O debate sobre o cálculo econômico: lições para os austríacos

Minha história da articulação em desenvolvimento da moderna perspectiva austríaca é complicada, especialmente no que diz respeito ao debate sobre o cálculo, pela circunstância de que, a partir dessa perspectiva, parece haver três níveis distintos de entendimento econômico em relação ao sistema de preços. Pode ser útil para mim soletrar isso neste momento. São, respectivamente, (1) o reconhecimento da escassez, (2) o reconhecimento do papel da informação e (3) o reconhecimento do papel da descoberta.

O significado da competição

A lição prática de tudo isso, penso eu, é que devemos nos preocupar muito menos com a questão de saber se a competição em um determinado caso é perfeita e se preocupar muito mais com a existência de concorrência. O que nossos modelos teóricos de indústrias separadas ocultam é que, na prática, um abismo muito maior divide a competição da falta dela do que a competição imperfeita. Ainda a tendência atual na discussão é ser intolerante sobre as imperfeições e ficar em silêncio sobre o impedimento da concorrência.

O uso do conhecimento na sociedade

O problema de que estamos tratando aqui de forma alguma diz respeito exclusivamente à economia, pois ele surge junto com quase todos os outros verdadeiros fenômenos sociais, com a linguagem e boa parte da nossa herança cultural, constituindo de fato o problema central de toda ciência social. Como Alfred Whitehead disse, em relação a outra coisa, "Um truísmo profundamente falso, repetido por todos os manuais e nos discursos das pessoas eminentes, diz que devemos cultivar o hábito de pensar sobre o que estamos fazendo. O oposto é que é verdadeiro. A civilização progride quando aumentamos o número de trabalhos importantes que podemos realizar sem pensar neles".

Menger, Liberalismo Clássico e a Escola Austríaca de Economia

Essa visão da soberania do consumidor oferece um critério normativo que difere acentuadamente da base clássica do laissez-faire. Os economistas clássicos viam a economia de livre mercado produzindo (sob os incentivos proporcionados pela mão invisível) o maior volume possível de riqueza material. A visão de mercado de Menger apontava, não tanto para uma maximização da produção agregada, quanto para um padrão de governança econômica exercido pelas preferências do consumidor.

Carl Menger e a tradição subjetivista na economia

Argumentamos anteriormente, neste capítulo, que a contribuição chave de Menger, e o cerne de seu subjetivismo, não está em sua teoria da utilidade marginal, mas em sua visão revolucionária da economia. Nessa visão, Menger viu todo o sistema como um complexo de atividades, direta ou indiretamente inspiradas pelo objetivo de satisfazer as necessidades do consumidor. É claro que esse complexo de atividades ocorre no contexto das restrições de recursos relevantes e das possibilidades tecnológicas, mas esse histórico permanece - em segundo plano. Para ter certeza, as atividades concretas refletirão o caráter específico desse histórico, mas a natureza essencial dessas atividades continua sendo a de servir aos desejos do consumidor.

A Escola Austríaca de Economia

O livro de Menger de 1871 é reconhecido na história do pensamento econômico (ao lado da Teoria da Economia Política de Jevons, de 1871, e Elementos da Economia Pura, de Walras, de 1874) como um componente central da "Revolução Marginalista". Em sua maior parte, os historiadores do pensamento enfatizaram as características do trabalho de Menger que se assemelham às de Jevons e Walras. Mais recentemente, seguindo especialmente o trabalho de W. Jaffé (1976), atenção tem sido dada aos aspectos das ideias de Menger que os diferenciam dos de seus contemporâneos. Uma série de estudos recentes (Grassl e Smith 1986) relacionaram esses aspectos singulares de Menger e dos primeiros economistas austríacos a correntes mais amplas na cena intelectual e filosófica do final do século XIX na Áustria.

O significado do processo de mercado

Mas a ciência econômica, desde seus primórdios, foi atracada na circunstância empírica de mercados que exibem uma certa ordem. O desafio científico tem sido, não prever uma ordem que ainda não foi observada, mas explicar a circunstância contraintuitiva da ordem de mercado observada, na ausência de controle centralizado. É ao enfrentar esse desafio que a teoria do mercado, desde Adam Smith, lutou para alcançar uma compreensão dos mercados. A abordagem do processo de mercado, totalmente alinhada a essa tradição científica, vê um avanço significativo na compreensão dos mercados como obtida a partir de insights sobre o processo de descoberta competitivo-empreendedora que constitui, nessa abordagem, o núcleo essencial dos fenômenos de mercado ao longo do tempo.

Teoria do processo de mercado: em defesa do meio-termo austríaco

Mas a ciência econômica sempre procedeu da importante circunstância empírica da ordem econômica. Como os livros didáticos elementares nos lembraram pelo menos desde Bastiat, grandes cidades administram, sem grande controle centralizado, as necessidades de provisões diárias de uma maneira razoavelmente ordenada. O mercado obviamente funciona. O fato de o mercado funcionar talvez seja a lição mais significativa da história moderna. Experiências nas últimas décadas pressionaram essa lição na consciência dos homens de ambos os lados da Cortina de Ferro. O problema que sempre preocupou os teóricos é como, sem uma coordenação deliberada, os mercados podem funcionar.

O que é Escolha Pública?

Escolha Pública é frequentemente referenciada como uma escola do pensamento econômico. Na verdade, é mais próxima de uma vertente da ciência política. Ela não tenta explicar como a economia funciona. Ao invés disso, a Escolha Pública usa os métodos e ferramentas da economia para explorar como a política e o governo funcionam. É uma abordagem que produz alguns insights surpreendentes, e levanta questionamentos estimulantes – tais como, quão eficiente, efetivo e realmente legítimo o processo político realmente é.

Argumentos para a Liberdade

Uma coleção de nove ensaios originais de grandes filósofos apresentando as principais teorias morais e como elas sustentam um sistema político libertário.