proudhon é I. McKay, ed., Property is Theft! A Pierre-Joseph Proudhon Reader (Oakland, Califórnia: Press, 2011). O volume tende, no entanto, a enfatizar os aspectos do pensamento de Proudhon que são mais agradáveis aos anarquistas sociais do que aos anarquistas individualistas. Ver S.P. Wilbur, resenha de Iain McKay, ed., Property Is Theft!, em Libertarian Labyrinth (2014).

[64] Pierre-Joseph Proudhon, Quest-ce que la propriete? ou Recherche sur le principe du Droit et du Gouvernement (Paris: J.-F. Brocard, 1840); Proudhon, Systeme des contradictions economiques ou Philosophie de la misere, 2 vols. (Paris: Guillaumin, 1846).

[65] Pierre-Joseph Proudhon, Theorie de la Propriete (Paris: Librairie Internationale, 1866).

[66] Os dois principais estudos sobre o pensamento de Molinari são M. Hart, Gustave de Molinari and the Anti-Etatiste Liberal Tradition ( tese, Macquarie University, 1979) e G. Minart, Gustave de Molinari (1819-1912): Pour un gouvernement a bon marche dans un milieu libre (Paris: Institut Charles Coquelin, 2012).

[67] Gustave de Molinari, “De la production de la securite” Journal des Economistes (1849): 277-290; Gustave de Molinari, Les Soirees de la Rue Saint-Lazare: Entretiens sur les lois economiques et defense de la propriete (Paris: Gullaumin, 1849).

[68] Gustave de Molinari, Levolution politique et la revolution (Paris: Reinwald, 1884), 394.

[69] Gustave de Molinari, Les bourses du travail (Paris: Guillaumin, 1893).

[70] Paul Emile de Puydt, Panarchie, Revue Trimestrielle 27 (julho de 1860): 222-245. A versão da panarquia de De Puydt mantinha um papel para um Estado monopolístico como uma estrutura legal dentro da qual os regimes concorrentes operariam, mas os pensadores subsequentes que se basearam nas ideias de Puydt dispensaram esse recurso; ver Max Nettlau, Panarchie: Eine Verchollene Idee von 1860, Der Sozialist (15 de março de 1909); Gian Piero de Bellis, On Panarchy: A Brief Review and a Personal View (2009).

[71] M. Perradeau, Anselme Bellegarrigue: Le premier des libertaires (Paris: Libertaires Editions, 2012).

[72] Anselme Bellegarrigue, L’Anarchie: journal de l’ordre (Apr.-May 1850); cf. Anselme Bellegarrigue, Au fait, au fait!! Interpretation de l’idee democratique (Paris: Garnier, 1848).

[73] O melhor estudo sobre Hodgskin é de D. Stack, Nature and Artifice: The Life and Thought of Thomas Hodgskin, 17871869 (London: Royal Historical Society, 1997), embora o estudo anterior de E. Halevy, Thomas Hodgskin, trans. A.J. Taylor (London: Ernest Benn, 1956) permaneça útil.

[74] Thomas Hodgskin, Travels in the North of Germany: Describing the Present State of the Social and Political Institutions in That Country, Particularly in the Kingdom of Hanover, 2 vols, (Edinburgh: Archibald Constable, 1820).

[75] Thomas Hodgskin, Labour Defended Against the Claims of Capital; or the Unproductiveness of Capital Proved with Reference to the Present Combinations Amongst journeymen, by a Labourer (London: Steil, 1825); Thomas Hodgskin, Popular Political Economy: Four Lectures Delivered at the London Mechanics’ Institution (London: Tait, 1827); Thomas Hodgskin, The Natural and Artificial Rights of Property Contrasted (London: B. Steil, 1832). Thomas Hodgskin, “Peace, Law, and Order”: A Lecture Delivered in the Hall of the National Association (London: Hetherington, 1842).

[76] Thomas Hodgskin, What Shall We Do With Our Criminals? Don’t Create Them: A Lecture Delivered at St. Martin’s Hall (London: Groombridge, 1857); Thomas Hodgskin, Our Chief Crime: Cause and Cure: Second Lecture on What Shall We Do With Our Criminals (London: Groombridge, 1857).

[77] Herbert Spencer, Social Statics: Or, the Conditions Essencial to Human Happiness Specified, and the First of Them Developed (London: John Chapman, 1851). Enquanto a data de publicação é de 1851, o livro apareceu no final de 1850.

[78] Ibid., 13.

[79] Ibid., 206.

[80] Em uma resenha quase sempre brilhante, a única grande objeção levantada pelo chamado “socialista” Hodgskin contra o assim chamado “capitalista” Spencer era que Spencer demonstra respeito insuficiente pela propriedade privada da terra! Ver Thomas Hodgskin, Review of Herbert Spencer’s Social Statics, em The Economist 9, n. 389 (8 de fevereiro de 1851): 149-151.

[81] Benjamin R. Tucker, “The Sin of Herbert Spencer,” Liberty 2, no. 16 (17 May 1884): 170-171.

[82] Herbert Spencer, Principles of Sociology, vol. 3 (New York: D. Appleton, 1899), 551-552, 573.

[83] Sartwell, ed., The Practical Anarchist: Writings of josiah Warren (New York: Fordham University Press, 2011); Stephen Pearl Andrews, The Science of Society, No. 1: The True Constitution of Government in the Sovereignty of the Individual As the Final Development of Protestantism, Democracy and Socialism (New York: William J. Baner, 1851); Stephen Pearl Andrews, The Science of Society, No. 2: Cost the Limit of Price: A Scientific Measure of Honesty in Trade As One of the Fundamental Principles in the Solution of the Social Problem (New York: Fowlers and Wells, 1852); M.B. Stern, The Pantarch: A Biography of Stephen Pearl Andrews (Austin, Tex.: University of Texas Press, 1968).

[84] M. Blatt, Free Love and Anarchism: The Biography of Ezra Heywood (Champaign, Ill.: University of Illinois Press, 1990).

[85] C. Anderson, All-American Anarchist: joseph A. Labadie and the Labor Movement (Detroit: Wayne State University Press, 1998).

[86] Para a a maioria das visões de vários escritores associados à Liberty, ver H. Brooks, ed., The Individualist Anarchists: An Anthology of Liberty, 1881-1908 (New Brunswick, N.J.: Transaction, 1994), and W. McElroy, The Debates of Liberty: An Overview of Individualist Anarchism, 18811908 (Lanham, Md.: Lexington Books, 2002). Para o movimento anarquista individualista americano mais amplo, ver J. Martin, Men Against the State: The Expositors of Individualist Anarchism, 1827-1908 (Colorado Springs, Colo.: Ralph Myles, 1970).

[87] Ver o capítulo Market Anarchism de Kevin Carson’s neste volume.

[88] Para a ascensão do século XX e o desenvolvimento do libertarianismo de livre mercado nos Estados Unidos, ver B. Doherty, Radicals for Capitalism: A Freewheeling History of the Modern American Libertarian Movement (New York: Public Affairs, 2009).

[89] Os que continuaram a defender a posição anti-estatal e anti-monopólio eram principalmente seguidores de Henry George, como Albert Jay Nock (1870-1945) e Frank Chodorov (1887-1966).

[90] M. Tannehill e L. Tannehill, The Market for Liberty (Washington : Libertarian Review Foundation, 1970).

[91] R.A. Childs, An Open Letter to Ayn Rand: Objectivism and the State, Rational Individualist 1, no.10 (Aug. 1969): 4-12. É uma resposta ao The Nature of Government, de Ayn Rand em The Virtue of Selfishness  (New York: New American Library, 1964), 125-134.

[92] D. Friedman, Machinery of Freedom, op. cit.

[93] R.E. Barnett, The Structure of Liberty: Justice and the Rule of Law (Oxford: Oxford University Press, 1998).

[94] M.N. Rothbard, For a New Liberty (New York: Macmillan, 1973); Rothbard, The Ethics of Liberty, op. cit.

[95] A literatura padrão sobre exemplos históricos citados por anarquistas de livre mercado é coberta por T.W. Bell, Polycentric Law, Humane Studies Review 7, no. 1 (Winter 1991/1992): 1-10. Contribuições desde a publicação do ensaio bibliográfico de Bell foi publicado inclui T.L. Anderson e P.J. Hill, The Not So Wild, Wild West: Property Rights on the Frontier (Stanford, Calif.: Stanford University Press, 2004); P.T. Leeson, Anarchy Unbound: Why Self-Governance Works Better Than You Think (Cambridge: Cambridge University Press, 2014); e E.P. Stringham, Private Governance: Creating Order in Economic and Social Life (Oxford: Oxford University Press, 2015).

[96] Hess também foi creditado por ter originado a linguagem do movimento Occupy dos 99% contra os 1%. Ver M. Tkacik, The Radical Right-Wing Roots of Occupy Wall Street, Reuters Blog (20 Sept. 20, 2012).

[97] Ver, por exemplo, os periódicos editados por Rothbard, Left and Right (1965-1968) e, ao menos nos seus anos iniciais, Libertarian Forum (1969-1984). Especialmente relevante é M.N. Rothbard, Liberty and the New Left, Left and Right 1, no. 2 (Aug. 1965): 35-67.

[98] Ver, por exemplo, R.A. Childs, Big Business and the Rise of American Statism, Reason (Feb. 1971): 9-12; R.A. Childs, Big Business and the Rise of American Statism, Reason (Mar. 1971): 12-18; cf. John Payne, Rothbard’s Time on the Left, Journal of Libertarian Studies 19, no. 1 (2005): 7-24.

[99] Konkin New Libertarian Manifest, op. cit.; S.E. Konkin, An Agorist Primer (Huntington Beach, Calif.: KoPubCo, 2008).

[100] R. Nozick, Anarchy, State, and Utopia (New York: Basic Books, 1974).

[101] Childs, Jr., The Invisible Hand Strikes Back, Journal of Libertarian Studies 1, no. 1 (1977): 22-33; M.N. Rothbard, Robert Nozick and the Immaculate Conception of the State, Journal of Libertarian Studies 1, no.1 (1977): 45-47.

[102] T. Cowen, Law as a Public Good: The Economics of Anarchy, Economics and Philosophy 8 (1992): 249-267; B. Caplan e E.P. Stringham, Networks, Law, and the Paradox of Cooperation, Review of Austrian Economics 16, no. 4 (2003): 309-326. Para o debate anarquismo/minarquismo mais amplo, ver E.P. Stringham, ed., Anarchy and the Law: The Political Economy of Choice (New Brunswick, N.J.: Transaction, 2011), e R.T. Long e T.R. Machan, eds., Anarchism/Minarchism: Is a Government Part of a Free Country? (Aldershot, u.K.: Ashgate, 2012). A defesa acadêmica recente mais proeminente da posição anarquista de livre mercado é de M. Huemer, The Problem of Political Authority: An Examination of the Right to Coerce and the Duty to Obey (Basingstoke, u.K.: Palgrave Macmillan, 2012).

[103] K.A. Carson, Studies in Mutualist Political Economy (Charleston, S.C.: BookSurge, 2007); K.A. Carson, Organization Theory: A Libertarian Perspective (Charleston, S.C.: BookSurge, 2008); K.A. Carson, The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto (Charleston, S.C.: BookSurge, 2010). Outros trabalhos importantes dessa retomada inclui: G. Chartier, Anarchy and Legal Order: Law and Politics for a Stateless Society (Cambridge: Cambridge University Press, 2013) e G. Chartier e C.W. Johnson, eds., Markets Not Capitalism: Individualist Anarchism Against Bosses, Inequality, Corporate Power, and Structural Poverty (London: Minor Compositions, 2011).

[104] O termo “libertário de esquerda” é comumente usado em pelo menos três sentidos: a) para distinguir anarquismo social de libertarianismo de mercado livre; b) distinguir as versões anticapitalista (e/ou de esquerda) do libertarianismo de livre mercado das capitalistas (e/ou de direita); e c) identificar uma posição (não necessariamente anarquista) que combine autopropriedade com algum tipo de propriedade comum de recursos. O sentido (c) surgiu nos círculos acadêmicos nos anos 1990 e está associado a pensadores como Peter Vallentyne, Hillel Steiner e Michael Otsuka; os sentidos (a) e (b) são mais antigos. O sentido (b) é o usado aqui.

[105] Carson, Organization Theory, chapters 1-7.

[106] K.A. Carson, What Is Left-Libertarianism?, Center for a Stateless Society (15 Jun. 2014).

[107] Carson, Organization Theory, 1.

[108] R.P. Murphy, The Labor Theory of Value: A Critique of Carson’s Studies in Mutualist Political Economy, Journal of Libertarian Studies 20, no. 1 (2006): 17-33.

[109] Reisman, Freedom Is Slavery: Laissez-Faire Capitalism Is Government Intervention: A Critique of Carson’s Studies in Mutualist Political Economy, Journal of Libertarian Studies 20, no. 1 (2006): 84.