A “Esquerda e Direita” de Rothbard: Quarenta Anos Depois

Agora, acho que a palavra "capitalismo", se utilizada com o significado que a maioria das pessoas dá a ele, é um termo de pacote fechado. Por "capitalismo", a maioria das pessoas não quer dizer nem o livre mercado simpliciter, nem o predominante sistema neomercantilista simpliciter. Antes, o que a maioria das pessoas quer dizer com "capitalismo" é este sistema de livre mercado que atualmente prevalece no mundo ocidental. Em suma, o termo "capitalismo", como é geralmente usado, esconde uma suposição de que o sistema predominante é um livre mercado. E, uma vez que o sistema predominante é, na verdade, de favoritismo governamental em relação às empresas, o uso comum do termo carrega consigo a suposição de que o livre mercado é o favoritismo governamental em relação às empresas.

Anarquismo Libertário: Respostas a Dez Objeções

Uma objeção é a de que, na anarquia, o crime organizado tomará conta. Bem, poderia acontecer. Mas será provável? O crime organizado ganha poder por especializar-se em fazer coisas ilegais – coisas como drogas e prostituição e assim por diante. No decorrer dos anos quando o álcool era proibido o crime organizado especializou-se no comércio de álcool. Hoje, não é tão grande no comércio de álcool. Então o poder do crime organizado, em grande parte, depende do poder do governo. Ele é uma espécie de parasita das atividades do governo. Os governos, ao proibirem coisas, criam mercados paralelos. Os mercados paralelos são atividades perigosas de desempenhar porque você terá de preocupar-se tanto com o governo quanto com outras pessoas astuciosas que entram na área de mercado paralelo. O crime organizado especializa-se nisso. Acho, assim, que o crime organizado seria mais fraco, não mais forte, num sistema libertário.

Intuicionismo ético e Libertarianismo

Sou um defensor de duas visões filosóficas controversas: a intuição ética e o libertarianismo. O intuicionismo ético é uma teoria geral sobre a natureza dos valores e nosso conhecimento. A teoria é logicamente consistente com quase qualquer visão moral ou política. No entanto, certas visões éticas são especialmente naturais para um intuicionista manter. Além disso, essas visões éticas se encaixam naturalmente na filosofia política libertária. Então, embora eu não afirme que o libertarianismo possa ser derivado do intuicionismo ético, penso que o intuicionismo libertário é uma posição muito natural e coerente. No que se segue, pretendo explicar por quê.

O Anarquismo de Mercado como Constitucionalismo

A suposição confusa de que um framework legal deve (ou sequer pode) ser externo ao que ele constringe tende a tornar a estrutura política invisível, exceto na medida em que ela é efetuada nas instituições familiares do monopólio estatal. E isto, por sua vez, ajuda a explicar o que os anarquistas frequentemente acham intrigante: a saber, a tendência entre não-anarquistas a tratar uma única instância malsucedida e indesejável de uma sociedade sem Estado como uma refutação do anarquismo per se - ao passo que ninguém considera uma única instância malsucedida e indesejável de um Estado como uma objeção decisiva contra o Estado como tal.

Os mercados precisam do governo?

A duradoura existência de mercados vibrantes sob condições de carência completa ou parcial de um Estado sugere que “regras do jogo” privadas têm de ser possíveis sem o governo. Esse capítulo examina essas regras, como elas surgem e como são impostas. Investiga se poderia existir algo como “leis da anarquia”. Considero duas grandes áreas do direito: o direito comercial ou contratual e o direito penal. A primeira parte desse capítulo examina como o direito contratual poderia ser proporcionado privadamente e apresenta provas dessa possibilidade. A segunda parte examina como o direito penal poderia ser proporcionado privadamente. Diferentemente do direito contratual, o problema do direito penal sob a anarquia mal tem sido abordado. Além de explorar essa questão teoricamente, também considero provas da evolução espontânea do direito penal sem o governo.

Deixe que o livre mercado engula os ricos!

A sociedade civil vem sendo tão confundida com a instituição do Estado que anarquistas muitas vezes têm dificuldade de desembaraçar um do outro quando postulam uma sociedade voluntária. Os efeitos dos privilégios garantidos pelo Estado permeiam nossa cultura, nossa infraestrutura, nossas relações econômicas e nosso pensamento. Portanto, a capacidade de descrever um quadro coerente e distinto de um mundo pós-Estado e pós-privilégio é crucial na medida em que coloca constructos contemporâneos de privilégio em relevo gritante.