O Anarquismo de Mercado como Constitucionalismo

A suposição confusa de que um framework legal deve (ou sequer pode) ser externo ao que ele constringe tende a tornar a estrutura política invisível, exceto na medida em que ela é efetuada nas instituições familiares do monopólio estatal. E isto, por sua vez, ajuda a explicar o que os anarquistas frequentemente acham intrigante: a saber, a tendência entre não-anarquistas a tratar uma única instância malsucedida e indesejável de uma sociedade sem Estado como uma refutação do anarquismo per se - ao passo que ninguém considera uma única instância malsucedida e indesejável de um Estado como uma objeção decisiva contra o Estado como tal.

Os mercados precisam do governo?

A duradoura existência de mercados vibrantes sob condições de carência completa ou parcial de um Estado sugere que “regras do jogo” privadas têm de ser possíveis sem o governo. Esse capítulo examina essas regras, como elas surgem e como são impostas. Investiga se poderia existir algo como “leis da anarquia”. Considero duas grandes áreas do direito: o direito comercial ou contratual e o direito penal. A primeira parte desse capítulo examina como o direito contratual poderia ser proporcionado privadamente e apresenta provas dessa possibilidade. A segunda parte examina como o direito penal poderia ser proporcionado privadamente. Diferentemente do direito contratual, o problema do direito penal sob a anarquia mal tem sido abordado. Além de explorar essa questão teoricamente, também considero provas da evolução espontânea do direito penal sem o governo.

Uma universidade construída pela mão invisível

A história da Universidade de Bolonha oferece um exemplo de como os mecanismos da ordem espontânea essenciais ao anarquismo de mercado – mecanismos como as associações de ajuda mútua e as jurisdições legais concorrentes – podem operar num cenário universitário.

Deixe que o livre mercado engula os ricos!

A sociedade civil vem sendo tão confundida com a instituição do Estado que anarquistas muitas vezes têm dificuldade de desembaraçar um do outro quando postulam uma sociedade voluntária. Os efeitos dos privilégios garantidos pelo Estado permeiam nossa cultura, nossa infraestrutura, nossas relações econômicas e nosso pensamento. Portanto, a capacidade de descrever um quadro coerente e distinto de um mundo pós-Estado e pós-privilégio é crucial na medida em que coloca constructos contemporâneos de privilégio em relevo gritante.

Robert Nozick, filósofo da liberdade

Vinte e oito anos atrás, um professor de filosofia da Harvard chamado Robert Nozick fez algo impensável no polido meio intelectual: publicou um livro defendendo o libertarianismo.