por Tara Smith

[ Originalmente publicado no periódico Reason Papers, Vol. 26, sob o título Money Can Buy Happiness. Tradução de Matheus Pacini. ]

O dinheiro é subestimado.

Essa afirmação pode parecer ridícula em uma era de consumo conspícuo. Dificilmente é necessário que uma pessoa pertença à classe opulenta para (a) dirigir um imponente veículo utilitário esportivo, (b) jantar em restaurantes cada vez melhores, (c) delegar o trabalho doméstico mais pesado a uma empregada, (d) dar-se o luxo de pagar tratamentos de beleza (massagens, limpezas de pele) antes reservados somente ao alto escalão social ou ter uma rotina facilitada por conveniências tecnológicas inimagináveis há algumas décadas. Fazer compras – e passar o cartão de crédito – tornou-se um vício nacional.

Ao mesmo tempo que o apetite por bens materiais parece insaciável, as pessoas se sentem frequentemente atormentadas por um sentimento de culpa. Parte delas vê os desejos materiais como um vício. Mesmo estudantes de escolas de administração caracteristicamente inserem notas autodepreciativas como uma forma de antecipar-se às críticas dos outros por seu interesse por dinheiro.[1] Hoje em dia, a análise mais comum é que as pessoas são demasiadamente materialistas, e que o desejo por “coisas” tem preterido a busca por valores mais elevados.

Nossa obsessão por bens materiais gerou desequilíbrios; viciados em trabalho (workaholics) reclamam da falta de tempo para desfrutar de seus bens. O próprio termo “sociedade de consumo” é uma descrição sarcástica, e não neutra, da vida moderna. O dinheiro – pelo menos em nível teórico – é continuamente atacado tanto pela esquerda, quanto pela direita. Veja os protestos recentes nas reuniões da OMC (Organização Mundial do Comércio) e as queixas contra companhias farmacêuticas, ambos lamentando o poder dos ricos. Ou escute comentaristas de direita (tais como William Bennett, Gertrude Himmelfarb, Hilton Cramer) advertindo que “obter coisas muito facilmente” corromperia nossa virtude, tornar-nos-ia fracos e terminaria por mimar nossos filhos. Ao longo do espectro político, todos concordam que os materialmente mais bem sucedidos têm a responsabilidade de devolver o que foi ganho a suas comunidades, implicando que a prosperidade significaria que um indivíduo “ganhou” demais.[2]

A religião há muito nos alerta contra a atração por bens materiais. A Bíblia cristã é explícita em diversas passagens. “É mais fácil um camelo passar pelo furo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus”. Para merecer a vida eterna, Jesus nos instrui a vender todas as nossas posses e doar o dinheiro aos pobres. Timóteo escreve que o desejo de riqueza leva os homens “à ruína e à destruição. Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”.[3]

Os padres desde então permanecem, na melhor das hipóteses, desconfiados do dinheiro, frequentemente condenando a usura e a “vida luxuosa”, advertindo os fiéis dos perigos do dinheiro como forma de distração (afastando as pessoas de Deus) e de tentação que leva ao pecado.[4] Nos últimos anos, os economistas acrescentaram a esse assalto espiritual o peso das estatísticas em ciências sociais, concluindo através de diversos estudos sobre níveis de renda e bem-estar que o truísmo “dinheiro não pode comprar felicidade” é realmente verdadeiro.[5]

Eu devo discordar. De uma forma importante, o dinheiro pode comprar felicidade. Obviamente, nada impede que o dinheiro seja mal gasto. A relação entre dinheiro e felicidade não é uma causalidade simples e transparente. O senso comum lamentavelmente minimiza a importância do dinheiro. E ao fazê-lo, sabota a capacidade das pessoas serem felizes.

Por essa razão, meu objetivo nesse ensaio é esclarecer a relação entre dinheiro e felicidade. Para fazê-lo, primeiramente esboçarei a natureza básica do dinheiro e a natureza básica da felicidade. Então, explicarei a maneira pela qual o dinheiro contribui para a felicidade, adicionando alguns esclarecimentos antes da conclusão.

1. Dinheiro

O dinheiro é um meio de troca que facilita o comércio. O uso do dinheiro marca um avanço monumental em relação ao escambo devido à flexibilidade do dinheiro. Trata-se de conhecimento básico de economia, mas será útil para que compreendamos o valor do dinheiro.

Dado que uma divisa monetária pode ser trocada por todos os tipos de bens e serviços, seu uso permite que um indivíduo comercialize com outras pessoas – não exclusivamente com aquelas que têm bens que ele deseja – mas que estão, simultaneamente, buscando os produtos que ele tem a oferecer. (No sistema de escambo, por exemplo, o padeiro tem que precisar de um corte de cabelo para ter incentivo a vender pão ao barbeiro). A conversibilidade da moeda em um conjunto de bens e serviços expande astronomicamente o valor dos produtos de um indivíduo.

Ao ampliar o número de pessoas com quem um indivíduo pode vantajosamente comercializar, o dinheiro multiplica suas opções; ele multiplica os fins nos quais sua riqueza pode ser investida. Como Georg Simmel observou, “o valor de uma dada quantia de dinheiro excede o valor de um objeto particular pelo qual é trocado, porque torna possível a escolha de qualquer objeto em uma área ilimitada […] a possibilidade de escolha que ele oferece é um bônus que aumenta seu valor“.[6] Em suma, graças à adoção de uma moeda comum, a capacidade produtiva de uma pessoa adquire um poder muito maior de lhe gerar satisfação.

O dinheiro na carteira de uma pessoa expressa sua aptidão a adquirir bens que deseja (junto a outras que estejam dispostas a vendê-los). A razão mais básica pela qual as pessoas buscam dinheiro, consequentemente, é o seu desejo de estarem aptas a satisfazer seus desejos.

De onde vem o dinheiro? Qual é a origem da riqueza de uma pessoa? Em nível mais fundamental, o dinheiro resulta da produção de bens e serviços, da criação de algo valioso. Mais estritamente: da criação de algo que outras pessoas consideram suficientemente valioso comprar. Se uma pessoa produz algo que não é demandado por outra, ela não será capaz de obter dinheiro com isto; seu produto pode ainda ter valor para ela; pode servir a algum propósito definido, construtivo em sua vida e, dessa forma, constituir parte de sua riqueza. Mesmo assim, se outras não o desejarem, ela não será capaz de trocá-la por dinheiro. A produção de uma pessoa terá maior valor monetário quanto maior for o número de pessoas que a desejam e quanto mais ardentemente a desejam.

Obviamente, certo indivíduo pode obter dinheiro por meio do roubo ou como um presente. Contudo, na essência, mesmo esse dinheiro se origina da produção de bens por outrem. Moedas e notas simbolizam os objetos em si (incluindo serviços, processos específicos, programas, técnicas, fórmulas, composições e assim por diante) que as pessoas trouxeram à existência.[7] (Note que usamos os termos “dinheiro” e “riqueza” às vezes para nos referirmos às reservas em moeda (por exemplo, dólares) e, às vezes, aos próprios produtos (por exemplo, casas, carros, joias, bens de capital) pelo quais o dinheiro pode ser trocado. Eu vou usar “riqueza” no seu sentido mais amplo, e riqueza “monetária ou financeira” para designar a riqueza na forma de moeda).

2. Felicidade

Felicidade é uma condição psicológica que resulta da conquista dos objetivos almejados por um indivíduo. Valores são princípios ou fins que uma pessoa age para obter.[8] São aquelas coisas com as quais uma pessoa se preocupa em ter ou fazer – “preocupar-se” no sentido forte da palavra, que está disposta a agir para protegê-los. Valores podem ser materiais ou espirituais. Alimento, roupas, óculos de sol, um carro, um DVD player seriam valores materiais. Valores “espirituais” são aqueles que dizem respeito à consciência da pessoa (e, portanto, não têm nada de místico ou supernatural). Valores espirituais incluem coisas como conhecimento, beleza, um livro estimulante, um jogo de xadrez desafiador, um trabalho recompensador, saúde mental, autoestima, traços de caráter (por exemplo, honestidade, otimismo, iniciativa), um amigo ou um esposo. Embora os valores espirituais possam tomar uma forma material (um amigo tem um corpo; um livro, páginas), seu valor dependerá primariamente da sua relação com as necessidades da consciência da pessoa.

Felicidade é essencialmente a satisfação que aflora quando um valor foi realizado. Uma pessoa pode estar feliz pela compra dos alimentos da semana, pela economia de tempo no deslocamento até sua casa, ou por ver seu novo computador instalado e pronto para uso. Normalmente, quanto mais precioso o valor ou mais difícil obtê-lo, maior será sua satisfação correlata. Deste modo, esperamos que uma pessoa esteja significativamente mais feliz quando completa sua graduação, recebe uma promoção, ou se casa com o seu grande amor. Mas independentemente de quais sejam o valor e a intensidade da gratificação, o princípio é o mesmo: conquistar valores é o que nos torna felizes.

É interessante distinguir incidentes particulares de felicidade de uma condição mais profunda e abrangente. Enquanto a felicidade resulta do cumprimento de objetivos específicos, quando uma pessoa busca a felicidade em si, ela está atrás de um tipo mais global de satisfação com relação a sua vida – com suas atividades diárias, como está ligado a elas, assim como a tudo ao que elas levam quando ela as analisa em sua totalidade. Essa felicidade mais abrangente requer o reconhecimento que seu tempo e energia estão sendo despendidos de formas produtivas e que ela é eficaz na atuação em favor das coisas que julga importantes.

Da mesma forma, a felicidade enquanto objetivo primordial para a vida de uma pessoa não se refere meramente a uma variedade de ocasiões nas quais você se sente satisfeito. Na verdade, a felicidade integral denota a consciência pessoal contínua de que ela realizou valores e continuará realizando valores, que a realização de valores é uma característica regular de seus dias. Isso não quer dizer que uma pessoa feliz não sofrerá, fracassará ou sentirá frustração. Não estamos sugerindo que a felicidade demanda uma taxa de 100% de sucesso ou que uma pessoa feliz experimentará, em todos os momentos, uma sensação inebriante de êxtase. Dizemos, todavia, que a felicidade se refere a mais que o sentir-se bem sobre coisas seis ou sete vezes por semana. Essa felicidade mais ampla e profunda consiste não somente de episódios isolados de sucesso (mesmo um bom número de episódios), mas sim de um sentimento mais fundamentado de eficácia e sucesso que permeia o sentido da vida da pessoa como um todo. Uma pessoa feliz passa a ver a vida como a realização de valor; a experiência da satisfação torna-se normal.

Para que o sucesso seja alcançado, são necessários valores e ações racionais. Para alcançar a felicidade, uma pessoa deve claramente identificar fins que sejam mutuamente compatíveis e que genuinamente lhe tragam bem-estar, e ela deve agir de forma pensativa e lógica para realizar seus fins. Embora a sorte possa ocasionalmente trazer os bens procurados, nem o acaso, nem o “fazer algo” aleatoriamente podem sustentar a realização de valores no longo prazo.

É também importante não equiparar a felicidade ao prazer resultante da satisfação de um desejo. Os objetos de desejo de uma pessoa não são igualmente bons para ela (como a maioria de nós sabe pela experiência). O forte desejo por certo narcótico não significa que consumi-lo será, tudo considerado, benéfico. O mesmo se aplica a todos os desejos.

Consequentemente, eu devo usar “valores” para me referir aos fins cuja obtenção poderia, de fato, melhorar a vida de uma pessoa. Obviamente, a determinação do que é bom para uma pessoa pode ser uma atividade complexa, e deve levar em conta todas as peculiaridades do contexto particular de um indivíduo – suas habilidades, necessidades, recursos, conhecimento, etc. Para nosso propósito, eu simplesmente desejo destacar que a compreensão da liberdade enquanto função da realização de valor não implicará em hedonismo. Em outro artigo, argumentei detalhadamente que é a busca pela vida que dá origem ao próprio fenômeno dos valorer.[9] Somente se nos fundamentarmos neste objetivo global é que poderemos legitimamente distinguir algumas coisas como valiosas para uma pessoa, e outras como ruins. A vida, portanto, oferece o padrão de medida objetivo pelo qual podemos identificar valores de boa-fé (fins que contribuem de fato para o bem-estar da pessoa).[10]

Uma característica adicional da felicidade é significativa para nossa reflexão. A felicidade deve ser autogerada. Tanto os fins, quanto os meios para alcançar tais fins devem ser selecionados pelo julgamento independente e devem ser perseguidos pela ação do próprio indivíduo.

Aristóteles estava certo quando observou que certos bens externos são necessários para a eudemonia.[11] Uma pessoa não pode florescer na ausência de um mínimo de bens materiais. Mesmo assim, ao invés de residir no que se possui simplesmente, o cerne da felicidade humana reside muito mais em como uma pessoa vive sua vida.

Da mesma forma, a felicidade não é um tipo de coisa que pode ser transferida de uma pessoa para outra. Ela não pode ser emprestada, roubada, compartilhada ou imposta. Benfeitores podem prover todos os tipos de apoio – material e moral – e estes podem ajudar as pessoas de forma substancial. Dinheiro, tempo livre ou um ouvinte atento podem fortalecer a habilidade de uma pessoa alcançar um objetivo difícil. No final das contas, todavia, um indivíduo, mesmo que amoroso e generoso, não pode fazer outra pessoa feliz. Ele não pode realizar-se em lugar de outrem, e consequentemente, não pode oferecer o tipo de satisfação na qual consiste a felicidade. Realizar valores é uma atividade relacionada ao esforço próprio e particular da pessoa. Deste modo, a habilidade de exercício da vontade de um indivíduo – autonomia – é um pré-requisito da felicidade.

Um sentimento de eficácia na realização parece ser parte do que estimula a felicidade. Quando uma pessoa realmente realiza um valor, não é a realização exclusiva de um fim particular que a faz sentir-se bem. É também o conhecimento de que ela foi capaz de fazê-lo. Isto é, sua realização específica, manda uma mensagem mais ampla ao seu subconsciente: “eu sou o tipo de pessoa que é capaz de alcançar meus objetivos; eu sou competente para ter sucesso no mundo”. Todavia, esse sentimento de eficácia surge somente quando a pessoa escolhe seus meios e fins por conta própria.[12]

3. Como o dinheiro “compra” felicidade

Então, quando o dinheiro entra nesta equação? Como ele contribui para a felicidade? De duas formas fundamentais – direta e indiretamente – o dinheiro facilita a realização de valores das pessoas.

3.1. Seres materiais  têm necessidades materiais

Seres humanos não são cérebros encubados. Nós somos seres físicos tanto quanto espirituais, corpos assim como consciências. Como tal, temos necessidades materiais. O dinheiro é um instrumento para a satisfação dessas necessidades. Ele oferece a habilidade da troca por bens necessários.

Isso não subestima a dimensão espiritual da vida. Para muitas pessoas, certos valores espirituais é que fazem a vida valer a pena.

Entretanto, o que nos faz seguir adiante, ao nível biológico mais fundamental, é a satisfação das necessidades físicas. Há coisas que são básicas para a vida. É ridículo minimizar esse fato ou proceder como se, de alguma forma, não fosse assim. Mesmo um missionário ou um asceta necessita de um lugar para descansar, alimento para se nutrir, remédios para curar suas doenças.

O dogma de que o dinheiro não pode comprar felicidade frequentemente manifesta uma hostilidade mais ampla à natureza física dos seres humanos. Em larga medida, o desdém com relação ao dinheiro reflete o esnobismo platônico contra o “domínio sensorial” que se exerceria sobre as pessoas. É o legado da dicotomia corpo-alma que coloca a mente como moralmente superior a nossa natureza material.

Todavia, o espiritual é, na verdade, vazio sem o material. Uma pessoa não pode experimentar ou desfrutar de algo enquanto ser desencarnado. Ela deve satisfazer suas necessidades materiais. Essa satisfação é alcançada por meio do dinheiro. Ele é sua reivindicação aos bens e serviços necessários para a manutenção de sua vida. É a riqueza – seja na forma de moeda em posse de uma pessoa ou em bens que ela produz e pode converter em moeda (dinheiro) – que lhe permite adquirir as coisas sem as quais não poderia sobreviver.

O mau uso de bens materiais é, lamentavelmente, bastante disseminado. As pessoas frequentemente superestimam o poder da riqueza. Elas esperam mais do que os bens materiais podem oferecer, investindo emocionalmente na riqueza per se, e não nos fins que dão significado à riqueza. Essas concepções errôneas alimentam a hipótese de que o problema está no dinheiro em si. Ainda assim, o mau uso é somente isso – um erro de nossa parte. Bens materiais são vitais para a felicidade.

Meu argumento não é que o dinheiro ou os bens materiais são inerentemente valiosos. Eles não são valiosos independentemente das razões pelas quais são buscados, dos meios pelos quais são buscados, ou dos usos para os quais são aplicados. Nada é bom independentemente de um contexto individual.[13] Objetos materiais tornam-se bons somente quando oferecem uma contribuição positiva à sobrevivência e ao florescimento de um indivíduo. Coisas materiais permanecem moralmente neutras até que gerem algum impacto palpável sobre o bem-estar de uma pessoa.

O dinheiro pode, todavia, ser uma chave de acesso a todos os tipos de valores – mundanos ou modestos, raros ou extravagantes, oferecendo gratificação imediata ou satisfação duradoura. O dinheiro pode comprar um hambúrguer ou caviar, lã ou zibelina, uma passagem de ônibus ou de um cruzeiro, uma cadeira de rodas ou um novo nariz, serviços elétricos ou acesso à internet sem fio de alta velocidade. O dinheiro pode ajudar a pessoa a obter qualquer um de uma quantidade cada vez maior de bens e serviços que outros criaram e oferecem para a venda. Seu potencial nesse sentido é limitado somente pela criatividade produtiva dos indivíduos.

3.2. Dinheiro é tempo

Todos nós compreendemos o ditado popular “tempo é dinheiro”. Enquanto as pessoas perdem tempo, a oportunidade de ganhar dinheiro – fazer algo valioso com seu tempo – é perdida. O que é igualmente verdade, embora muito menos apreciado, é que o inverso também é verdade: dinheiro é tempo. E essa observação oferece um esclarecimento ainda maior à contribuição do dinheiro para a felicidade.

Esse ponto é bem expressado por uma personagem do romance A Revolta de Atlas, de Ayn Rand. Elis Wyatt explica a um visitante os benefícios de seus métodos avançados de operação extrativa de petróleo:

Mas agora sou mais rico do que era no mundo. O que é a riqueza senão um meio de expandir a própria vida? Há duas maneiras de conseguir isso: ou produzindo mais ou produzindo mais depressa. E é isso que estou fazendo: fabricando tempo. Estou produzindo tudo de que necessito, trabalhando para aperfeiçoar meu método, e cada hora que economizo é uma hora de vida que ganho. Antes eu levava cinco horas para encher esse tanque. Agora levo três. As duas horas que ganhei são minhas, assim como se eu houvesse atrasado a hora da minha morte. Ganho mais duas para cada cinco horas de vida que ainda tenho. São duas horas que não preciso gastar numa tarefa, que posso investir numa outra; mais duas horas para trabalhar, crescer, andar para frente. Essa é a minha caderneta de poupança […].[14]

A ideia central é elegantemente simples. Em primeiro lugar, por que trabalhamos para ganhar dinheiro? Para nos sustentar. Cada um de nós requer uma determinada quantidade de coisas para viver. Mesmo a mínima subsistência demanda combustível. Nós somos assim obrigados a produzir as coisas de que necessitamos para sobreviver.

Quanto mais fácil a produção daquelas coisas, menos esforço e energia necessários: há mais tempo para se investir em atividades mais prazerosas. Quanto mais a pessoa produz (no que consiste sua riqueza), menos ela necessita produzir no futuro. E maior sua habilidade de empregar seu trabalho produtivo em alguma atividade que considera gratificante.

Sem dinheiro, uma pessoa deve se concentrar nas tarefas que deverá executar para sobreviver mais um dia: as necessidades básicas são motivo de preocupação. Com dinheiro, uma pessoa pode refletir sobre o que gostaria de fazer e se dedicar às suas preferências. O dinheiro permite que uma pessoa organize seus dias de acordo com sua vontade (por exemplo, tomar café no McDonald’s em vez de preparar o café em casa, comprar um carro em vez de depender de ônibus, trabalhar como jardineiro em vez de programador).

Em resumo, o dinheiro traz autonomia. Maior independência das urgências das necessidades básicas significa maior arbítrio sobre as atividades de um indivíduo, permitindo à pessoa exercer maior controle sobre a configuração dos seus dias. Autonomia – como vimos antes – é a base para a felicidade.

Considere uma pequena variação no cenário de Wyatt. Suponha que Ron necessite trabalhar oito horas por dia para ganhar o suficiente para manter a si e a sua família (moradia, alimentação, roupas, lazer) em um nível x. Agora suponha que, devido a maior demanda ou produção mais eficiente de sua parte, ele necessita trabalhar somente seis horas por dia para sustentar aquele padrão de vida.

O que acontece com aquelas duas horas extras? Isso dependerá de Ron, é claro, e de como ele as utilizará. Mas essa é “a” questão. E esse é o valor da riqueza. Aquelas horas agora se tornaram disponíveis para Ron gastar como bem entender. Ele não necessita trabalhar durante aquele tempo de forma a manter seu atual padrão de vida, embora ele possa buscar um padrão de vida mais elevado e trabalhar naquelas horas para alcançar esse objetivo. Mas ele também pode usar o tempo para diferentes tipos de recompensas: ele pode ir ao parque, ir ao cinema, ficar com sua esposa, brincar com as crianças, tocar piano, escrever, ler, correr e pintar. Ele pode se preparar para perseguir uma linha de trabalho diferente do que considera mais prazerosa (obtendo a formação ou treinamento adequados, enviando currículos). Ele pode fazer o que considerar mais útil para sua felicidade geral.[15]

Parte do tempo que Ron antigamente tinha que “pagar” para sobreviver (trabalhando para assegurar um determinado padrão de vida) está agora disponível. Dessa forma, como Wyatt descreveu, mais dinheiro significa mais tempo.  E mais tempo a ser consagrado ao bem-estar de um indivíduo – ou à elevação substancial do seu padrão de vida – conduz diretamente a mais felicidade.

O economista Robert Frank, que dificilmente pode ser considerado um entusiasta desqualificado do dinheiro, essencialmente admite tal fato quando escreve:

[…] tornar-se mais produtivo é uma coisa boa somente porque nos dá novas opções. Permite-nos ganhar mais e comprar mais se assim quisermos, mas também nos permite ganhar a mesma quantia trabalhando menos, ou gastar mais na conservação do meio ambiente. Ceteris paribus, quanto mais produtiva é uma sociedade, maior é a habilidade de cada cidadão buscar sua própria visão de uma vida boa.

O poder que tem o dinheiro de expandir as opções da pessoa é o âmago de sua contribuição para a felicidade. Um determinado indivíduo pode preferir gastar sua vida como um romancista, mas ser incapaz de manter um padrão de vida aceitável por meio da literatura. Mais dinheiro – e o tempo que com ele é comprado – torna essa busca uma opção possível. Um acadêmico pode preferir maior concentração na pesquisa que no ensino; mais dinheiro torna aquela possibilidade mais palpável. Uma pessoa pode valorizar passar mais tempo com seus filhos enquanto são jovens, ou tranquilidade de espírito quanto à sua aposentadoria; mais dinheiro aumenta essas possibilidades.

Uma das coisas esclarecidas nesses exemplos é que o dinheiro é importante não somente para satisfazer desejos físicos ou adquirir bens materiais. Ele é igualmente essencial para a realização de muitos valores espirituais. Antes, destaquei as necessidades materiais dos seres humanos de modo a afirmar a legitimidade dos valores materiais que o dinheiro ajuda a pessoa a obter. Os moralistas normalmente dão pouca importância a eles. Mesmo assim, o valor do dinheiro não reside exclusivamente no seu serviço aos bens materiais. O dinheiro facilita a realização de todos os valores, espirituais e materiais.

É também importante reconhecer que o valor do trabalho não reside inteiramente nos produtos finais do trabalho. Minha ênfase nos bens (materiais e espirituais) que o dinheiro torna disponíveis à pessoa não deveria nos levar a supor que o trabalho é um doloroso e lastimável dever e o pagamento – ou recompensa – está alienado até que o trabalho seja finalizado. Alguns dos valores espirituais que o dinheiro facilita deveriam nos ajudar a apreciar tal fato. A produção é valiosa não somente pelo consumo eventual; o trabalho em si pode ser uma das coisas que uma pessoa considera mais profundamente gratificante.

Muito valor pode ser obtido no processo de criação de riqueza, nas atividades de produção de bens e fornecimento de serviços: a concepção de um novo produto, conveniência ou melhoria qualitativa que será bem recebida pelos consumidores; o estabelecimento de um método mais eficiente de manufatura ou sistema de entrega; planejamento e construção de prédios e pontes; tratamento de doenças; pesquisas químicas, ensino da história; direção de uma peça de teatro; organização de um recital; obtenção de financiamento; a publicação de um livro. O próprio trabalho produtivo pode ser profundamente gratificante. Veja, por exemplo, o grande número de ricos que continua a trabalhar mesmo depois de ter obtido riqueza suficiente para atender às suas necessidades em alto nível. Ou considere o professor de 77 anos que posterga sua aposentadoria, apesar do fato de que ele poderia a esta altura se aposentar de forma confortável. É a realização da atividade, não somente as coisas que o dinheiro pode comprar, que mantém Warren Buffett, Michael Dell e muitos outros trabalhando duro, fazendo o que amam. As pessoas não trabalham simplesmente para poder desfrutar da felicidade no futuro.

Entender que tanto a geração de riqueza quanto o seu consumo podem aumentar a felicidade da pessoa continua a ser o meu argumento principal. O dinheiro compra os bens materiais que são pré-requisitos da vida e da felicidade, e o dinheiro compra o tempo para que busquemos quaisquer fins espirituais que uma pessoa considera essenciais para a realização da sua felicidade. O dinheiro aumenta a habilidade da pessoa alcançar seus objetivos. A realização de valores é o caminho para a felicidade.

4. Esclarecimentos

Observe com atenção minha exata alegação: o dinheiro pode comprar felicidade. Eu não argumentei que assim acontece – sempre, necessariamente, em todos os casos. A felicidade não é algo pronto em uma prateleira e disponível a quem quer que possa oferecer o preço sugerido. O dinheiro pode igualmente comprar desperdícios, vícios, pessoas superficiais e miséria. Eu não estou propondo que o dinheiro seja uma panaceia psicológica: “para qualquer pessoa com depressão: esqueça a terapia, esqueça o Prozac, e simplesmente use seu dinheiro”. Há mais na felicidade que somente posses materiais.

Como notado anteriormente, o dinheiro não é intrinsecamente bom. Da mesma forma, não é incondicionalmente bom. A riqueza que um indivíduo obtém é uma ferramenta que, para aumentar sua felicidade, deve ser usada sabiamente.

Ayn Rand, em outro momento, ofereceu uma distinção útil entre os que fazem dinheiro e os que se apropriam do dinheiro [Nota: Nos Estados Unidos, usa-se a expressão “make money”, em tradução literal “fazer dinheiro”, para se referir a ideia que aqui temos como “ganhar dinheiro”.]. Quem se apropria, ela explicou, não cria nada de valor, mas obtém seu dinheiro manipulando outras pessoas. Tal pessoa pode se tornar rica sem literalmente produzir nenhum tipo de riqueza, sem adicionar nada ao estoque global de bens e serviços. Quem faz dinheiro, pelo contrário, cria valor genuíno: gera produtos novos e valiosos. O ponto importante aqui é que somente a riqueza de quem faz dinheiro é que pode verdadeiramente contribuir para a felicidade de uma pessoa. E pode fazê-lo precisamente porque o criador de riqueza “não se importa com o dinheiro em si”. Para ele, o dinheiro é um meio para se alcançar um fim: uma forma de “expansão do âmbito de sua atividade”, que fortalece a sua habilidade de traçar o rumo de sua vida.[16]

A lição mais ampla é que, enquanto o dinheiro pode comprar felicidade, o dinheiro não pode garantir a felicidade, já que uma pessoa pode gastar mal seu dinheiro ou seu tempo. O dinheiro não fornece à pessoa uma direção vantajosa a seguir nas suas atividades, nem as virtudes necessárias para sobreviver ao longo do caminho. Não obstante, o dinheiro pode comprar felicidade quando os objetivos e os meios empregados por uma pessoa são racionais. (O dinheiro não pode proteger a pessoa do infortúnio, mas pode tornar tais infortúnios menos prováveis e muitos outros mais facilmente administráveis).

Pessoas pobres podem ser felizes? Sim. E pessoas ricas podem ser infelizes. Todos nós sabemos disso por simples observação. Nenhum desses fatos prejudica a minha tese, todavia.

Os relatórios de economistas afirmando que um aumento na renda nem sempre causa um aumento na satisfação de vida das pessoas apenas testemunham o fato de que o dinheiro não é uma condição suficiente para a felicidade.[17] O fato de que as pessoas ricas possam sofrer de um desejo desenfreado de consumir bens materiais (affluenza) apenas destaca que o dinheiro não é per se uma filosofia de vida adequada. Como Aristóteles observou, a riqueza não é o bem mais elevado, dado que sempre é procurada por causa de outra coisa.[18] Por conseguinte, não devemos esperar que ela funcione na vida das pessoas como se fosse o bem mais elevado.

Um pouco mais perturbador, pelo menos inicialmente, é o fato de que pessoas pobres possam ser felizes, pois isso confirma que o dinheiro não é mesmo necessário para a felicidade. Mais precisamente, todavia, isto indica que grandes quantidades de dinheiro não são necessárias. E isso é verdade.

Minha alegação não tem sido que a felicidade requer que todo mundo tenha a mesma quantidade de dinheiro ou que o dinheiro ocupe uma posição idêntica na hierarquia de valores de todas as pessoas. Eu não incitei pessoas a buscarem o maior número possível de dólares. Como o dinheiro é um meio, tal visão distorceria a função do dinheiro convertendo-o em um fim. Indivíduos frequentemente escolhem, de forma racional, renunciar a uma renda maior com intuito de desfrutar de outras coisas que valorizam mais.

Não obstante, quanto mais pobre é uma pessoa, mais precária é a sua vida e felicidade. Níveis profundos de pobreza tencionam maior vulnerabilidade, maior possibilidade de sermos afastados das atividades que preferimos para poder conter ameaças ao nosso bem-estar mínimo. Uma pessoa pobre, por exemplo, pode ser conduzida a buscar um segundo emprego para conseguir realizar uma operação médica. Quanto menos riqueza uma pessoa possui, maior a preocupação referente à sobrevivência (como a quitação de um aluguel) – o que deixa menos tempo e tranquilidade para atividades mais prazerosas. Uma pequena quantia de dinheiro é indispensável para a felicidade simplesmente porque, querendo ou não, os seres humanos têm necessidades físicas e materiais. Se não satisfizermos estas necessidades, perecemos. A realidade é que mesmo as pessoas pobres podem ser pobres até determinado nível; abaixo de certo padrão, ninguém sobrevive.[19]

Alguém poderia objetar que minha tese foi progressivamente se diluindo desde o momento em que começamos. Se tudo que eu quero dizer é que o dinheiro pode comprar felicidade, com forte ênfase nas ressalvas, não seria isto uma alegação sem notável importância?

Eu não acho, já que estou contestando o que se considera como um truísmo. Eu não preciso abraçar a falsa tese de que o dinheiro garante a felicidade para dizer algo significativo. Dinheiro recebido e gasto de forma inteligente pode comprar felicidade das formas descritas acima. O dinheiro compra bens e o dinheiro compra tempo.

O dinheiro compra a autonomia para moldar a vida à imagem dos seus ideais. O dinheiro alimenta a felicidade por ajudar a pessoa a realizar os valores dos quais é composta a felicidade. Como muitas coisas, o dinheiro pode ser mal investido. Mesmo assim, o dinheiro também pode ser bem investido em coisas maravilhosas, incluindo a mais importante de todas: experimentar a alegria da vida. Esse fato deve ser diretamente reconhecido se as pessoas quiserem abraçar o dinheiro sem remorsos, se quiserem realmente ter controle suficiente sobre suas vidas em busca da realização de seus objetivos e cumprimento de seus sonhos.

Conclusão

A verdade no clichê de que “o dinheiro não compra felicidade” é que a felicidade não é algo facilmente acessível. O dinheiro não oferece atalhos. É importante apreciar o perigo da defesa leviana desse clichê, todavia.

Por um lado, é simplesmente um conselho desastrosamente ruim, além de contraproducente à busca da felicidade. Se o dinheiro pode contribuir para a felicidade, como argumentei – se é necessário para a obtenção de ingredientes básicos e precondições para a felicidade – então insistir que ele não pode é trancar o caminho que leva à felicidade. Tal forma de pensar bloqueia o caminho que poderia, se propriamente seguido, permitir aos indivíduos realizar seus valores. Aconselhar que as pessoas se afastem do dinheiro é um prejuízo a sua habilidade de serem felizes.

Por outro lado, e num nível mais profundo, desencorajar a busca pelo dinheiro sabendo o que o dinheiro torna possível – a realização dos desejos dos indivíduos por uma vida melhor – seria desencorajar a própria busca pela felicidade. Isso é muito pior que um conselho ruim.

Alguns podem se preocupar com o incentivo à busca de dinheiro em uma sociedade que já é excessivamente materialista. “Já não seriam nossos filhos mimados o bastante?”. Porém, meu objetivo dificilmente é a “caça” ao dinheiro, uma aquisição sem sentido, um fim em si mesmo. Embora exista muito a lamentar sobre as prioridades da sociedade contemporânea, o dinheiro não é o problema fundamental. Na nossa ânsia por ensinar que o dinheiro não é a coisa mais importante na vida, acabamos indo longe demais, denegrindo o dinheiro como se fosse algo sem valor. Enquanto o dinheiro e os bens materiais não são inerentemente bons, é igualmente errado considerá-los como inerentemente maus.

Reconsiderar o papel que exerceria o dinheiro para a felicidade nos força a confrontar a natureza da própria felicidade, um tópico muito abrangente que dificilmente poderíamos tratar em um breve ensaio. Em sua essência, todavia, a felicidade é uma função do sucesso: resulta da realização de valores. Nós temos visto que o dinheiro facilita a realização de valores em aspectos cruciais. “Fazer dinheiro” (no sentido literal de criação de riqueza) é o próprio processo de realização de valores. Gastar dinheiro é uma forma de adquirir outros bens e serviços que são valores para um indivíduo ou que aumentarão sua habilidade de realizar seus valores. Seja pela troca direta por bens ou pela compra de tempo para consagrar àqueles fins que uma pessoa considera mais valiosos, o dinheiro fortifica a habilidade de uma pessoa conseguir o que quer e fazer o que queira. Como tal, o dinheiro deve ser celebrado, elogiado – e procurado.

Esse artigo tem por intenção nos libertar da tirania que representam as condenações viscerais ao dinheiro – e da reticência sentida pelas pessoas que buscam a riqueza e do sentimento de culpa que frequentemente acompanha tal ato. Mas por que motivo estender tal perdão ao dinheiro? Porque o dinheiro pode definitivamente contribuir para a felicidade. E porque a felicidade é a coisa mais importante na vida.

Notas

[1] Andrew Hacker fala por muitos quando deprecia o consumo pessoal e escreve que “ser o líder de consumo não é necessariamente motivo para felicitações” (HACKER, Andrew. Money—Who Has How Much and Why. New York: Scribner, 1997, p. 19). O movimento Simplicidade Voluntária procura restaurar prioridades menos materialistas ao incitar as pessoas a reduzir sua carga horária, assim como suas posses. Veja (DOMINGUEZ, Joe e ROBIN, Vicki. Your Money or Your Life. New York: Viking, 1992; BREATHNACH, Sarah Ban. Simple Abundance. New York: Warner Books, 1995); ou, para uma descrição rápida do movimento, veja (FRANK, Robert. Luxury Fever. New York: The Free Press, 1999).

[2] D’SOUZA Dinesh. The Virtue of Prosperity. New York: The Free Press, 2000, p. 39-48. D’Souza também cita um amigo que defende que o país foi “salvo” pela Grande Depressão.

[3] Marcos 10:23-27; Marcos 10: 17-22; 1 Timóteo 6: 8-11. New American Standard Bible. Carol Stream, Ill: Creation House, 1973. Entre outras passagens relevantes, veja Lucas 6: 21-25, e Lucas 12: 16-35.

[4] Para uma análise da postura histórica do Cristianismo com relação ao dinheiro, veja (VINER, Jacob. Religious Thought and Economic Society. Durham, NC: Duke University Press. 1978).

[5] Tais estudos são citados em FRANK, LANE, Robert E. Does Money Buy Happiness, The Public Interest (n. 113, Fall 1993): 56-65; LEONHARDT, David. If Richer Isn’t Happier, What Is? New York Times. 15 de maio de 2001, p. 15-17.

[6] SIMMEL, Georg. The Philosophy of Money. Ed. David Frisby, trad. Tom Bottomore e David Frisby.  London: Routledge, 1990.

[7] Estou deixando de lado as distorções introduzidas pela moeda fiduciária.

[8] Ambas as caracterizações são encontradas em RAND, Ayn. The Objectivist Ethics, The Virtue of Selfishness. New York: Signet, 1964. p. 31, 16.

[9] Veja, em especial, os capítulos 4 e 5. SMITH, Tara. Viable Values—A Study of Life as the Root and Reward of Morality. Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2000.

[10] A objetividade dos valores permite uma variedade considerável de coisas específicas que uma pessoa pode legitimamente buscar como valores em sua vida. Vários tipos de carreiras são valores legítimos, assim como vários tipos de hobbies e de formas de recreação, preferências de moda, decoração, filmes, gastronomia, música e etc. O ponto não é restringir as buscas humanas a um grupo estreito de conformidade mecânica. O ponto é que os valores devem colaborar genuinamente para o bem-estar geral da pessoa no longo prazo. Para mais discussões sobre critérios na seleção de valores, veja meu livro, Viable Values, p. 97-103. E para uma exploração mais profunda da natureza da felicidade, veja o capítulo 5.

[11] ARISTOTLE. Nicomachean Ethics. Book I, chapter 8, 1099b.

[12] Eu aprofundo esse tema no meu livro Viable Values, p. 136-143

[13] Eu argumentei contra a possibilidade de algo ter valor intrínseco em Intrinsic Value: Look- Say Ethics, The Journal of Value Inquiry 32 no. 4. December 1998, p. 539-553 assim como em Viable Values, capítulo 3.

[14] RAND, Ayn. Atlas Shrugged. New York: Dutton, 1957, p. 721-722. Passagem original: “What’s wealth but the means of expanding one’s life? There’s two ways one can do it: either by producing more or by producing it faster. And that’s what I’m doing: manufacturing time… I’m producing everything I need, I’m working to improve my methods, and every hour I save is an hour added to my life.  It used to take me five hours to fill that tank. It now takes three. The two I saved are mine—as pricelessly mine as if I moved my grave two further hours away for every five I’ve got. It’s two hours released from one task, to be invested in another—two more hours in which to work, to grow, to move forward. That’s the saving account I’m hoarding…”

[15] Falar da busca da realização de valores de uma pessoa em vez da busca de um padrão de vida mais elevado é, de certa forma, enganoso. Contudo, está de acordo com o uso convencional, que mede o padrão de vida exclusivamente em termos monetários ao refletir, por exemplo, a renda ou os custos de moradia. Na verdade, é claro, ao buscar essas outras atividades, Ron está elevando a qualidade de vida geral e, por conseguinte, seu próprio padrão de vida.

[16] The Money Making Personality. Why Businessmen Need Philosophy. Ed Richard E. Ralston. Marina Del Rey CA: Ayn Rand Institute Press, 1999). Para discussões sobre o dinheiro como uma ferramenta cujo valor depende do caráter do seu proprietário, veja A Revolta de Atlas.

[17] Veja referência nº 5

[18] ARISTOTLE. Book I, chapter 5, 1096a5. O método aristotélico de avaliação de candidatos para o bem maior era subjetivo, baseado nas formas pelas quais a maioria das pessoas tratava tais questões, mas sua conclusão sobre o dinheiro acabou sendo correta.

[19] Note que alguns dos estudos mais elogiados são baseados no impacto do dinheiro sobre o senso de bem-estar das pessoas “assim que um nível determinado de afluência é alcançado”. Frank, 65.