por Thomas C. Leonard

[ Eugenics and Economics in the Progressive Era – Tradução de Giácomo de Pellegrini ]

Introdução

A economia americana se transformou durante a Era Progressista. Nas três ou quatro décadas posteriores a 1890, a economia americana tornou-se uma ciência política especializada e os economistas acadêmicos desempenharam um papel de liderança na criação de um Estado muito mais expansivo na economia. Na Primeira Guerra Mundial, o governo dos EUA alterou a Constituição para instituir um imposto de renda pessoal, criou o Federal Reserve (Banco Central americano), aplicou leis antimonopólio, restringiu a imigração e iniciou a regulamentação da segurança alimentar e de medicamentos. Os governos estaduais, onde o impulso de reforma era ainda mais forte, regulavam as condições de trabalho, proibiam o trabalho infantil, instituíam “pensões para mães”, limitavam o horário de trabalho e fixavam salários mínimos.

Bem menos conhecida era uma classificação eugênica bruta de grupos merecedores ou indignos que foi crucial e utilizada na reforma trabalhista e imigratória que é a marca da Era Progressista (Leonard, 2003). Economistas reformistas da Era Progressista defenderam a legislação excludente sobre trabalho e imigração de forma que a força de trabalho deveria livrar-se de trabalhadores inaptos, a quem chamavam de “parasitas”, “impregáveis”, “raças de baixos salários” e “resíduos industriais”. Removendo os inaptos, era o argumento, seriam agraciados os trabalhadores superiores e merecedores. Eugenia descreve um movimento para melhorar a hereditariedade humana pelo controle social da criação humana, baseada na suposição de que as diferenças na inteligência humana, caráter e temperamento são em grande parte devido às diferenças na hereditariedade (Paul, 2001). Francis Galton, inovador estatístico e meio-primo de Charles Darwin, é considerado o fundador da moderna eugenia. O primeiro objetivo da eugenia, disse Galton (1908, p. 323), “é verificar a taxa de natalidade dos inaptos em vez de permitir que eles sejam criados […] o segundo objetivo é a melhoria da raça, promovendo a produtividade do ajuste pelos casamentos precoces e a criação saudável da crianças.

Nos Estados Unidos, especialmente, a eugenia da Era Progressista tendia a ser racista. Mas “raça” tinha conotações na Era Progressista diferentes das de hoje, e os eugenistas daquela época eram imprecisos e inconsistentes em seu uso do termo. Às vezes, o termo se refere a toda a humanidade – a raça humana. Às vezes, “raça” era usada em algo como seu sentido moderno. Mas, mais comumente, o uso na Era Progressista significava etnia ou nacionalidade, especialmente quando se distinguia entre os europeus, de modo que os ingleses, ou os da etnia anglo-saxônica, eram presumidos como uma raça distinta da, digamos, a raça irlandesa ou a raça italiana. A taxonomia racial mais influente da época, The Races of Europe, foi escrita por William Z. Ripley (1899), um economista formado no MIT e em Columbia, que passou uma longa carreira em Harvard estudando economia ferroviária e serviu, em 1933, como presidente da American Economic Association (AEA).[1]

A raça não exauriu as variantes da hierarquia humana adotada pelos eugenistas americanos, cujo catálogo de pessoas inadequadas incluía muitas vezes mulheres e as classes mais baixas. Os eugenistas também estavam seriamente preocupados com aqueles que consideravam deficientes em intelecto – por exemplo, os epiléticos, os mentalmente doentes e os “débeis mentais” – e os que eles consideravam deficientes em caráter – “os criminosos e os incorrigivelmente ociosos […] [o] moralmente deficiente […] e [aqueles] incapazes de prover sua subsistência em qualquer função” (Webb e Webb 1920 [1897], p. 785).

Durante a Era Progressista, as abordagens eugênicas à reforma social e econômica eram populares, respeitáveis e generalizadas. Este ensaio documenta a influência das ideias eugênicas sobre a reforma econômica americana, especialmente nas áreas de imigração e reforma trabalhista, e tenta esclarecer algumas de suas causas e consequências. Embora nosso enfoque seja sobre economia, a eugenia serviu não menos, e possivelmente mais, a estudiosos de outras ciências emergentes da sociedade, especialmente sociologia e psicologia. Um tratamento mais completo está disponível em Leonard (2003), sobre o qual este ensaio se baseia.

Imigração e “Suicídio Racial”

Era uma forma acadêmica, por volta de 1890, declarar a fronteira dos EUA “fechada” e soar um alarme malthusiano sobre o crescimento excessivo da população americana. Mas os economistas profissionais que escreveram sobre imigração enfatizavam cada vez mais não a quantidade de imigrantes, mas sua qualidade. “Se pudéssemos deixar de lado a questão da raça e da eugenia“, disse Irving Fisher (1921, pp. 226-227) em seu discurso presidencial na Eugenics Research Association, “eu deveria, como economista, ser inclinado para a visão de que a imigração irrestrita […] é economicamente vantajosa para o país como um todo […]” Mas, alertou Fisher, “o cerne do problema da imigração é […] um de raça e eugenia”, o problema do estoque racial anglo-saxão sendo dominado por “deficientes, delinquentes e dependentes racialmente inferiores.

A insatisfação e medo dos imigrantes certamente não eram novos na Era Progressista. Mas importantes economistas profissionais estavam entre os primeiros a oferecer respeitabilidade científica para a restrição de imigração por motivos raciais.[2] Eles justificaram a restrição imigratória baseada na raça como um remédio para o “suicídio racial”, um termo da Era Progressista para o processo pelo qual a raça superior (“nativos”) era sobrepujada por um estoque mais prolífico, mas racialmente inferior (imigrantes). O termo “suicídio racial” é frequentemente atribuído a Edward A. Ross (1901a, p. 88), que acreditava que “a raça superior se elimina silenciosamente e sem resmungar em vez de suportar individualmente a amarga competição que não conseguiu afastar por ação coletiva.” Ross não era nenhum excêntrico ou uma aberração. Foi membro fundador da American Economic Association, um sociólogo pioneiro e um importante intelectual público que se vangloriava de que seus livros vendiam centenas de milhares.[3] A moeda cunhada por Ross ganhou lastro suficiente para ser usada por Theodore Roosevelt (1907, p. 550), que chamou o suicídio racial de “o maior problema da civilização“, e voltou regularmente ao tema da “eliminação em vez da sobrevivência do mais forte“. Nesse mesmo ano, mais de 40 anos após a Guerra Civil Americana, Ross (1907) , p. 715) escreveu: “A teoria de que as raças são virtualmente iguais em capacidade leva a essas tolices monumentais que revestem os vales do Sul com os ossos de meio milhão de brancos escolhidos para melhorar as condições de quatro milhões de negros não escolhidos.

A teoria de Ross (1901b) era de que o estoque anglo-saxônico “nativo” era biologicamente bem adaptado à vida rural tradicional, mas menos adequado ao novo meio urbano do capitalismo industrial. Em sua opinião, as raças de imigrantes racialmente inferiores, “latinos, eslavos, asiáticos e hebreus”, eram mais bem adaptadas às condições do capitalismo industrial e, assim, superavam a raça superior anglo-saxônica. A proposição do suicídio racial de que pessoas de raça inferior sobrepujavam os de raça superior revira o darwinismo de ponta cabeça, já que o darwinismo define aptidão ao meio como um relativo sucesso reprodutivo. A eugenia da Era Progressista, em contraste, argumentava que a aptidão incluía atributos, como raça, que poderiam ser julgados independentemente do sucesso reprodutivo. De fato, a teoria do suicídio racial foi baseada no que o darwinismo nega, o que os eugenistas chamaram de “eliminação dos mais aptos”.

Em 1912, Simon Patten (p. 64), o economista reformista da Wharton School que atuou como presidente da AEA em 1908, disse: “O grito de suicídio racial substituiu o antigo medo da superpopulação”. Para explicar o motivo das raças inferiores serem mais prolíficas, economistas do começo da Era Progressista enfatizavam como a vida econômica sob o capitalismo industrial era cada vez mais disgênica, isto é, tendia a promover a sobrevivência dos inaptos. Patten, por exemplo, argumentou (como citado em D. Ross, 1991, p. 197) que “toda melhoria […] aumenta a quantidade de deficiências que as classes trabalhadoras podem ter sem que sejam superadas na luta pela subsistência que a sobrevivência do ignorante traz à sociedade”.

Em resposta, Patten acabou defendendo que o Estado assumisse a tarefa de selecionar o mais apto – a eugenia. “O progresso social é uma lei mais alta que a igualdade”, Patten (1899, pp. 302–303) continuou, e a única maneira de progredir era a “erradicação dos viciosos e ineficientes”. Frank Fetter (1899, p. 237) que serviria como presidente da AEA em 1912, também temia que “os benefícios do progresso social estivessem sendo neutralizados pela degeneração racial” devido à “suspensão do processo seletivo”.

Henry Farnam, que co-fundou a Associação Americana para Legislação Trabalhista (AALL), influente organização de reforma liderada por economistas acadêmicos e mais tarde serviu como presidente da AEA em 1911, enfatizou a ajuda aos pobres como uma causa de seleção disgênica: “Nós estamos”, Farnam (1888, p. 295) propôs,“por meios de nossos próprios avanços, estabelecendo forças que tendem a multiplicar os inaptos.” O aumento no inapto, Farnam concluiu,“torna cada vez mais imperativo a solução desse problema extremamente difícil que Arnold White chama de ‘esterilização do inapto’”.

Ross, Patten, Fetter e Farnam todos viram os padrões de vida mais altos e as reformas da Era Progressista menos como uma vitória para a justiça social, mas como um impedimento para a eliminação darwiniana. Sua resposta não foi argumentar contra a reforma, como poderia um darwinista social, mas defender a eugenia, a substituição da seleção natural dos mais aptos pela seleção do Estado.

Francis Amasa Walker ofereceu uma conta para o suicídio racial que se mostrou especialmente influente no debate sobre imigração. Walker foi um herói da Guerra Civil, serviu como presidente do MIT de 1881 a 1897, dirigiu o censo dos EUA em 1870 e em 1880, foi o primeiro presidente da AEA de 1886 a 1892 e foi o economista americano mais respeitado no início da Era Progressista. A teoria do suicídio racial de Walker argumentava que a imigração limitava a fertilidade natural da população “nativa” – a qual ele se referia aos primeiros imigrantes europeus de etnia anglo-saxônica – de modo que a quantidade de inferiores de origem estrangeira efetivamente iam substituindo a quantidade de superiores nativos. “O elemento nativo não conseguiu manter a sua taxa de crescimento anterior”, diz Walker (1899, p. 423), “porque os estrangeiros vieram em enxames”.

Walker (1899, p. 424) propôs que os americanos nativos não competissem com os imigrantes das “raças de baixos salários”. “O americano recuou da competição industrial que lhe foi imposta”, argumentou Walker. “Ele não estava disposto a se envolver com o tipo mais baixo de trabalho com esses novos elementos da população; ele estava ainda mais indisposto a trazer filhos e filhas ao mundo para entrar nessa competição.” Walker (1896, p. 828) caracterizou os novos elementos da população – “camponeses do sul da Itália, Hungria, Áustria e Rússia”- como “homens derrotados de raças derrotadas; representando os piores fracassos na luta pela existência. Séculos são contra eles, pois séculos estavam do lado daqueles que antigamente vinham até nós.” Walker (1899, p. 447) previu que, sem a restrição da imigração racial, “toda poça imunda e estagnada na Europa, [no] que nenhum sopro de vida intelectual se agitou durante séculos […] [será] decantado em nossas costas.

Como Fisher, Ross, Patten, Fetter e Farnam, Walker endossou políticas eugênicas. “Devemos arrancar do sangue da raça mais da mácula herdada de um passado ruim e cruel”, Walker (1899, p. 469) propôs, “antes que possamos eliminar a pobreza, muito mais o pauperismo, de nossa vida social. O tratamento científico que é aplicado às doenças físicas deve ser estendido à doença mental e moral, e uma cirurgia saudável e cauterização devem ser impostas por todo o poder do Estado para o bem de todos.”[4]

Eugenia de lado, Walker era, por sua vez, um sofisticado estudante de população. Walker descobriu que as previsões populacionais do início do século XIX para 1840 e 1850 assumiam pouca imigração, mas ainda assim eram bastante precisas. Observando que um aumento relativamente grande na imigração ocorreu durante as décadas de 1830 a 1839 e 1840 a 1849, Walker (1899, p. 422) concluiu que uma imigração imprevista deve ter induzido um declínio nativo na taxa de natalidade, caso contrário, as previsões, ao assumirem pouca imigração, teriam subestimado a população total. Alguns críticos discordaram, dizendo que a fertilidade nativa começou a declinar muito antes de a imigração aumentar e que as causas estavam no aumento da urbanização, padrões de vida mais elevados e casamentos tardios (Goldenweiser, 1912). Esses críticos foram ignorados. Quaisquer que sejam os méritos do caso de Walker vistos a partir de hoje, é importante notar que mesmo os estudantes sofisticados da população adotaram a teoria do suicídio racial e soluções eugênicas para ela.

Teorias de suicídio racial eram populares no exterior também. Na Inglaterra, por exemplo, o socialista Fabian Sidney Webb (1907, p. 17) criou um novo termo, “seleção adversa”, para descrever o que ele viu como suicídio na raça inglesa: “vinte e cinco por cento de nossos pais, como professor Karl Pearson continua nos alertando, está produzindo 50% da próxima geração. Isso dificilmente pode resultar em qualquer coisa além de deterioração nacional; ou, como alternativa, neste país gradualmente caindo aos irlandeses e judeus.

Na segunda metade da Era Progressista, o suicídio racial e as soluções eugênicas propostas tinham lastro suficiente para aparecer nos principais livros didáticos. Em seu Elementary Principles, Irving Fisher (1907, p. 715) declarou que “se a vitalidade ou capital vital é prejudicada por uma reprodução dos piores e uma cessação da criação dos melhores, nenhuma calamidade maior poderia ser imaginada”. Felizmente, segundo Fisher, a eugenia oferecia um meio de “isolar-se em instituições públicas e, em alguns casos, em operações cirúrgicas”, para evitar a calamidade da “corrupção hereditária”. Similarmente, Frank Fetter (1918, pp. 421- 422) lamentou em seu Economic Principles, “Democracia e oportunidade estão aumentando o medíocre e reduzindo as excelentes tensões do estoque populacional […] O progresso está ameaçado, a menos que as instituições sociais possam ser ajustadas de modo a reverter esse processo de multiplicar os mais pobres e extinguir as famílias mais capazes”. As políticas eugênicas introduziriam, argumentou Fetter, “um elemento de direção racional no processo de perpetuação da raça […]”.

Os efeitos eugênicos das leis do salário mínimo

Durante a segunda metade da Era Progressista, começando aproximadamente em 1908, economistas progressistas e seus aliados reformistas obtiveram muitas vitórias estatutárias, incluindo leis estaduais que regulamentavam as condições de trabalho, proibiam o trabalho infantil, instituíam “pensões para mães”, limitavam o horário de trabalho e, o sine qua non, salários mínimos fixos. Ao usar a eugenia para justificar a legislação de imigração excludente, os teóricos do suicídio racial ofereceram um modelo para economistas defenderem as reformas trabalhistas, notadamente aquelas afiliadas à Associação Americana para Legislação Trabalhista, a organização de economistas acadêmicos que Orloff e Skocpol (1984, p. 726) chamaram de “a principal associação dos defensores da reforma social dos EUA na Era Progressista“.

Economistas progressistas, como seus críticos neoclássicos, acreditavam que os salários mínimos vinculados causariam perdas de emprego. No entanto, os economistas progressistas também acreditavam que a perda de emprego induzida pelos salários mínimos era um benefício social, já que realizava o serviço eugênico que livrava a força de trabalho dos “impregáveis”. Sidney e Beatrice Webb (1897 [1920], p. 785) explicam: “Em relação a certas seções da população [os “impregáveis”], esse desemprego não é uma marca de doença social, mas, na verdade, de saúde social.” “Todas as formas de lidar com esses parasitas infelizes”, opinou Sidney Webb (1912, p. 992) no Journal of Political Economy, “a mais ruinosa para a comunidade é permitir-lhes competir sem restrições como assalariados”. Um salário mínimo funcionava eugenicamente através de dois canais: dissuadindo imigrantes em perspectiva (Henderson, 1900) e também removendo do emprego os “impregáveis”, que, assim identificados, poderiam ser, por exemplo, segregados em comunidades rurais ou esterilizados.

A noção de que o desemprego induzido por salário mínimo é um benefício social distingue seus proponentes progressistas de seus críticos neoclássicos, como Alfred Marshall (1897), Philip Wicksteed (1913), A.C. Pigou (1913) e John Bates Clark (1913), que consideravam a perda de emprego como um custo social do salário mínimo, não como um suposto benefício social (Leonard, 2000).

Henry Rogers Seager, de Columbia, um importante economista progressista que serviu como presidente da AEA em 1922, fornece um exemplo. Salários dignos, Seager (1913a, p. 12) argumentou, precisam de proteção contra a “competição do trabalhador informal e do vagabundo” e dos outros “impregáveis” que injustamente derrubam os salários de trabalhadores mais merecedores (1913b, pp. 82-83). O salário mínimo protege os trabalhadores merecedores da competição dos inaptos, tornando ilegal trabalhar por menos. Seager (1913a, p. 9) escreveu: “O funcionamento da exigência de salário mínimo seria apenas estender a definição de deficientes para abranger todos os indivíduos, que mesmo depois de receber treinamento especial, permanecem incapazes de autossustento adequado”. Seager (p. 10) deixou claro o que deveria acontecer àqueles que, mesmo após treinamento de remediação, não poderiam obter o mínimo legal: “Se quisermos manter uma raça que deve ser composta de indivíduos e grupos familiares capazes, eficientes e independentes, nós devemos corajosamente cortar linhas de hereditariedade que se revelaram indesejáveis pelo isolamento ou esterilização […]

Os impregáveis eram, portanto, aqueles trabalhadores que ganhavam menos que alguma medida de um padrão de vida adequado, padrão que os britânicos chamavam de “manutenção decente” e que os americanos chamavam de “salário vital”. Para reformadores trabalhistas, firmas que pagavam menos do que o salário mínimo para trabalhadores que tinham direito eram consideradas parasitas, assim como os trabalhadores que aceitavam tais salários – de forma que alguém (caridade, Estado, outros membros da casa) precisaria compensar a diferença.

Para os progressistas, um salário mínimo legal tinha a propriedade útil de separar os inaptos, que perderiam seus empregos, dos trabalhadores merecedores, que manteriam seus empregos. Royal Meeker, um economista de Princeton que atuou como Comissário do Trabalho de Woodrow Wilson, se opôs a uma proposta para subsidiar os salários de trabalhadores pobres por esse motivo. Meeker preferia um piso salarial porque desmembraria os trabalhadores inaptos e, assim, permitiria o abatimento deles da força de trabalho. “É muito melhor promulgar uma lei de salário mínimo, mesmo que prive esses infelizes do trabalho“, argumentou Meeker (1910, p. 554). “É melhor que o Estado apoie totalmente a ineficiência e impeça a multiplicação da raça do que subsidiar a incompetência e a desvirtuação, permitindo-lhes gerar mais da sua espécie.” A. B. Wolfe (1917, p. 278), um economista progressista americano que mais tarde se tornaria presidente da AEA em 1943, também defendeu as virtudes eugênicas de remover do emprego aqueles que “são um fardo para a sociedade”.

Em seu Principles of Economics, Frank Taussig (1921, pp. 332-333) perguntou reticentemente: “como lidar com os impregáveis?” Taussig identificou duas classes de trabalhadores desempregados, distinguindo os idosos, enfermos e incapacitados do “débil mental […] aqueles saturados com álcool ou contaminados com doença hereditária […] [e] os criminosos e mendigos irrecuperáveis […]” Na última aula, Taussig propôs, “deveria simplesmente ser reprimida.” “Não chegamos ainda na fase”, Taussig admitiu,“onde podemos proceder ao clorofórmio uma vez e para todos; mas pelo menos podem ser segregados, calados em refúgios e asilos e impedidos de propagar sua espécie”.[5]

A ideia progressista de que o impregável não poderia ganhar um salário digno estava ligada à visão progressista da determinação do salário. Ao contrário dos economistas pioneiros da ainda nova teoria da produtividade marginal, a maioria dos progressistas concordou que os salários deveriam ser determinados pelo montante necessário a proporcionar um padrão de vida razoável, não por produtividade, e que o custo desse direito deveria recair sobre as empresas.[6]

Mas como um salário vital deve ser determinado? Os trabalhadores com mais dependentes e, portanto, mais despesas para viver, teriam direito a salários mais altos? Argumentar que os salários deveriam ser uma questão de padrão de vida apropriado abriu a porta, nesta era da eugenia, para teorias de determinação salarial baseadas em biologia, em particular à ideia de que “raças de baixos salários” eram biologicamente predispostas a baixos salários, ou “sub-vivos”.[7] Edward A. Ross (1936, p. 70), o proponente da teoria do suicídio racial, argumentou que “o Coolie [N.T] não pode superar o americano, mas ele pode sobreviver a ele”. Os trabalhadores “nativos” têm maior produtividade, afirmou Ross, mas como os imigrantes chineses são racialmente dispostos a trabalhar por salários mais baixos, os trabalhadores nativos são dispensados.

Em seu Races and Immigrants, o economista e reformador social da Universidade de Wisconsin, John R. Commons, argumentou que a competição salarial não apenas reduz os salários, mas também seleciona as raças impróprias. “A competição não respeita as raças superiores”, disse Commons (1907, p. 151), “a raça com necessidades mais baixas faz as outras dispensáveis”. Como raça, em vez de produtividade, determinava padrões de vida, Commons preenchia sua categoria de salários baixos com os laboriosos e preguiçosos. Os afro-americanos eram, para Commons (p. 136), “indolentes e volúveis“, o que explicava por que, argumentava Commons, a escravidão era necessária: “O negro não poderia ter encontrado um lugar na indústria americana se fosse um homem livre. […] Para que tais raças adotem essa vida laboriosa que é de segunda natureza para as raças das zonas temperadas, somente seria possível através de alguma forma de coerção”. Similarmente, o reformador da Wharton School, Scott Nearing (1915, p. 22) disse, se “um empregador tiver um escocês trabalhando para ele a US$ 3 por dia [e] um lituano igualmente eficiente oferecer o mesmo trabalho por US$ 2 […] o trabalho é dado ao licitante de baixa renda”. Quando os reformadores trabalhistas americanos se informaram sobre a legislação trabalhista em países mais precoces com relação à reforma trabalhista, eles comentavam favoravelmente a eficácia eugênica dos salários mínimos excluindo as “raças de baixos salários” do trabalho. Arthur Holcombe, de Harvard (1912, p. 21), membro da Comissão de Salário Mínimo de Massachusetts, referiu-se com aprovação à intenção da lei de salário mínimo da Austrália de “proteger o padrão de vida do australiano branco da competição das raças coloridas, particularmente de chineses.” Florence Kelley (1911, p. 304), talvez a mais influente reformadora trabalhista americana da época, também endossou a lei australiana de salário mínimo como “resgatando os negócios de chão de fábrica” impedindo a “competição desenfreada” dos impregáveis, como as “mulheres, crianças e chineses [os quais] estavam reduzindo todos os empregados à fome […]

Para esses progressistas, a raça determinava o padrão de vida e o padrão de vida determinava o salário. Assim, a restrição à imigração e a legislação trabalhista, especialmente os salários mínimos, justificavam-se por seus efeitos eugênicos. A distinção dúbia, seja fundada na suposta maior fertilidade dos inaptos, ou em sua suposta maior predisposição a baixos salários, está no cerne das reformas que hoje vemos como a marca da Era Progressista.

A popularidade e o apelo da eugenia

Para os leitores modernos, a relação da Era Progressista entre a reforma americana e a biologia da herança humana é duplamente inesperada: primeiro, que a eugenia era tão popular e respeitável, e segundo, pelo fato de muitos economistas progressistas terem sido atraídos por explicações eugênicas. Vamos considerar cada uma dessas surpresas.

A popularidade da eugenia

“Eugenia” é uma palavra suja no discurso contemporâneo, em grande parte por causa de sua associação com as atrocidades eugênicas do nacional-socialismo alemão. Até mesmo historiadores profissionais acham difícil resistir à tentação de ler toda a história pré-nazista da eugenia como um prelúdio dos crimes nazistas. Mas a eugenia da era progressista era, de fato, a mais ampla das igrejas. Era mainstream; era popular ao ponto de estar na moda; foi apoiada por figuras importantes da ciência emergente da genética; apelou para uma gama extraordinária de ideologias políticas, não apenas progressistas; e sobreviveu aos nazistas.

Em 1928, 376 cursos universitários foram dedicados ao tema da eugenia (Allen, 1983, p. 116). Um texto único entre muitos, Searchlights on Health, the Science of Eugenics, vendeu um milhão de exemplares nos dois primeiros anos de sua publicação (Proctor, 1991, p. 201, n. 28). A American Eugenics Society, co-fundada por Irving Fisher para educar os americanos sobre as virtudes da eugenia, montou pavilhões instrucionais e organizou competições de “famílias mais aptas” em feiras agrícolas estaduais.

As ideias eugênicas da Era Progressista foram influentes em quase todos os países ocidentais não-católicos e em muitos outros países. Hoje temos abordagens acadêmicas de movimentos eugênicos no Canadá (McLaren, 1990), França (Schneider, 1990), Japão (Suzuki, 1975), Rússia (Adams, 1990), países escandinavos (Broberg e Roll-Hansen, 1996), Romênia (Bucur, 2002), América Latina (Stepan, 1991) e China (Dikötter, 1992). Em 1933, Paul Popenoe, um fundador da demografia americana e um eugenista líder, podia se gabar de que havia leis de esterilização eugênica obtidas em jurisdições compreendendo 150 milhões de pessoas (Kevles, 1995, p. 115). Sentimentos eugênicos podem ser encontrados até mesmo entre acadêmicos de faculdades tradicionalmente negras. Miller (1917) preocupou-se com a baixa fertilidade do professorado da Howard University – “o elemento mais alto da raça negra” – quando comparado com o afro-americano médio.

A eugenia encontrou defensores cujas ideologias abrangiam todo o espectro político. O movimento eugênico atraiu alguns reacionários e conservadores. Eugenistas líderes, como Francis Galton e Charles Davenport, diretor do Escritório de Registro de Eugenia no Cold Spring Harbor Laboratory, podem ser descritos como conservadores sociais. Mas outros, como Karl Pearson, eram socialistas. Eugenia ganhou muitos defensores da esquerda, como a defensora do controle de natalidade Margaret Sanger, que começou a vida intelectual como anarquista radical. Socialistas fabianos como Sidney Webb, George Bernard Shaw e H. G. Wells eram eugenistas, assim como Harold Laski e John Maynard Keynes (Paul, 1984). O economista marxista Scott Nearing (1912) e a economista feminista Charlotte Perkins Gilman (1900) também abraçaram a eugenia.

Muitos biólogos foram atraídos pela eugenia. Por exemplo, David Starr Jordan, presidente de Stanford, foi um incansável defensor da ideia eugênica de que “o sangue da nação determina sua história“, assim como foi o geneticista de Harvard e a eugenista E.M. East (Jordan, 1902, p. 1). De fato, Paul e Spencer (1995, p. 302) relatam que antes de 1930, Thomas Hunt Morgan, pioneiro em estudos de moscas da fruta e ganhador do Nobel em fisiologia e medicina em 1933, foi o único geneticista a rejeitar publicamente a ideia eugenista de que traços socialmente indesejáveis eram produto da má hereditariedade.

Por que a eugenia atraía os progressistas?

As ideias eugênicas não eram novas na Era Progressista, mas adquiriram novo ímpeto com o advento da Era Progressista de um governo mais expansivo. Com efeito, a expansão do poder estatal significava que era possível ter não apenas o pensamento eugênico, mas também a prática eugênica. Como historiadora da eugenia Diane Paul (1995, p. 6) escreve, a legislação da eugenia teve que esperar “a ascensão do estado de bem-estar social”.

Progressistas foram atraídos para a eugenia pelo mesmo conjunto de comprometimento intelectual que os levaram a reformar a legislação. Primordialmente era a ideia de reforma de que o laissez faire estava falido. Sidney Webb (1910-1911, p. 237) disse categoricamente: “Nenhum eugenista consistente pode ser um individualista do ‘Laisser Faire’, a menos que ele abandone o jogo em desespero. Ele deve interferir, interferir, interferir!” Da mesma forma, Frank Fetter (1907, pp. 92-93) pronunciou nas reuniões da AEA: “A menos que se encontrem meios eficazes para verificar a degeneração da raça, o ponto alto da grandeza da humanidade está próximo, se já não passou. Nosso otimismo deve ser baseado não no laissez-faire”, disse Fetter, “mas na vigorosa aplicação da ciência, da humanidade e da arte legislativa na solução do problema”.

A oposição progressista ao laissez faire foi motivada por um conjunto de profundos compromissos intelectuais entorno da relação entre ciência social, especialização científica social e governança correta. Os progressistas estavam comprometidos com 1) o poder explicativo da investigação social científica (especialmente estatística) para chegar às raízes dos problemas sociais e econômicos; 2) a legitimidade do controle social, que deriva de uma concepção holista da sociedade como anterior e maior que a soma de seus indivíduos constituintes; 3) a eficácia do controle social via gestão especializada da administração pública; onde 4) a perícia é suficiente e necessária para a tarefa da sábia administração pública.

Não é por acaso que tantos eugenistas notáveis foram pioneiros nas estatísticas. Francis Galton, Karl Pearson e Ronald A. Fisher foram todos fundadores da estatística moderna e foram, além disso, líderes no movimento eugênico. Muitos defensores da eugenia na economia também foram estatisticamente orientados. Francis Amasa Walker, Richmond Mayo-Smith, Irving Fisher e Walter Wilcox eram todos estatísticos, por treinamento e/ou por inclinação. Eles consideravam a medida estatística e a inferência como o método que colocou a “ciência” na ciência social.

Os “tijolos para as fundações” da eugenia, de Karl Pearson (1909, pp. 19-20), enfatizavam os métodos estatísticos como garantia de uma ciência social melhor: “[primeiro] nos afastamos da velha sociologia, na medida em que abandonamos a discussão verbal para fatos estatísticos e [segundo] aplicamos novos métodos de estatística que formam praticamente um novo cálculo.” Os progressistas americanos também viam as estatísticas como uma base científica para suas reformas legislativas. O dito reformador Lester Ward (1915, p. 46): “se as leis de eventos sociais pudessem ser estatisticamente formuladas, elas poderiam ser usadas para a elaboração de leis científicas”.

Os progressistas também acreditavam fortemente na legitimidade do “controle social”, uma expressão de efeito dos reformadores da Era Progressista, como era para seus sucessores, os Institucionalistas. “Controle social” não se referia estritamente à regulação estatal de mercados. Edward A. Ross (1901b), que popularizou o termo, empregou-o em um sentido sociológico mais amplo, para descrever as várias maneiras pelas quais a sociedade “pode moldar o indivíduo à necessidade do grupo”, o que, no contexto de sua eugenia. significou um “programa de sobrevivência” da raça anglo-saxônica (como citado em Furner, 1975, p. 309).

A legitimidade do controle social significava, na prática, a legitimidade do controle estatal. Para os progressistas, a legitimidade do controle estatal derivou de sua concepção do Estado como uma entidade anterior e maior que a soma de seus indivíduos constituintes, uma concepção que se opunha à ênfase tradicional liberal na liberdade individual e à visão liberal de que a legitimidade do Estado deriva unicamente do consentimento de seus criadores individuais. Lester Ward inventou o termo “sociocracia” para descrever o “controle científico das forças sociais pela mente coletiva da sociedade” (Fine, 1956, p. 263).

Os impulsos um pouco antidemocráticos dos progressistas também os levaram a acreditar que os especialistas acadêmicos eram suficientes e necessários para a tarefa da sábia administração pública, porque podiam e suspenderiam seus próprios interesses para transcender o negócio confuso da política democrática. Como diz um texto eugênico amplamente lido: “O governo e o controle social estão nas mãos de políticos experientes que têm poder, em vez de especialistas em tecnologia que têm sabedoria. Deve haver tecnólogos no controle de todos os campos da necessidade humana e do desejo” (conforme citado em New Decalogue, 1923, de Albert Wiggam, em Ludmerer, 1972, pp. 16-17). O argumento em favor da governança tecnocrática foi colocado com franqueza por Irving Fisher (1907, p. 20): “O mundo consiste de duas classes – a educada e a ignorante – e é essencial para o progresso que a primeira possa dominar a segunda. […] Quando admitimos que é apropriado que as classes instruídas deem aulas para os não instruídos, começamos a ver uma visão quase ilimitada para um possível aperfeiçoamento humano”. Assim, a eugenia e o progressismo eram complementares, e não tendências antagônicas nos Estados Unidos durante a Era Progressista (Searle, 1998, pp. 25-26).

É uma tentação considerar o pensamento progressista de um século atrás semelhante ao progressismo contemporâneo, mas os progressistas da Era Progressista viam os pobres e marginalizados com grande ambivalência. Muitos acreditavam claramente que a hereditariedade deficiente oferecia uma base para separar os pobres dignos dos pobres indignos e que a elevação dos pobres dignos exigia o controle eugênico dos pobres indignos. Consideremos o Applied Eugenics (1918) de Popenoe e Johnson, muito bem-sucedido, publicado como parte da série de livros de ciências sociais editada por Richard T. Ely. Popenoe e Johnson defenderam leis que aboliriam o trabalho infantil e proporcionariam educação para todas as crianças, políticas essencialmente progressistas. Mas a educação obrigatória e as proibições de trabalho infantil, para Popenoe e Johnson, eram desejáveis porque os pobres não aptos seriam incapazes de colocar seus filhos para trabalhar e, portanto, teriam menos filhos, uma meta eugênica. De fato, Popenoe e Johnson se opunham aos almoços e livros escolares gratuitos para os pobres, alegando que os subsídios de livros e almoços reduziriam o custo da criação dos filhos e, assim, aumentariam o número de filhos nascidos dos não aptos.

Da mesma forma, Emily Greene Balch, economista da Wellesley College e futura ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1946 por seu papel como ativista da paz, fez o pedido eugênico contra os subsídios para as crianças pobres das escolas. “Se você simplesmente quer ter mais pessoas […] depravadas tão bem quanto qualquer outra classe”, disse Balch (1907, p. 102), então “alimentar as crianças das escolas [é] uma coisa boa; mas se você acredita que é importante […] ter mais do tipo certo de pessoas, qualquer medida de encorajamento deve ser cuidadosamente seletiva em caráter”. Que os progressistas poderiam se opor aos subsídios para as crianças pobres revela até que ponto a eugenia atingiu a reforma da Era Progressista americana.

O que aconteceu com a eugenia da Era Progressista?

A eugenia americana entrou em declínio na década de 1930, cada vez mais sobrecarregada por seus passivos políticos, demográficos e científicos. Politicamente, a estreita associação de ideias eugênicas com o regime nazista desacreditava cada vez mais as políticas eugênicas americanas, e a recém poderosa Igreja Católica também se opunha à eugenia, tanto porque a doutrina da Igreja proibia a interferência na concepção quanto porque muitos católicos americanos pertenciam a grupos considerados não aptos. Mas a eugenia da Era Progressista também foi desfeita por desenvolvimentos demográficos e científicos.

Demograficamente, a eugenia americana perdeu ímpeto de sua própria obra – as cotas de imigração baseadas na raça dos anos 1920 – e da subsequente queda da fertilidade. Já paralisada pela Primeira Guerra Mundial, a imigração dos eugenistas do leste e sul da Europa considerados racialmente inferiores foi efetivamente terminada por restrições de imigração inspiradas na eugenia, notadamente a Lei de Cotas de Emergência de 1921 e a Lei de Imigração de 1924. As cotas da Lei de Imigração reduziram a imigração do sul e leste da Europa, que chegou a ter em média 730.000 pessoas por ano (Goldin, 1994, p. 239) na década antes da Primeira Guerra Mundial (1905-1914), para apenas 20.000 pessoas por ano. E quando, na década de 1930, as taxas de natalidade nos EUA caíram abaixo do nível de reposição, a diminuição da população parecia uma ameaça econômica maior do que a fertilidade diferencial.

Cientificamente, os desenvolvimentos em genética tornaram-se cada vez mais o método preferido da eugenia americana – o desenvolvimento de linhagem familiares elaborado – uma base empírica insustentável para os objetivos eugênicos. Cientistas eugênicos, como o geneticista Charles Davenport, do Eugenics Record Office, construíram centenas de linhagens na visão de que traços hereditários seguiam uma lógica mendeliana simples, ou seja, que todos os traços humanos eram determinados por um par de genes, um de cada pai. Traços, sejam dominantes (expressos quando um ou ambos os pais carregavam um gene dominante) ou recessivos (expressos quando ambos os pais carregavam um gene recessivo) puderam ser mapeados com informações sobre a árvore genealógica e com “pontuação” precisa dos membros da família para a presença ou ausência do traço.

O modelo de traço único de gene único é bom para características, como a Doença de Huntington (dominante) ou albinismo (recessivo), que são facilmente pontuados e são, de fato, causados por uma mutação em um único gene. Mas os eugenistas da Era Progressista eram rotineiramente imprecisos em sua definição de traço – a “debilidade mental”, por exemplo, cobria toda uma gama de deficiências mentais, cuja base genética, quando existia, obviamente podia diferir entre as pessoas. Outros traços que os eugenistas pesquisavam, como a “indolência”, eram fantasiosos, e outros ainda, como inteligência ou habilidade artística, eram bastante complexos, tornando a “pontuação” um problema difícil. (Também deu origem à indústria de testes de inteligência.) As linhagens também mostram apenas que certas características humanas ocorrem nas famílias; eles não podem estabelecer uma causa genética. Mas os cientistas eugênicos normalmente ignoravam as causas não hereditárias – a tal ponto que Davenport pretendia encontrar uma base genética para “talassofilia” ou amor ao mar (Kevles, 1995, p. 49). Finalmente, linhagens são de pouca ajuda para traços poligênicos, características que são determinadas pela interação complexa de um grande número de genes.

Essas deficiências científicas – traços pouco definidos, fantasiosos e complexos, a falta de disposição para lidar com causas ambientais e poligênicas – gradualmente persuadiram os geneticistas americanos, liderados por Thomas Hunt Morgan, a se distanciarem das organizações eugênicas que abraçaram anteriormente. O geneticista Herbert Jennings pediu demissão da American Eugenics Society em 1925, um ano depois de escrever a Irving Fisher que as sociedades de eugenia não eram lugar para os homens da ciência. O geneticista Raymond Pearl (1927), um dos primeiros entusiastas da eugenia, distanciou a genética da eugenia no American Mercury de H. L. Mencken, uma apostasia que provocou a retirada de uma oferta de trabalho em Harvard.

No entanto, o lento recuo dos geneticistas das organizações eugênicas não foi um repúdio à eugenia per se. Se críticos entre geneticistas, como Ronald A. Fisher e Hermann Muller, rejeitavam cada vez mais a ciência por trás da eugenia da Era Progressista, eles não rejeitaram o ideal eugênico. Pelo contrário, Muller, por exemplo, imaginou que uma genética mais sofisticada colocaria a eugenia em uma base científica mais sólida, permitindo melhor a direção social da evolução biológica humana. Se a eugenia americana declinou sob o peso de suas responsabilidades políticas, demográficas e científicas, o sonho eugênico não.

Conclusão

Hoje, a triagem genética e a seleção de sexo são comuns, e alguns chamam as aplicações contemporâneas do conhecimento genômico humano de uma nova eugenia. Mas a eugenia contemporânea, se podemos usar esse termo, difere do antecedente da Era Progressista de duas maneiras importantes. Primeiro, uma melhor compreensão dos mecanismos de herança minou a significância biológica putativa de raça e classe. A identificação casual de raça ou classe com debilidade herdada ainda existe, mas hoje é muito menos difundida. Em segundo lugar, a moderna eugenia (exceções como a China de um lado), dá o poder de selecionar com as famílias, não com o Estado. No atual “mercado livre” da eugenia, os especialistas aconselham, mas não obrigam.[8]

Este último assunto – quem decidirá, o indivíduo ou o Estado? – é central para a história da eugenia, como é para a história da economia. Por exemplo, mesmo os progressistas que condenaram a identificação de raça com inferioridade biológica poderiam permanecer comprometidos com a ideia de seleção eugênica, e com a ideia de que o Estado, e não a “natureza”, deveria selecionar o mais apto.

Gunnar Myrdal escreveu em The American Dilema (1944), seu influente estudo das relações raciais: “Um punhado de cientistas sociais e biológicos nos últimos 50 anos tem gradualmente forçado as pessoas informadas a desistir de alguns dos mais gritantes erros biológicos. Mas ainda deve haver outros incontáveis erros do mesmo tipo que nenhum homem vivo ainda pode detectar, por causa do nevoeiro em que nosso tipo de cultura ocidental nos envolve” (citado em Gould, 1981, p. 23). Myrdal sabia do que ele falava: ele e sua esposa, Alva, eram eugenistas que promoviam uma expansão das leis suecas de esterilização eugênica durante e após a Segunda Guerra Mundial. Mais de 60.000 suecos, sendo mais de 90 por cento deles mulheres, foram esterilizadas de 1941 a 1975 (Broberg e Tyde’n, 1996, pp. 109-110). A eugenia dos Myrdals negou o racismo, mas porque foi considerada “parte do planejamento cientificamente orientado do novo Estado de bem-estar social” (Kevles, 1999), eles não viram a esterilização do inapto como um “erro biológico”.

A arrogância da eugenia da era progressista era dupla. Primeiro, a fé ingênua de que a ciência seria uma cura para males sociais, o que levou à superação dos eugenistas e dos cientistas sociais que apelaram à sua autoridade, e, em segundo lugar, à fé ingênua de que o Estado, guiado por especialistas, provaria ser a melhor garantia do progresso biológico humano, uma fé que Myrdal (1944, p. 1024) declarou em seu discurso de despedida em The American Dilema: “Temos hoje nas ciências sociais uma fé maior na melhoria do homem e sociedade do que jamais tivemos desde o Iluminismo”.

Notas

[N.T] Coolie era um insulto usado no passado para um trabalhador sem habilidades especiais na China, Índia e outras partes da Ásia.

[1] O racismo não é necessário nem suficiente para a eugenia. Os eugenistas suecos de meados do século XX, por exemplo, negaram o racismo. Além disso, alguns com visões racistas eram céticos quanto à ideia de que o controle social da criação humana seria realizado por governos sábios e humanos.

[2] Ver, por exemplo, Richmond Mayo-Smith (1888a, b, c) e Edward W. Bemis (1888).

[3] Edward Ross é lembrado hoje principalmente como um mártir da liberdade acadêmica. Ross se opôs ao uso de mão de obra chinesa imigrante na construção das ferrovias, o que levou à sua saída da Universidade Leland Stanford Jr. em 1900. O caso de Ross estimulou colegas acadêmicos. A Associação Econômica Americana se uniu a seu lado, o que não havia feito com outros economistas cuja política reformista os tornava impopulares entre os patronos da universidade plutocrática.

[4] Os argumentos de suicídio racial não se limitavam de modo algum à economia. O sociólogo de Chicago, Charles Henerson (1909, p. 232), que presidiu a Conferência Nacional de Caridade e Correções, escreveu: “[Meu] não é um argumento contra a imigração”, disse Henderson, “mas apenas contra a imigração de pessoas que não pode ser induzido a exigir uma escala de vida civilizada”. Afirmou Henderson (1900, p. 253), quando “[os inaptos] são removidos, os trabalhadores reais crescerão mais facilmente em poder aquisitivo”. Henderson ofereceu banimento às colônias de trabalhadores rurais para os “débeis mentais e degenerados” que “não são muito numerosos, e podem todos ser facilmente segregados em colônias rurais autossuficientes”. Mas a segregação não era terrível o suficiente, para os “obviamente inaptos” devem, em nome do bem maior, serem coercivamente esterilizados. “É clara e distintamente o direito de uma comunidade“, argumentou Henderson (1909, pp. 228-229), “privá-los de liberdade e assim impedir sua propagação de deficiências e, consequentemente, a perpetuação de sua miséria em seus filhos. Portanto, a política de assexualização indolor é oferecida […]

[5] Nem todos os progressistas endossaram a eugenia, e nem todos os que endossaram a eugenia eram progressistas, tradicionalmente definidos, e ainda menos proponentes de salários mínimos. Taussig não estava especialmente bem disposto a concordar com o salário mínimo, mas seus comentários desatentos medem a influência das ideias eugênicas sobre a economia na Era Progressista.

[6] Como Lawrence Glickman (1997, pp. 85-91) argumenta, a visão progressista da determinação salarial baseou-se na teoria dos sindicatos trabalhistas dos anos 1880. Frank Foster, da Federação Americana do Trabalho, por exemplo, argumentou (como citado em Mussey, 1927, p. 236) que “não é comum o valor do que é produzido que determina principalmente a taxa salarial, mas a natureza e o grau das necessidades dos trabalhadores, como incorporadas em seu modo habitual de viver.” Da mesma forma, o influente e pioneiro reformador trabalhista Carroll Wright (1882, pp. 4-5), um dos primeiros americanos a pedir um salário mínimo legal, afirmou que “a questão do trabalho” é uma questão das “necessidades do trabalhador assalariado”.

[7] Os progressistas também argumentaram que havia um padrão de vida “feminino”, algo que era determinado pela natureza biológica das mulheres, ou por seus papeis “naturais” como mães e ajudantes (Leonard, 2005).

[8] Essas diferenças importantes levaram alguns, como James Watson (1996), co-descobridor da estrutura do DNA, a endossar a eugenia, quando livres de parcialidade e de coerção estatal.

Referências

Adams, Mark, ed. 1990. The Wellborn Science: Eugenics in Germany, France, Brazil, and Russia. New York: Oxford University Press.

Allen, Garland. 1983. “Misuse of Biological Hierarchies: The American Eugenics Movement 1900–1940.” History and Philosophy of the Life Sciences. 5:2, pp. 105–28.

Balch, Emily Greene. 1907. “Western Civilization and the Birth-Rate: Discussion.” Publications of the American Economic Association, 3rd Series. 8:1, pp. 90–112.

Ball, Sidney. 1896. “The Moral Aspects of Socialism.” International Journal of Ethics. April, 6:3, pp. 290–322.

Bemis, Edward W. 1888. “Restriction of Immigration.” Andover Review. March, 9, pp. 251– 64.

Broberg, Gunnar and Nils Roll-Hansen, eds. 1996. Eugenics and the Welfare State: Sterilization Policy in Denmark, Sweden, Norway, and Finland. East Lansing, Mich.: Michigan State University Press.

Broberg, Gunnar and Mattias Tyde´n. 1996. “Eugenics in Sweden: Efficient Care,” in Eugenics and the Welfare State. Gunnar Broberg and Nils Roll-Hansen, eds. East Lansing, Mich.: Michigan State University Press, pp. 77–149.

Brown, JoAnne. 1991. “Mental Measurements and the Rhetorical Force of Numbers,” in Estate of Social Knowledge. David K. van Keuren and JoAnne Brown, eds. Baltimore, Md.: Johns Hop- kins University Press, pp. 134 –52.

Bucur, Maria. 2002. Eugenics and Modernization in Interwar Romania. Pittsburgh, Pa.: University of Pittsburgh Press.

Childs, Donald J. 2001. Modernism and Eugenics: Woolf, Eliot, Yeats and the Culture of Degeneration. New York: Cambridge University Press.

Clark, John Bates. 1913. “The Minimum Wage.” Atlantic Monthly. September, 112, pp. 289–97.

Coats, A. W. 1960. “The First Two Decades of the American Economic Association.” American Economic Review. 50:4, pp. 555–74.

Commons, John R. 1907. Races and Immigrants in America. New York: Chautauqua Press.

Dikötter, Frank. 1992. The Discourse of Race in Modern China. London: Hurst and Company.

Dugdale, Richard. 1877. The ‘Jukes’: A Study in Crime, Pauperism, Disease and Heredity. New York: G. P. Putnam’s Sons.

Fairchild, Henry Pratt. 1911. “The Paradox of Immigration.” American Journal of Sociology. 17:2, pp. 254–67.

Farnam, Henry W. 1888. “The State and the Poor.” Political Science Quarterly. 3:2, pp. 282–310. Fetter, Frank A. 1899. “Social Progress and Race Degeneration.” Forum. October, 28, pp. 228–38.

Fetter, Frank A. 1907. “Western Civilization and the Birth-Rate: Discussion.” Publications of the American Economic Association, 3rd Series. 8:1, pp. 90–112.

Fetter, Frank A. 1918. Economic Principles. New York: Century Co. Fine, Sidney. 1956. Laissez-Faire Thought and the General Welfare State: A Study of Conflict in American Thought, 1865–1901. Ann Arbor, Mich.: University of Michigan Press.

Fisher, Irving. 1907. “Why Has the Doctrine of Laissez Faire been Abandoned?” Science. 25:627, pp. 18–27.

Fisher, Irving. 1912. Elementary Principles of Economics. New York: Macmillan.

Fisher, Irving. 1913. “Eugenics.” Good Health. 48:11, pp. 582–84.

Fisher, Irving. 1921. “Impending Problems of Eugenics.” Scientific Monthly. 13:3, pp. 214–31.

Furner, Mary. 1975. Advocacy and Objectivity: A Crisis in the Professionalization of American Social Science 1865–1905. Lexington: University Press of Kentucky.

Galton, Francis. 1904. “Eugenics: Its Definition, Scope, and Aims” American Journal of Sociology. 10:1, pp. 1–25.

Galton, Francis. 1908. Memoirs of My Life. London: Methuen.

Gilman, Charlotte Perkins Stetson. 1900. Concerning Children. Boston: Small, Maynard and Co. Glickman, Lawrence B. 1997. A Living Wage: American Workers and the Making of Consumer Society. Ithaca: Cornell University Press.

Goldenweiser, E. A. 1912. “Walker’s Theory of Immigration.” American Journal of Sociology. 18:3, pp. 342–51.

Goldin, Claudia. 1994. “The Political Economy of Immigration Restriction in the United States, 1890 to 1921,” in The Regulation of the Economy. Claudia Goldin and Gary Liebcap, eds. Chicago: University of Chicago Press, pp. 223–57.

Gould, Stephen Jay. 1981. The Mismeasure of Man. New York: W. W. Norton.

Hall, Prescott. 1904. “Selection of Immigration.” Annals of the American Academy of Political and Social Science. January, 19, pp. 169–84.

Henderson, Charles R. 1900. “Science in Philanthropy.” Atlantic Monthly. 85:508, pp. 249–54. Henderson, Charles R. 1909. “Are Modern Industry and City Life Unfavorable to the Family?” American Economic Association Quarterly. April, 10:1, pp. 217–32.

Holcombe, Arthur N. 1912. “The Legal Minimum Wage in the United States.” American Economic Review. 2:1, pp. 21–37.

Jordan, David Starr. 1902. The Blood of the Nation: A Study of the Decay of Races Through the Survival of the Unfit. Boston: American Unitarian Association.

Kelley, Florence. 1911. “Minimum Wage Boards.” American Journal of Sociology. 17:3, pp. 303–14.

Kellogg, Paul. 1913. “Immigration and the Minimum Wage.” Annals of the American Academy of Political and Social Science. July, 48, pp. 66–77. Kevles, Daniel. 1995. In the Name of Eugenics. Cambridge: Harvard University Press.

Kevles, Daniel. 1998. “Eugenics in North America,” in Essays in the History of Eugenics. Rob- ert A. Peel, ed. London: Galton Institute, pp. 208–26.

Kevles, Daniel. 1999. “Eugenics and Human Rights.” British Medical Journal. 318:7207, pp. 435–38.

Leonard, Thomas C. 2000. “The Very Idea of Applied Economics: The Modern Minimum-Wage Controversy and its Antecedents,” in Toward a History of Applied Economics, History of Political Economy, Supplement to Volume 32. Roger Backhouse and Jeff Biddle, eds. Durham, N.C.: Duke University Press, pp. 117–44.

Leonard, Thomas C. 2003. “More Merciful and Not Less Effective: Eugenics and Progressive-Era American Economics.” History of Political Economy. 35:4, pp. 709–34.

Leonard, Thomas C. 2005. “Protecting Family and Race: The Progressive Case for Regulating Women’s Work.” American Journal of Economics and Sociology. 64:3, pp. 757–91.

Ludmerer, Kenneth M. 1972. Genetics and American Society. Baltimore, Md.: Johns Hopkins Press.

Marshall, Alfred. 1897. “The Old Generation of Economists and the New.” Quarterly Journal of Economics. 11:2, pp. 115–35.

Mayo-Smith, Richmond. 1888a. “Control of Immigration I.” Political Science Quarterly. 3:1, pp. 46–77.

Mayo-Smith, Richmond. 1888b. “Control of Immigration II.” Political Science Quarterly. 3:2, pp. 197–225.

Mayo-Smith, Richmond. 1888c. “Control of Immigration III.” Political Science Quarterly. 3:3, pp. 409–24.

McLaren, Angus. 1990. Our Own Master Race: Eugenics in Canada 1885–1945. Toronto: McClelland and Stewart.

McMahon, Sean H. 1999. Social Control and Public Intellect: The Legacy of Edward A Ross. New Brunswick, N.J.: Transaction.

Meeker, Royal. 1910. “Review of Cours d’Economie Politique.” Political Science Quarterly. 25:3, pp. 543–45.

Miller, Kelly. 1917. “Eugenics of the Negro Race.” Scientific Monthly. 5:1, pp. 57–59.

Mussey, Raymond. 1927. “Eight Hour Theory in the American Federation of Labor,” in Economic Essays Contributed in Honor of John Bates Clark. New York: Macmillan, pp. 229–43.

Myrdal, Gunnar, with the assistance of Richard Sterner and Arnold Rose. 1944. An American Dilemma. New York: Harper and Brothers.

Nearing, Scott. 1912. The Super Race: An American Problem. New York: B. W. Huebsch.

Nearing, Scott. 1915. “The Inadequacy of American Wages.” Annals of American Academy of Political and Social Science. 59, pp. 111–24.

Orloff, Ann Shola and Theda Skocpol. 1984. “Why Not Equal Protection? Explaining the Politics of Public Social Spending in Britain, 1900–1911, and the United States, 1880–1920.” American Sociological Review. 49:6, pp. 726–50.

Patten, Simon N. 1899. The Development of English Thought: A Study in the Economic Interpretations of History. London: Macmillan.

Patten, Simon N. 1912. “Theories of Progress.” American Economic Review. March, 2:1, pp. 61–68.

Paul, Diane. 1984. “Eugenics and the Left.” Journal of the History of Ideas. 45:4, pp. 567–90.

Paul, Diane. 1995. Controlling Human Heredity, 1865 to the Present. Amherst Books: Humanity Press.

Paul, Diane. 2001. “History of Eugenics,” in International Encyclopedia of Social and Behavioral Sciences. Neil Smelser and Paul Baltes, eds. Amsterdam: Elsevier, pp. 4896–901.

Paul, Diane and Hamish Spencer. 1995. “The Hidden Science of Eugenics.” Nature. March, 23:374, pp. 302–05.

Pearl, Raymond. 1927. “The Biology of Superiority.” American Mercury. November, 12:47, pp. 257–66.

Pearson, Karl. 1909. The Groundwork of Eugenics; Eugenics Laboratory Lecture Series 2. London: Dular and Company.

Pigou, Arthur Cecil. 1913. “The Principle of the Minimum Wage.” The Nineteenth Century. 73, pp. 644–58.

Popenoe, Paul and Roswell Johnson. 1918. Applied Eugenics. New York: Macmillan.

Powell, Thomas Reed. 1917. “The Oregon Minimum-Wage Cases.” Political Science Quarterly. 32:2, pp. 296–311.

Proctor, Robert. 1991. “Eugenics among the Social Sciences: Hereditarian Thought in Germany and the United States,” in Estate of Social Knowledge. David K. van Keuren and JoAnne Brown, eds. Baltimore, Md.: Johns Hopkins University Press, pp. 175–208.

Ripley, William Z. 1899. The Races of Europe: A Sociological Study. New York: D. Appleton and Co. Roosevelt, Theodore. 1907. “A Letter from President Roosevelt on Race Suicide.” American Monthly Review of Reviews. 35:5, pp. 550–51.

Ross, Dorothy. 1991. The Origins of American Social Science. Cambridge: Cambridge University Press.

Ross, Edward A. 1901a. “The Causes of Race Superiority.” Annals of the American Academy of Political and Social Science. July, 18:1, pp. 67–89.

Ross, Edward A. 1901b. Social Control: A Survey of the Foundations of Order. New York: Macmillan. Ross, Edward A. 1903. “Recent Tendencies in Sociology III.” Quarterly Journal of Economics. 17:3, pp. 434–55.

Ross, Edward A. 1907. “Comment on D. Collin Wells, ‘Social Darwinism.’” American Journal of Sociology. 12:5, pp. 695–716.

Ross, Edward A. 1936. Seventy Years of It. New York: D. Appleton-Century Company.

Schneider, William H. 1990. Quality and Quantity: The Quest for Biological Regeneration in Twentieth- Century France. New York : Cambridge University Press.

Seager, Henry Rogers. 1913a. “The Minimum Wage as Part of a Program for Social Reform.” Annals of the American Academy of Political and Social Science. July, 48, pp. 3–12.

Seager, Henry Rogers. 1913b. “The Theory of the Minimum Wage.” American Labor Legislation Review. February, 3, pp. 81–91.

Searle, G. R. 1998. “The Early Years,” in Essays in the History of Eugenics. R. A. Peel, ed. London: The Galton Institute, pp. 20–36.

Stepan, Nancy. 1991. The Hour of Eugenics: Race, Gender, and Nation in Latin America. Ithaca: Cornell University Press.

Suzuki, Zenji. 1975. “Geneticists and the Eugenics Movement in Japan.” Japanese Studies in the History of Science. 14, pp. 157–64.

Taussig, Frank W. 1921. Principles of Economics, 3rd Edition. New York: Macmillan.

Walker, Francis Amasa. 1891. “Immigration and Degradation.” Forum. August, 11, pp. 634 – 44; reprinted in Walker, 1899.

Walker Francis Amasa. 1892. “Immigration.” Yale Review. 1:2, pp. 125–45.

Walker, Francis Amasa. 1896. “Restriction of Immigration.” The Atlantic. 77:464, pp. 822–29.

Walker, Francis Amasa. 1899. Discussions in Economics and Statistics, Volume II. Davis Dewey, ed. New York: Henry Holt and Co.

Ward, Lester F. 1915. Glimpses of the Cosmos. New York: G. P. Putnam’s Sons.

Watson, James D. 1996. “President’s Essay.” Cold Spring Harbor Laboratory. Annual Report, pp. 1–20.

Webb, Sidney. 1907. “The Decline in the Birth-Rate.” Fabian Society Tract 131. London: The Fabian Society.

Webb, Sidney. 1910 –1911. “Eugenics and the Poor Law: The Minority Report.” Eugenics Review. 2:3, pp. 233–41.

Webb, Sidney. 1912. “The Economic Theory of a Legal Minimum Wage.” Journal of Political Economy. December, 20:10, pp. 973–98.

Webb, Sidney and Beatrice Webb. 1897 [1920]. Industrial Democracy. London: Longmans Green.

Wicksteed, Philip H. 1913. “The Distinction between Earnings and Income, and Between a Minimum Wage and a Decent Maintenance: A Challenge,” in The Industrial Unrest and the Living Wage. London: The Collegium, pp. 76–86.

Wolfe, A. B. 1917. “Some Phases of the Minimum Wage: Discussion.” American Economic Review. March, 7:1, pp. 275–81.

Wright, Carroll. 1882. The Relation of Political Economy to the Labor Question. Boston: Franklin Press.